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Na mesma semana no jornal Zero Hora (dias 1º e 2/07/08) duas notícias antagônicas se destacam. Uma atitude é de exemplo; a outra é de vergonha. Os personagens: um jardineiro e uma bibliotecária.
O jardineiro fez o que muitos julgam gesto tresloucado: devolver um dinheiro que não lhe pertencia. Agiu conforme a educação que lhe foi dada, aprendeu na família que se deve primar na vida pela honestidade, e, assim, o fez. Em nosso país ser honesto, muitas vezes, é tratado como prova de imbecilidade. Nossa sociedade prima por outros valores. O sujeito deve ser bem sucedido, nem que para obter tal êxito tenha que derrubar qualquer obstáculo. O mercado de trabalho está cada dia mais competitivo e para vencer vale tudo. O cinismo, a desonestidade, a falta de ética e princípios tem se instalado nos ambientes profissionais de nosso país. O modelo está entre políticos eleitos, os representantes de nosso país que atuam de forma indecorosa e corrupta.
A bibliotecária de uma universidade, demitida por justa causa, vendia monografias de final de curso, poderia até aparentar solidariedade e compreensão, diante de alunos formandos das mais diversas áreas de conhecimento, que alegam falta de tempo para a escrita do trabalho final. Se não há tempo, que realizem a escritura em outro momento, que finalizem o curso em outro semestre, que priorizem o trabalho final! Afinal vão receber um diploma. Que tipo de profissionais estamos formando? A falcatrua no meio acadêmico tem se disseminado feito uma praga e está cada vez mais difícil conter o engodo, a mentira. Agora, além da correção, o docente deve perder algum tempo na busca de fragmentos do trabalho, ou até mesmo, do trabalho completo, pesquisando na Internet. Não se pode mais acreditar em tarefa executada fora do espaço da sala de aula.
A devolução do dinheiro, feita pelo jardineiro, é nobre e rara, por sua vez, a confecção de trabalhos acadêmicos, desde monografias a teses de doutorado, trata-se de um mercado abundante e em plena ascensão. Os responsáveis pela escrita de trabalhos acadêmicos compactuam com a desonestidade, contribuem para a inserção no mercado de trabalho de novos incompetentes profissionais brasileiros.
Espero que, no momento de seleção para ingresso profissional, se destaquem os honestos, os que escreveram de próprio punho a sua monografia, a sua dissertação, a sua tese. E para os demais restam outros caminhos, vamos torcer para que não invistam na carreira política, pois ali podem encontrar seu espaço ideal!
Meus mais sinceros aplausos ao jardineiro Javel Gomes da Silva!
Publicado em 3 de julho de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10 e em 5 de julho de 2008, Zero Hora, p. 20
criado por joselmanoal
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