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Assisti ao especial Por toda minha vida sobre Dolores Duran na Rede Globo em 17/07 e no último fim de semana vi o dvd Edith Piaf – um hino ao amor. Fiquei absolutamente embasbacada, embevecida com a beleza das vozes e a história de vida destas duas magníficas mulheres.
Apesar da miséria em que viviam, confiavam em seus talentos e tinham a certeza do sucesso! Ambas eram pobres, fisicamente debilitadas, donas de timbres únicos, inimitáveis,
Adotaram nomes artísticos, sem nenhuma pesquisa astrológica, Adiléia Silva da Rocha tornou-se Dolores Duran e Edith Giovanna Gassion fez-se Edith Piaf.
A francesa, primeiramente chamada no meio artístico como la Môme Piaf, pequeno pardal, por sua aparência frágil e sua poderosa voz, depois foi chamada Edith Piaf.
Já o nome da brasileira, lhe foi atribuído em razão da doença cardíaca que lhe acompanhava desde a infância, dores que perduram. Talvez, justo por conviver com a doença e estar ciente da brevidade da vida, soube viver de modo intenso, impetuoso, pode ser, até mesmo, considerado irresponsável. Ao cantar em inglês, francês, italiano e espanhol parecia uma falante nativa destes idiomas. Possuía uma habilidade impressionante em reproduzir os sons de línguas estrangeiras que jamais havia estudado formalmente. Compunha em qualquer espaço. Suas canções-poema nasciam em mesas de bar, escritas com o lápis de olho em um guardanapo qualquer.
Dolores faleceu com vinte e nove e Piaf aos quarenta e oito anos. Aproveitaram ao máximo a vida. Sem medir as sérias conseqüências do uso de drogas e bebidas. Viveram muito pouco para as muitas composições e interpretações inesquecíveis. Canções que falam do amor como poucas. Mulheres com alma de artista que nasceram para o palco (apesar da péssima aparência de Piaf). Tiveram vários amores, casamentos desastrosos, mas jamais desistiram de amar. Acreditaram no amor e o entoaram em cada interpretação musical. Eternizaram o nobre sentimento em suas vozes singulares.
Enfrentaram inúmeros preconceitos: pobreza, marginalidade, sexo, raça. Nunca se intimidaram, nunca desistiram. Piaf chegou a cair no palco, mas sempre retornava, pois já não sabia viver longe dele. Dolores e Edith cantaram a vida até o último instante.
Dolores Duran e Edith Piaf me fizeram lembrar Cazuza, sem limites para viver, para aproveitar a vida. E para amar! Foram criticados por preconceituosos pela maneira como conduziram seus dias. E serão eternamente aplaudidos pelos que amam a arte!
Publicado em 31 de julho de 2008, Jornal Bom Dia. p. 2
criado por joselmanoal
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