Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

16/4/09

Por uma escola sem muros

 

 

            Após a assistir Entre os muros da escola (Palma de Ouro no Festival de Cannes 2008) pude constatar que a relação alunos x escola não é problemática e distante, apenas no Brasil. Na França, a insolência dos alunos parece um pouco menor do que a dos alunos brasileiros, mas a incompreensão dos discentes diante do aprender é a mesma. Desconhecem o porquê devem ser ensinados e aprendidos determinados conteúdos.

            O filme é muito lento, monótono e repetitivo, por isto muitos abandonam a sala do cinema antes do término da sessão. Como o filme todo se passa entre os muros da escola, se pode compreender que a monotonia e a repetição, presentes na tela, talvez sejam as mesmas de uma sala de aula verdadeira.

            Há uma cena em que um professor frustrado entra, aos gritos, na sala dos professores, um sinal de desespero que, muitas vezes, presenciamos em contexto escolar. Afinal, após horas de preparação de aula, aceitar o fracasso do planejamento não é fácil!

          Na tela, em um momento de reunião escolar, as mães representantes questionam a posição do corpo docente e do diretor em priorizar novas formas de punição aos alunos, em lugar de premiar os bons estudantes.     Encontramos, nesta cena do filme, o mesmo desacerto, a mesma interrogação que os educadores vivem nas escolas brasileiras. O que fazer para melhorar a disciplina, a atitude e o interesse dos alunos? Alguns docentes se desesperam na preparação de suas aulas e não encontram maneira de  motivar os alunos ao aprender. Agora há esta cobrança de que o professor tem que motivar, tem que ser amigo do aluno. A função do professor é ensinar, se quiser ser amigo do aluno também, ótimo! Motivação, o sujeito deve carregar consigo, se quer ser alguém na vida.  Ninguém motiva ninguém! Se o aluno não quer aprender, não há mestre que consiga ensiná-lo. Aos pais cabe a tarefa de educar, na escola, os professores só enfatizam as lições aprendidas em casa sobre valores morais.

          Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada e que os pais não questionavam tal autoridade, além disto nesta época também a escola defendia o seu corpo docente. Não tenho saudades de palmatória, nem de joelhos no milho, mas sem dúvida o mundo era outro. Não havia dislexia,  hiperatividade, bulimia, anorexia! Em que momento os educadores perderam a autoridade, a credibilidade e o respeito?

           Voltando ao filme, na tela parece tudo muito real, nos sentimos mesmo dentro da sala de aula, o que provoca um certo baixo astral na saída do cinema. Será esta a mesma tristeza sentida por professores e alunos ao término das aulas?

          Tomara que a escola retire seus muros e enxergue um pouco melhor o universo caótico que contamina a juventude do século XXI. Sem dúvida, é na família que está a raiz, a base da educação, a escola só deve reforçar os valores aprendidos em casa. Portanto, pais assumam o seu papel com seriedade, para que os professores também possam exercer sua função dignamente!

 

Publicado no Jornal Zero Hora, 18/04/2009, p. 17

criado por joselmanoal    15:33 — Arquivado em: Crônica

9/4/09

Na páscoa

         Ouviu falar que é tempo de renascer! Não teve dúvidas: era chegada a hora de abandonar o luto. Vestido vermelho, saltos altos, cabelos soltos, o movimento saltitante e a procura por outra toca.

criado por joselmanoal    18:16 — Arquivado em: Conto minimalista

Escolas distantes

 

 

            Não saberia ao certo estipular desde quando, mas já faz algum tempo, que os valores de nossa sociedade, são apenas os monetários, os numéricos. Os valores morais muitos desconhecem ou esqueceram, convêm apresentar ou relembrar valores em tempos de Páscoa. 

