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A notícia sobre a formatura de Valério Galeazzi (Zero Hora, 7/01/08, p.21), que tem 85 anos e já é bisavô, no Curso de Direito da ULBRA em cerimônia realizada no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul em 5/01/08, surpreende e comove. Estamos acostumados a ver a juventude erguendo o canudo, orgulhosa do diploma, mas tenho certeza que a alegria de Valério é muito diferente das dos demais bacharéis. Tem um outro sabor a conclusão de um curso superior para alguém de idade tão superior aos demais formandos.
Deve ter sido um bom colega e aluno, afinal não estava na sala de aula por pressão familiar, como muitos dos estudantes. Os trabalhos e provas devem ter sido realizados por ele com a seriedade de quem não quer brincar com a vida, como, infelizmente, muitos universitários o fazem. Imagino que deva ter sido um aluno e um colega diferenciado. Quantos colegas não teriam lhe pedido conselhos ou auxílio na realização dos trabalhos? Certamente ele foi generoso e os ajudou, não teve o espírito impregnado da inveja que habita a maioria dos alunos-meninos.
O diploma do Sr. Galeazzi é uma lição sobre rejuvenescimento que supera cremes anti-rugas e flacidez. Beber da juventude é estar junto dela. Saber conviver, respeitar as diferenças provenientes da faixa etária, compreender o vocabulário de uma nova geração são exercícios divertidos, claro, mantendo o cuidado de não se deixar contaminar pelas gírias e monossílabos dos tempos atuais.
E por falar em vocabulário, creio que o léxico empregado por Valério o tenha favorecido bastante na faculdade, pois pertence a uma geração leitora, sem a invasão das televisões e computadores. Viveu em tempos de respeito aos professores e, por isto, não deve ter reclamado à solicitação da leitura de alguma obra, nem feito cara feia ou a tradicional e irritante pergunta de quantas páginas tem o livro.
Com certeza, os colegas aprenderam muito com Valério e o inverso também ocorreu! Nós crescemos na diferença, a diversidade nos conduz à vida. O debate sempre é melhor que a aquiescência. Sujeitos rebeldes são lembrados, os acomodados, esquecidos.
A atitude de Valério Galeazzi ao concluir um curso superior é um gesto de rebeldia dos mais admiráveis. Agora ele dará continuidade aos estudos em uma pós-graduação, pois conquistou também uma bolsa de estudos da ULBRA para tal finalidade. Que nos miremos neste exemplo de rebeldia na luta contra o envelhecimento!
Publicado nos jornais Zero Hora em 9 de janeiro de 2008, p. 17 e Bom Dia em 10 de janeiro de 2008, p. 6
criado por joselmanoal
10:33:46