Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

28/8/09

Fotografia

 

            Rosangela Guella Tamagnone docente da Escola Ismael Chaves Barcellos de Galópolis, foi uma das 10 melhores professoras do Brasil no Prêmio Professor Nota 10, da Fundação Victor Civita com um trabalho sobre história e técnicas de fotografia, proposto em turmas de 7ª e 8ª séries do ensino fundamental. Os alunos tiveram contato com técnicas e foram estimulados à prática de algo que já exercitavam e gostavam. Aprimoraram o repetido gesto e se sensibilizaram com a arte da fotografia, seguramente, passaram a ter um olhar mais atento e cuidado para as cenas cotidianas. Fantástico!

Admito minha inveja (inveja boa) desta nova geração que não perde uma oportunidade de registrar momentos. Estão sempre com o celular em prontidão. Afinal, quantas festas de minha adolescência ficaram registradas apenas na lembrança? Uma pena a gente não tinha celular, nem máquina digital e ninguém lembrava da importância de fotografar a turma arrumada para a festa fantasia, para a festa anos 60, agora só resta lamentar mesmo…

            Claro há o lado exagerado da coisa! Muitos artistas e cantores reclamam dos desagradáveis flashes em teatros e shows. Mais desagradável ainda é quando toca o celular! Tem gente que não tem o mínimo de respeito pelos outros!

……………………………………………………………………………………………………………….

            E falando em respeito, aliás em falta de respeito com o povo, lembramos do senado brasileiro que decidiu arquivar as denúncias contra Sarney! De novo a sujeira ficou embaixo do tapete! É o fim do mundo!

……………………………………………………………………………………………………………….

            Voltando para fotografia (porque os nossos senadores não merecem muitas linhas) todos devem concordar que há exagero, excesso de exposição por parte da gurizada, basta dar uma espiada nos orkuts alheios… Não precisa fotografar tanto, mas a minha geração falhou, com certeza, pela ausência de fotos, acho que isto explica o porquê hoje, em encontros de amigos, gosto tanto de fotografar, tento recuperar o tempo perdido.

            E escrevo isto tudo porque, outro dia, assistindo um filme com minha filha, achei um ator parecido com um amigo da adolescência, daqueles que a gente perde de vista por aí, comentei com o meu marido que concordou com a semelhança. E nossa filha, naturalmente, queria ver uma foto do tal amigo para comparar com o ator. E daí, cadê a foto? Não tenho, o rosto ficou registrado em minha memória, foto não tenho nenhuma.

              Então tá, gurizada, melhor pecar pelo exagero mesmo: muitas  poses e flashes!

             E parabéns à professora Rosângela por ensinar que fotografia também é arte!

criado por joselmanoal    16:18 — Arquivado em: Sem categoria

12/8/09

Violência, até quando viverás entre nós?

          Não gostaria de redigir este texto, mas como a escrita é uma de minhas armas, a utilizo neste momento como denúncia, desabafo, tristeza, incompreensão e dor.

          A jovem Franciele Ferreira Crapanzani era uma jovem de 24 anos, morava no mesmo bairro em que cresci e em que vivi minha infância e adolescência na tranquilidade da Porto Alegre dos anos setenta e oitenta. Esta Porto Alegre não mais existe e não há bairro algum livre da violência na atualidade. Franciele foi assassinada por sujeitos sem escrúpulos, monstros que devem ser capturados. E mesmo que o capturem, nada trará a jovem de volta á vida. O que fazer para que violências gratuitas como esta tenham um fim?  De quem é a responsabilidade, a quem cabe proteger à cidade? Onde estão as nossas autoridades públicas?

          Em um Brasil vergonhoso em que a Comissão de Ética decide esconder embaixo do tapete a corrupção de Sarney e seus amigos, em um Rio Grande do Sul que investiga as mesmas sujeiras por parte do Governo do Estado, é difícil acreditar que alguma autoridade se preocupe com uma moça que desaparece em uma manhã de sábado, 8/08 e é encontrada morta, três dias depois, 11/08, em um matagal. As nossas lideranças estão mais preocupadas em articular estratégias para engordar o próprio bolso do que em proteger à sociedade da barbárie.