            A violência na escola, tão discutida hoje, tem sua raiz na falta de valores. Em uma produção oral, exercício de sala de aula, os alunos deveriam falar em idioma estrangeiro sobre sua infância, me comovi ao ouvir histórias reais de crianças que caminhavam 5 km para frequentar a escola e que sempre viram na educação um meio para uma vida melhor. Não buscaram outro rumo que não este aprendido em casa. Jamais desrespeitaram seus mestres, chegavam cansados e sedentos por aprender. A curiosidade intelectual os conduzia pelo caminho.

            As facilidades do mundo moderno talvez tragam uma comodidade que conduz e fortalece a falta de valores. O ser humano precisa sofrer para aprender a dar valor – frase muito repetida por quem passou trabalho e amadureceu.  Crianças hoje não caminham tanto para ir à escola, ótimo que exista mais escolas e ônibus escolares! O problema é que os estudantes já não entendem a razão da existência da escola, qual a sua utilidade em sua vida prática. Não a vem com um caminho para melhoria de vida. O espaço escolar não é compreendido como algo primordial em suas vidas, como era para estes meus alunos andarilhos. A escola atual não passa de um espaço de convivência social. De uma convivência nada pacífica, mas desarmônica, confusa e caótica!

            Em que momento os educadores perderam a autoridade, a credibilidade e o respeito?  Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada, os pais não questionavam tal autoridade e a escola defendia o seu corpo docente. Não havia alunos disléxicos, nem hiperativos. Ninguém tinha bulimia ou anorexia. Agora professor tem que motivar, tem que ser amigo do aluno. A função do professor é ensinar, se quiser ser amigo do aluno também, ótimo! E motivação o sujeito deve carregar consigo se quer ser alguém na vida.  Aos pais cabe a tarefa de educar, a escola só enfatiza as lições aprendidas em casa sobre valores morais: respeito, solidariedade, etc.

            O ser humano, infelizmente, tende a chorar sobre o leite derramado! Espero que as crianças e os adolescentes não precisem deixar de estudar, ter uma vida indigna, estar à beira do abismo para perceber o quanto a vida poderia ter sido outra, se eles tivessem estudado e encontrado no ambiente escolar o seu caminho. Tomara que ainda haja alguma esperança para a escola que também sofre com falta de valores que precisam ser injetados urgentemente na sociedade moderna! Não há remédio, não há tratamento quimioterápico para falta de educação, respeito e cidadania!

          Portanto, cabe aos pais recuperar o seu papel na formação de seus filhos e aos professores, o lugar de autoridade que lhes é de direito. 

 

 

       

criado por joselmanoal    11:27 — Arquivado em: Crônica

1/4/09

Até mais!

 

 

            A palavra despedida tem um tom de tristeza e nostalgia que não gostaria de registrar aqui, por isto o título informal e alegre.

            Espero durante este período (de fevereiro de 2006 a março de 2009), ter agradado os leitores do Jornal Bom Dia. Embora sem receber um único centavo por este trabalho (porque escrever é trabalho!), sempre cumpri, com responsabilidade, a tarefa de preencher a sua vida com reflexões, tentando entremear beleza e inconformidade, escrevendo sobre temas amenos ou polêmicos

     Muitos discordaram, outros elogiaram e tomara que algo tenha ficado destes encontros através da página do jornal. A leitura desta coluna certamente lhes trouxe uma impressão a meu respeito, espero que tenha sido positiva!

     Não iria escrever esta crônica, simplesmente abandonaria o espaço, mas uma amiga me sugeriu que escrevesse, pois deveria explicar minha ausência no jornal, em consideração aos leitores. Achei a ideia boa, afinal, vocês merecem meu respeito.

     Em nosso país, a arte não é valorizada como deveria! Vejo alguns alunos, que reclamam do preço dos livros, desfilando sapatos e bolsas de grife. Que pouco valor se dá à alma e que supervalorização ao corpo, à aparência, à futilidade? O trabalho intelectual não é visto com a nobreza que merece!

