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Quase um mês longe, no trajeto de volta, a pergunta sobre as saudades de casa e o texto segue em resposta.
Escapar da rotina é um exercício importante, mas não há nada melhor do que voltar pra casa e, conseqüentemente, retornar à rotina. Contraditório? Esperem que já me explico melhor... Fugir, por alguns dias, tudo bem. No entanto, nos outros tantos dias do ano a vida é feita mesmo de trabalho.
Voltar pra casa é sempre uma maravilha, porque, por melhor que estejamos hospedados, a cama nunca é como a nossa. E é ali, no nosso quarto, que sonhamos melhor do que em qualquer outro recanto. O computador, por melhor que seja, nunca tem um teclado como aquele nosso, com o qual temos intimidade e que nos permite um outro ritmo. E é ali, no nosso computador, que colocamos um pedaço da gente, das nossas idéias, da nossa maneira de olhar o mundo e decifrar a vida. Qualquer dia, eu me rendo à compra de um laptop...
Estive longe de minha residência atual e perto de minha residência de infância. Aproveitei para refazer o trajeto até a escola onde fiz todo meu ensino primário e recordei velhas histórias. Caminhei até a casa de minha amiga de infância, que visitava os pais (permanecem vivendo na mesma casa), rimos à toa como na adolescência. Amigos verdadeiros são assim: podemos ficar muito tempo sem conversar, mas quando nos reencontramos nos sentimos muito à vontade, como no tempo em que a gente se via todos os dias na escola. Permanecemos ligados por um fio de Intimidade e carinho isto é que faz da vida algo mágico!
O encontro com churrasco e violão, com outro grupo de amigos, também me trouxe alegria. Ouvir composições de um amigo, saber que ele continua sendo um talento oculto pra tanta gente, mas que se revela ali entre os companheiros. A gente sabe e canta junto as composições antigas, conhece as novas e se emociona com a letra e a melodia das canções do Zeno, que não é Chico Buarque, mas também sabe encantar com sua voz e violão.
Passei dias ótimos, reencontrei e pude abraçar a muitas das pessoas que amo. Fiquei a poucos quilômetros de casa, por poucos dias, porém a saudade foi bem maior do que a distância e o tempo. Fico pensando naqueles que vivem em outro país e por toda a vida...
O maior tempo em que estive fora do meu país: um mês, já foi o suficiente para perceber o quanto brasileira sou. Muitos anos se passaram, não esqueci, acho que nunca esquecerei, uma cena na volta ao Brasil. Ao chegar, fiz escala em Salvador, havia uma fila enorme, indaguei a um funcionário do aeroporto sobre a demora no atendimento do guichê, sorridente e tranqüilo ele me respondeu que a fila logo ia passar. Falou com aquela calmaria baiana de dar inveja a qualquer pessoa de outra nacionalidade. Que bom estar de volta ao Brasil, lembro que pensei, ao sorrir e agradecer a informação.
Para aqueles que estão saindo de férias: bom passeio e prudência na estrada, porque não há nada melhor do que voltar pra casa!
Publicado em 3 de janeiro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
14:36:59