          A família, os amigos, os conhecidos e os cidadãos comuns que vivem em meio à violência clamam por justiça, espero que os vilões sejam encontrados e punidos. No entanto, isto não basta! É urgente uma ação de basta à violência! Acredito que a luta contra o crack seja um bom começo, pois sabemos que viciados em crack são capazes de matar alguém por cinco reais.

          Violência, até quando viverás entre nós? Quantas outras meninas como Franciele morrem todos os dias da mesma forma no Brasil, mortas por sujeitos que são fruto de sociedade desigual, que não investe em educação, que cria monstros e os engorda a cada dia?

          Quem conheceu a Franciele viverá a dor da saudade, normal quando um membro querido parte, mas muito mais do que isto viverá um sentimento de incompreensão diante da violência sofrida pela jovem. Nada explica, nada conforta, nada tenho a dizer à família. Meus pêsames e meus sentimentos são vagos e não dão conta de manifestar minha dor e solidariedade, por isto escrevo este texto como um recado às autoridades para que se preocupem com a violência urbana que cada dia é mais assustadora.

          Espero que a morte da Franciele seja um marco para uma campanha de fim à violência urbana!! Como foi com a Campanha do Crack, após a morte do Tobias Lee Manfred Hahn que tinha 24 anos como Franciele. Lamentável que jovens tenham que partir para dar início a campanhas de combate à violência!

 

criado por joselmanoal    14:29 — Arquivado em: Crônica

3/8/09

Crianças-bomba e a barbárie religiosa

 

            Como professora de língua estrangeira, uma das ideias que mais defendo e repito aos alunos, é a de que para aprender um novo idioma, devemos estar livres de preconceito, a fim de respeitar à cultura do outro. Noto que alguns, ou melhor, a maioria dos alunos, em viagem de intercâmbio, por exemplo, não quer sequer provar uma comida diferente àquela a qual está acostumado. Então meu discurso se torna cada vez mais frequente e incisivo.

            Exercito o respeito à cultura alheia, não se trata apenas de discurso, mas confesso que me parece muito difícil, quando se tratam de atos de barbarismo e crueldade: crianças suicidas ou mulheres castigadas por vestirem calças. O choque cultural é violento!

            Na Zero Hora de quarta-feira, 29 de julho, duas notícias me deixaram atordoada: a jornalista Ludna Ahmed al-Hussein sentenciada a receber chibatadas por ter vestido calças, traje considerado indecente em seu país, Sudão; meninos com idade entre 9 e 18 anos foram resgatados pelas forças de segurança do Paquistão, crianças retiradas de suas famílias e forçadas a assistir vídeos sobre a opressão aos muçulmanos, eram doutrinadas e aceitavam como um ato heróico à condição de suicídio, à aceitação de transformar-se em meninos-bomba.

            O gesto de mostrar as pernas é considerado obsceno em algumas partes do mundo. Até concordo que não se precisa exagerar na mostra do corpo como no carnaval brasileiro, mas nem tanto o céu, nem tanto a terra – diz o sábio ditado popular.

            Claro a situação com as crianças é muito mais grave e trágica! A jornalista levará as chibatadas e sobreviverá. Não esquecerá a violência sofrida, porém viverá! Talvez até as chibatadas contribuam para a sua carreira…

             E os inúmeros meninos que desistem da vida, que se acham heróis explodindo bombas em seus corpos? O adulto que faz tal lavagem cerebral pode ser considerado um sujeito de uma maldade sem tamanho. Ou será alguém de fé ilimitada, de ingenuidade absoluta, de crença tão forte capaz, inclusive, de cegá-lo?

            Difícil viver em harmonia, saber dosar a fé, a crença. Sempre pensei que o problema do mundo fosse a falta de fé. Hoje penso que o problema do mundo, talvez, seja o excesso de fé! A fé ilimitada, a fé sem medidas, sem reflexão que pode levar crianças ao suicídio.

criado por joselmanoal    11:29 — Arquivado em: Crônica
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://joselmanoal.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.