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Valorizo demais livros autografados! Na última Jornada de Literatura em Passo Fundo, eu andava sempre carregada de obras, circulando em busca da assinatura de meus escritores favoritos. Ao conquistar o autógrafo com a dedicatória: Para Joselma, a minha fã número um, com um abraço do Daniel Galera” (fã número um, pois assim eu me havia denominado ao fazer uma pergunta ao escritor) vivi um momento e tanto e não parava de olhar a assinatura de um autor tão jovem e por mim tão admirado.
Outro autógrafo inesquecível foi o do Fernando Sabino nos tempos em que era acadêmica do Instituto de Letras e Artes da PUCRS. Seguidamente a Prof.ª Drª Dileta Silveira Martins, brilhante profissional, organizava encontros com escritores lidos e analisados em sala de aula. Foi em uma destas ocasiões que conheci o Fernando Sabino. Ao final da conversa com o autor, me aproximei para fazer uma pergunta. Já havia encerrado a sessão de autógrafos, mas propositalmente me deixei ficar por último. Não lembro mais qual era o meu questionamento, mas recordo bem a expressão do Sabino ao aproximar-se de mim e interromper minha fala tão ensaiada. Chamou a sua assistente, tapou minha boca com a mão direita dele e disse; Veja, como esta menina se parece com a Verônica, minha filha, só os lábios são diferentes, mas é o mesmo olhar, a mesma testa, o mesmo nariz, até o corte e o tom do cabelo são iguais! Me abraçou, disse que estava com saudades da filha, enfim, foi um instante de comoção. Meus colegas depois pegaram no meu pé, por algumas semanas virei Verônica. Pior é que eu achava a Verônica Sabino muito feia. Mas a semelhança valeu pela cena e pelo carinhoso abraço do Fernando Sabino.
Viver a situação do outro lado como alguém que autografa, também tem lá sua emoção. A primeira vez em que vivi um minuto de escritora foi na Feira do Livro em Porto Alegre, em 1987, quando participei de um concurso nacional de crônicas dirigido a alunos do segundo grau e os melhores textos formaram uma antologia. Eram vários garotos enfileirados autografando para familiares e amigos. Antes da participação na famosa Praça, fomos recepcionados com um coquetel delicioso oferecido pelos patrocinadores do Concurso. Lembro do orgulho da diretora da escola, professora de Língua Portuguesa, que me ofereceu na data um belo buquê e um sorriso de contentamento. Guardo a foto como uma relíquia.
Depois de algum tempo, uma semana após minha formatura, no início dos anos noventa, autografei novamente com o meu grupo de colegas de Oficina de Criação Literária da PUCRS, em uma noite de inverno na Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. O grupo voltou a autografar na Feira do Livro naquele ano. E desde então, só busco autógrafos.
Estar sentada como única autora a autografar, ou seja, não escrever a dedicatória em uma coletânea com vários autores, é uma experiência nova para mim que além de causar emoção, certamente, causa um medo impressionante. Espero que vocês compreendam se a minha letra não estiver tão bonita e as dedicatórias forem pouco criativas. Saibam que comprei uma caneta especial para a ocasião e espero não fazer feio.
Como estamos na Semana do Desafio nada mais adequado para uma escriba novata (porque escritora eu ainda não me considero) tentar escrever autógrafos sem borrar e com a letra caprichada. Espero que vocês, leitores do Jornal Bom Dia que acompanham esta coluna, possam estar lá, sexta-feira, amanhã, às 19h30min no Auditório do Prédio 8 da URI/Campus de Erechim. Haverá esquete teatral, mesa redonda, e, ao final, a sessão de autógrafos.
Aroma Hortelã é um livro de contos, de narrativas curtas. Desejo que estas histórias possam emocionar e divertir meus leitores. A Editora é a Movimento e o preço do livro é bem acessível: vinte reais.
Publicado em 29 de maio de 2008, Jornal Bom Dia, p.6
criado por joselmanoal
08:29:44