       Então aí vão as razões pelas quais esta coluna poderá deixar de existir:

       O não pagamento por um trabalho que exige disciplina e cuidado. Me nego a escrever qualquer textinho e enviá-lo ao jornal! Após a escrita, reviso, reescrevo, dependendo do assunto escolhido, me obrigo a pesquisar. Enfim, redigir uma crônica decente, de qualidade, demanda tempo.

      A falta de tempo é uma problemática da sociedade atual e certamente também me atinge.  Estou escrevendo uma narrativa longa, gênero literário que me exige um número maior de horas em frente ao computador.

      A valorização pelo trabalho passa pela questão econômica, financeira. Um profissional não trabalha sem remuneração e o que eu faço é trabalho, não acham? Ou, por acaso, algum dos leitores trabalha só por amor? Bem, aí se trata de trabalho voluntário em uma instituição assistencial, louvável, nobre e muito diferente da escrita de uma coluna em um jornal.

      Diante da impossibilidade de pagamento, por parte do Jornal Bom Dia, deixo registrada a minha busca por patrocínio. Se alguém tiver interesse em patrocinar esta coluna, podem ter a certeza da continuidade da leitura de minhas crônicas no jornal. Do contrário, continuarei escrevendo no blog.

      Muito obrigada: ao Jornal Bom Dia pelo espaço e a vocês pela leitura!

      Até mais!

criado por joselmanoal    9:25 — Arquivado em: Crônica

27/3/09

Doce sabor a derreter no asfalto

 

            Lembrou-se da casquinha, que deixara cair, após a primeira lambida.  A triste imagem da infância parece repetir-se agora ao ver a mulher, um dia sua, esmagada no meio da rua.  

criado por joselmanoal    16:34 — Arquivado em: Conto minimalista

24/3/09

Educação sem rumo

 

            Desde que ouvi a notícia, o assunto me perturba, então é hora de falar a respeito: a história da professora em Caxias do Sul e da fita adesiva na boca do aluno de cinco anos me parece mal contada.

            Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada e que os pais não questionavam tal autoridade, além disto nesta época também a escola defendia o seu corpo docente. Não tenho saudades de palmatória, nem de joelhos no milho, mas sem dúvida o mundo era outro. Não havia alunos disléxicos, nem hiperativos. Ninguém tinha bulimia, anorexia… Agora professor tem que motivar, tem que ser amigo do aluno. A função do professor é ensinar, se quiser ser amigo do aluno também, ótimo! E motivação, o sujeito deve carregar consigo, se quer ser alguém na vida.  Aos pais cabe a tarefa de educar, a escola só enfatiza as lições aprendidas em casa sobre respeito,  bons modos, etc.

            Hoje a escola deve engolir de tudo, socos, pontapés e palavrões, a violência ocorre todos os dias dentro do espaço escolar. Esta semana, em Porto Alegre, na Escola Estadual Bahia, uma aluna agrediu a professora, ocasionando-lhe um traumatismo craniano. A notícia não provocou tanta comoção quanto a do menininho com a fita nos lábios.

                Voltando ao fato ocorrido em Caxias do Sul, o advogado de defesa da professora afirma que a tal fita adesiva foi colocada pela própria criança, em um momento em que  a professora não estava em sala e esta apenas a teria retirado, o que pode ter machucado, por mais cuidado que esta tenha tido. Por que se acredita mais em uma criança de cinco anos, que pode muito bem ter fantasiado ou até mesmo mentido, do que em uma professora?

            Em que momento os educadores perderam a autoridade, a credibilidade e o respeito? Quando eu era criança jamais meus pais permitiriam que eu dissesse qualquer ai contra os meus professores, no que eles estavam cobertos de razão. Se um professor me colocasse uma fita adesiva, por estar conversando e atrapalhando o andamento da aula (o que, sinceramente, não acredito que tenha ocorrido em Caxias do Sul) provavelmente não haveria qualquer queixa contra a escola e o professor, eu levaria, isto sim, um castigo ou uma boa chinelada para aprender a me comportar direito na escola. Palmas para os pais de minha geração!

