12/8/09
Violência, até quando viverás entre nós?
         Não gostaria de redigir este texto, mas como a escrita é uma de minhas armas, a utilizo neste momento como denúncia, desabafo, tristeza, incompreensão e dor.
         A jovem Franciele Ferreira Crapanzani era uma jovem de 24 anos, morava no mesmo bairro em que cresci e em que vivi minha infância e adolescência na tranquilidade da Porto Alegre dos anos setenta e oitenta. Esta Porto Alegre não mais existe e não há bairro algum livre da violência na atualidade. Franciele foi assassinada por sujeitos sem escrúpulos, monstros que devem ser capturados. E mesmo que o capturem, nada trará a jovem de volta á vida. O que fazer para que violências gratuitas como esta tenham um fim?  De quem é a responsabilidade, a quem cabe proteger à cidade? Onde estão as nossas autoridades públicas?
         Em um Brasil vergonhoso em que a Comissão de Ética decide esconder embaixo do tapete a corrupção de Sarney e seus amigos, em um Rio Grande do Sul que investiga as mesmas sujeiras por parte do Governo do Estado, é difÃcil acreditar que alguma autoridade se preocupe com uma moça que desaparece em uma manhã de sábado, 8/08 e é encontrada morta, três dias depois, 11/08, em um matagal. As nossas lideranças estão mais preocupadas em articular estratégias para engordar o próprio bolso do que em proteger à sociedade da barbárie.
         A famÃlia, os amigos, os conhecidos e os cidadãos comuns que vivem em meio à violência clamam por justiça, espero que os vilões sejam encontrados e punidos. No entanto, isto não basta! É urgente uma ação de basta à violência! Acredito que a luta contra o crack seja um bom começo, pois sabemos que viciados em crack são capazes de matar alguém por cinco reais.
         Violência, até quando viverás entre nós? Quantas outras meninas como Franciele morrem todos os dias da mesma forma no Brasil, mortas por sujeitos que são fruto de sociedade desigual, que não investe em educação, que cria monstros e os engorda a cada dia?
         Quem conheceu a Franciele viverá a dor da saudade, normal quando um membro querido parte, mas muito mais do que isto viverá um sentimento de incompreensão diante da violência sofrida pela jovem. Nada explica, nada conforta, nada tenho a dizer à famÃlia. Meus pêsames e meus sentimentos são vagos e não dão conta de manifestar minha dor e solidariedade, por isto escrevo este texto como um recado à s autoridades para que se preocupem com a violência urbana que cada dia é mais assustadora.
         Espero que a morte da Franciele seja um marco para uma campanha de fim à violência urbana!! Como foi com a Campanha do Crack, após a morte do Tobias Lee Manfred Hahn que tinha 24 anos como Franciele. Lamentável que jovens tenham que partir para dar inÃcio a campanhas de combate à violência!
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criado por joselmanoal
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Comentário por Carise Besson — 21 21UTC agosto 21UTC 2009 @ 13:52
Também sou moradora do bairro Cavalhada, desde que nasci, conhecia a Francieli de vista. Bárbaries como esta nos chocam e nos abalam, ainda mais quando é próximo a nós. A cada dia que passa quando chegamos seguros em nossos lares junto a nossa famÃlia temos que agradecer a Deus, pois a violência nos ronda o tempo todo, isso me amedronta! Vivemos com medo, e não podemos nos trancar em casa por isso, a vida continua e a luta é contÃnua. Destroem vidas, sonhos e famÃlias, as vezes por dinheiro, as vezes por pura maldade. Minha mãe sofreu um sequestro relâmpago a poucos metros de nossa casa, meu filho com meses de vida teve um revolver apontado pra sua cabeça neste mesmo episódio….são marcas profundas…e o que nos resta é esperança de que teremos dias melhores.