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O sistema carcerário brasileiro é vergonhoso! A violência contra a mulher é inadmissível em qualquer espaço, inclusive no presídio. Há dias a história da menina L. de 14 anos em, Abaetetuba – Pará retumba em meus ouvidos, trata-se de assunto triste, até mesmo revoltante, diante do qual não posso calar.
A governadora, a juíza, a delegada, a secretaria de segurança pública no estado do Pará – mulheres que sabiam das agressões sofridas por L. e nada fizeram, se omitiram, preferiram fazer de conta que nada sabiam. Argumentos não faltaram: a menina tem problemas mentais como se tal fato justificasse o estupro, muito pelo contrário torna a situação ainda mais grave.
Que espécie de barbárie é esta em pleno século XXI? Nem um pouco diferente dos tempos de Nero. Não evoluímos nada, continuamos os mesmos animais. Uma menina menor de idade, porque estava sem documentos é presa em uma cela com vinte homens. Roubam a comida da menina em troca de sexo. Ela sofre queimaduras de cigarro, seu cabelo é cortado com faca – violência, humilhação são palavras amenas para a dor da garota. Policiais carcerários emudecem, nada declaram. Passaram-se vinte e quatro dias até as denúncias chegarem à imprensa e tentar mudar o rumo da história.
A comissária das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos considerou um desrespeito às convenções ratificadas pelo Brasil nas áreas de direitos civis e políticos a violência sofrida pela menina na prisão. Questionou, inclusive, o procedimento da prisão antes de um julgamento e de uma condenação.
O Secretário de Direitos Humanos pediu a proteção para a mãe de L. para as quatro integrantes do Conselho Tutelar do município que denunciaram o caso e para a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA.
A história foi divulgada pela imprensa internacional, teve espaço em diferentes jornais do mundo, em momentos como este dá uma vergonha de ser brasileiro e mais do que isto dá vergonha de ser gente. Que espécie evoluída, racional é esta?
Nada desculpa o que aconteceu com L.! Se é maior o menor de idade, se é deficiente mental ou não! Uma violência como esta não tem nome, é inexplicável, horrenda, monstruosa! Ainda bem que está chegando o Papai Noel pra ver se a gente consegue esquecer o Bicho Papão que anda solto por aí...
Publicado em 13 de dezembro de 2007, Jornal Bom Dia, p.6
criado por joselmanoal
20:19:52