            E qual a posição da direção da escola em Caxias do Sul sobre o fato? A escola se exime de qualquer culpa! A única que deve ser punida é a professora que não poderá atuar nas escolas municipais da cidade, além de ter de passar por todo esta escândalo e humilhação. Que barbaridade!

            Me pergunto que tipo de punição sofrem os alunos que agridem seus professores todos os dias. E não me refiro somente à violência física. Cuidado, pois esta realidade brutal não atinge só a rede pública; na rede privada, também, os alunos de alto poder aquisitivo e, em sua maioria,  sem nenhum pingo de educação (reitero: educação é tarefa dos pais) também desacatam seus professores ao gritarem que pagam seus salários. Aluno cliente é intolerável!

            Questiono, preocupada, para onde caminha a humanidade com a educação a cada dia mais sem rumo…

 

Publicado em Palavra de Professor no Jornal Extra Classe - jornal do SINPRO/RS, ano 14, número 133, maio de 2009, p. 3

criado por joselmanoal    11:13 — Arquivado em: Crônica

18/3/09

Calar ou abrir um bocão?

 

     Clodovil sempre foi um sujeito polêmico. Escrevo, não por admiração profunda ou por imenso pesar por sua morte, lamento sua partida, mas sem comoção exacerbada. Escrevo, sim, porque levanto bandeira para gestos solidários!

     O estilista, apresentador, deputado, já havia manifestado o desejo de doação de órgãos, o que infelizmente não poderá ser feito, pois após a morte cerebral, sofreu uma parada cardíaca.  Mas seu gesto não termina por aí, a advogada responsável pelo testamento afirmou a decisão de Clodovil Hernandes pela doação de bens a instituições de caridade e o desejo de transformar um imóvel em Ubatuba (SP) em uma instituição para meninas órfãs.                                                                                             

     Talvez esta vontade de ajudar meninas órfãs provenha do fato de ele haver sido filho adotivo. Este olhar solidário, que nem todos possuem, pode ter uma explicação na história de vida de cada um. A maneira que o estilista encontrou de agradecer a quem lhe aceitou por filho é, justamente, tentando acolher muitas crianças a espera de pais, situação vivida por ele também um dia.

     Gosto de quem fala o que pensa, mesmo que cometa excessos e isto Clodovil sabia fazer bem. Nem sempre é bom falar muito, acredito que o tenha prejudicado na relação com as emissoras e na própria vida pessoal. No Congresso também teve seus momentos de ira descontrolada, porém não levava desaforo pra casa, o que considero uma qualidade.  Não era um tolo qualquer, saiu (ou foi saído?) do partido pelo qual se elegeu porque votava de acordo com as suas ideias e não como o partido estipulava.

     Há ações trabalhistas de Clodovil contra determinadas emissoras de televisão. Era o tipo de pessoa que não se cala diante de injustiça ou do que julga incorreto. Ia atrás de seus direitos. Atitude, aliás, que todos nós deveríamos tomar e muitas vezes não o fazemos para evitar incômodos. Preferimos não lutar porque dá trabalho, mais simples é calar. E nós nos calamos!

     Clodovil era uma pessoa irreverente, rebelde por excelência, o que o torna digno, sim, de admiração. Num mundo repleto de Maria-vai-com-as-outras, alguém que pisa aonde quer, faz a diferença. E este pisou no Congresso com maior votação do país, homossexual assumido, venceu preconceitos com seu estilo ambíguo: ora elegante, ora descortês. Só agora que finalizo o texto me dou conta que eu o admirava bastante

criado por joselmanoal    15:21 — Arquivado em: Crônica

11/3/09

Por onde andará o bom senso?

 

            Jesus Cristo sempre pregou o amor e a justiça, veio ao mundo para deixar a sua mensagem e o seu exemplo. As leis, portanto, não são criações divinas e o Deus em que acredito não pune, nem castiga, muito menos excomunga.

            Tenho uma filha de oito anos, me coloco no lugar da mãe da menina pernambucana, estuprada aos nove e grávida de gêmeos. Não agiria de modo diferente, eu também, neste caso, permitiria o aborto. Os médicos agiram de modo sensato e humano, diferente da posição da igreja que se revela incoerente e hipócrita ao ditar excomunhão a estas pessoas. Depois se discute o fenômeno de igrejas vazias!  Uma igreja punitiva, que não tem compaixão por uma criança, deverá permanecer cada vez mais vazia.

            Como católica, me preocupa a posição dos homens que comandam a igreja, os representantes da fé na Terra. Se devemos acreditar na vida e louvá-la, é óbvio que o aborto é uma questão polêmica, mas não quando se trata de uma criança que poderá morrer na gestação ou no parto, que não poderá ser uma verdadeira mãe neste momento (afinal ainda deve brincar de boneca) e, talvez, jamais possa engravidar novamente quando escolher ser mãe. Por que punir uma menina? O homem que a violentou, a este a igreja não excomunga, somente aos responsáveis pelo aborto. Como pode um absurdo destes?

            Ainda bem que hoje os excomungados já não são mais perseguidos, questionam a posição da igreja, sabem que fizeram o certo, vivem as suas vidas despreocupadamente e com a consciência leve. A igreja já não perturba tanto, há discernimento e segurança dos profissionais da área da saúde que ajudaram a menina, atuaram de modo solidário e humano. Sabem que não vão arder no fogo do inferno!

            Os métodos anticonceptivos permanecem sendo punidos pela igreja. O uso de preservativos é considerado pecado, portanto, as pessoas devem ter inúmeros filhos, mesmo sem ter condições de educá-los de modo digno. A sociedade se modifica e a igreja permanece a mesma: a condenar métodos anticoncepcionais, a considerar homossexualismo uma doença, a proibir o aborto em circunstâncias que podem levar à mãe e/ou o próprio bebê à morte, a excomungar quem protege a vida de uma menina.

            Por onde andará o bom senso? Se o encontrarem caminhando por aí perdido, lhe ensinem, por favor, o caminho da igreja!

 

 

criado por joselmanoal    14:40 — Arquivado em: Crônica

8/3/09

Formigas trabalhadoras e cigarras sedutoras

 

            Um bom tema para falar e escrever é sobre a mulher! Devido à complexidade do gênero, não se corre o risco do lugar comum, pois já que somos incompreendidas mesmo, ninguém tem obrigação de nos decifrar!

 

O que é certo, seguro e verdadeiro, todos reconhecem: é que somos fortes. Dizem que a mulher / É o sexo frágil/ Mas que mentira/ Absurda!/ Eu que faço parte/ Da rotina de uma delas/ Sei que a força/ Está com elas…

 

E todos sabem que a fé nos acompanha: Possui a estranha mania/ de ter fé na vida…

Bem, na verdade somos muito simples… Pena que, nem sempre, os meninos saibam disto. Basta uma generosa dose de amor e mimo e ficamos bem faceiras. Se a gente puder curtir, de vez em quando: espumante, Martini com cereja, trufas de morango, capuccino com chantilly, sorvete de creme com calda de chocolate, também é bacana. Sexo de qualidade sempre! Não precisa ser todo dia, umas duas, três vezes por semana já tá legal. Se acaso me quiseres/ Sou dessas mulheres/Que só dizem sim/ Por uma coisa à toa/Uma noitada boa/Um cinema, um botequim.

Mas o que a gente gosta mesmo é de afeto. Concordo com a Martha Medeiros quando diz que o ponto G não se encontra na genitália feminina, está é no ouvido mesmo. Uma bela palavra, pronunciada na hora certa e qualquer mulher se derrete…

A gente gosta de carinho, apesar de toda nossa complexidade, nossas manias, nossas loucuras Somos muitas: Mulheres cabeça/ E desequilibradas/ Mulheres confusas/ De guerra e de paz… Independente de nosso estilo: brega, chique, punk, fashion, clássico, todas queremos afeto!

 

Um generoso saco de pipocas e um filme para chorar são suficientes para nos reanimar e aquecer a nossa bateria. Que é recarregável, claro! A gente admite: um dramalhão nos pega! E comédia romântica também tem lá o seu valor…

 

Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra. Mas quando não quer sangrar, quando mete na cabeça que quer ser mãe? Bem, aí, pobres dos companheiros, pois serão tratados como objetos de fecundação. Eles que nos suportem! Normalmente este desejo nos chega lá pelos trinta. Bem, pode ser em outra idade… O importante é que nós vamos decidir e vamos convencer os parceiros da propriedade da hora. A iniciativa para a chegada do bebê normalmente é feminina, aos homens resta concordar. Quando chegar este momento, então vamos querer sexo todos os dias, independente do cálculo preciso dos dias férteis. E se o cálculo estiver errado? Não convém arriscar, melhor garantir! Sexo todos os dias, até a certeza da gravidez.

 

A gravidez pode ser acidental, não tem problema, a gente se vira e dá conta. Você conhece algum pai solteiro? Pois é, mães há aos montes! Por que será? Porque nossas baterias são recarregáveis e encontramos força nos momentos mais complicados. Homens jamais poderiam parir, na primeira contração já estariam mortos. TPM, cólica não poderia atingir o homeredo, eles não suportariam. Já a gente vai até a festa, a reunião de trabalho, com cólica, com enxaqueca…

 

Nós suportamos todas as dores! Conseguimos sorrir para o filho recém saído de nossas entranhas (o que não é tarefa fácil), e o achamos lindo, maravilhoso, apesar das controvérsias de que todos nascem com cara de joelho. Nosso filho, não! Não, nosso filho já nasceu lindo e nos sorriu! Apesar dos pediatras afirmarem a impossibilidade do sorriso por parte do bebê.

        

Mulher eu já provei/ Eu sei que é bom demais, agora o resto eu não sei/ Sei que eu não vou mudar/ Sei que eu não vou nem tentar/ Desculpe esse meu defeito/ Eu juro que não é bem preconceito/ Eu tenho amigo homem, eu tenho amigo gay/ Olha eu sei lá, eu sei que eu não sei,/ Eu gosto é de mulher/ Eu gosto é de mulher. (Ultraje a Rigor)

 

Nós trabalhamos, conquistamos um espaço no mercado de trabalho, porém continuamos a cuidar da casa com esmero, mesmo que tenhamos auxiliares nesta tarefa. Aí de quem tirar do lugar os nossos porta-retratos, bibelôs, taças, livros e cds. A assistente tem que ter paciência conosco, mas como também se trata de um elemento do gênero feminino, saberá nos compreender.

Tem razão o Chico e a gente segue a dica: Mirem-se no exemplo/ daquelas mulheres de Atenas/ Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.

Tudo bem, nem todas são mulheres de Atenas, algumas mulheres têm vocação pra dondoca. Trata-se de uma minoria, caso de extinção! Somos mesmo formigas trabalhadoras. Temos um pouco da cigarra na sedução da voz. Nem sempre cantamos (às vezes no banheiro), porém, todas queremos encantar! Cada uma encontra seu artifício de sedução, seja na voz, no rebolado, no olhar. Os homens até podem lançar o seu charme, no entanto o papel do encantamento é feito com eficiência pelas mulheres. Nós nascemos para seduzir o mundo! E o mundo que nos aguarde, porque a gente vai longe…

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!!!!

criado por joselmanoal    18:21 — Arquivado em: Crônica

5/3/09

Salada de frutas

Salada de frutas

 

            Lábios de amora, pele de pêssego, ela mordeu a maçã e descobriu as maravilhas do inferno.

criado por joselmanoal    15:57 — Arquivado em: Conto minimalista
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