Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

23/7/09

Vale Cultura: uma nova cesta básica

          A notícia divulgada na Zero Hora de quarta-feira, 22/07/09, denominada Cultura a R$ 50 por mês trata de um assunto relevante. A cultura, até então, era considerada como um artigo supérfluo em nosso país.

          Ao solicitar a compra de um livro em sala de aula, percebo que os alunos bem vestidos e calçados se queixam do valor das obras, mas não se importam em pagar caro por roupas e por sapatos. São os valores da nossa sociedade, em que estar bem vestido e calçado é mais importante do que ser um leitor, um sujeito crítico e criativo. O valor da aparência sobre o intelecto caracteriza a nossa sociedade.

            Esta iniciativa do governo de propor uma cota para o gasto com cultura me parece uma boa ideia. O Vale Cultura surge como uma alternativa para motivar o povo a participar de eventos artísticos. Cinquenta reais por mês já é alguma coisa!

            Frequentar teatro, cinema, espetáculos musicais podem fazer parte da rotina dos brasileiros, independente do salário do trabalhador. Com certeza esta inserção cultural trará uma melhoria na qualidade de vida do indivíduo, afinal o lazer não se resume à televisão.

            A arte deveria ser para todos! A Terreira da Tribo de Atuadores Ói nóis aqui traveiz e outros tantos grupos de teatro de rua acreditam nesta proposta e levam seus espetáculos às praças das diferentes cidades brasileiras. No entanto é significativo que, além do teatro de rua, o cidadão possa entrar em uma sala de teatro ou de cinema. O uso do Vale contribuirá para a auto-estima, já que o sujeito fará parte de um contexto antes desconhecido.

            Popularizar a arte é um dos caminhos para gerar um povo menos alienado. O outro, primordial, é o da educação de qualidade, porém este é assunto para outro texto… Tratemos tão-somente da Cultura e de sua acessibilidade.  Além do esporte, outro recurso, utilizado para salvar crianças e adolescentes, que vivem em situação precária em nosso país, do caminho das drogas e da prostituição é por meio da arte: cursos de teatro, de balé, de música, etc. Várias instituições e ONGS acreditam na inserção artística e tem investindo em trabalhos dirigidos à população carente. A própria Terreira da Tribo realiza oficinas de teatro gratuitas. A arte é capaz de salvar, pode ser uma saída para atenuar o elevado número de usuários de drogas. O envolvimento artístico atua como catarse, no palco o menino favelado esquece a miséria por alguns minutos, afinal ali se desvela diante dele um outro mundo.

            Tomara que o Vale Cultura seja aceito em vários espaços culturais e que as pessoas percebam a sua importância. Sei que arte não é feijão com arroz, não alimenta o corpo, para isto já existe o projeto Fome Zero. Mas quem disse que a alma também não precisa de uma cesta básica?

 

 

criado por joselmanoal    17:12 — Arquivado em: Crônica

15/7/09

Sobre os reis

 

 

          As notícias referentes à morte e ao funeral de Michael Jackson já ultrapassaram o limite da paciência. Este exagero sobre o rei do pop (que era talentoso, sem dúvida, mas também infeliz, insatisfeito com a própria aparência, querendo ser outro, que talvez nem ele mesmo soubesse bem ao certo quem) me tira do sério!

          Falemos, portanto, de outro rei, popular, romântico e brasileiro: Roberto Carlos! Um sujeito sorridente e de bem com a vida. Deve ter passado por algumas intervenções cirúrgicas, pequenos reparos na imagem, talvez um ou outro botox, mas permanece o mesmo menino de sempre, muito diferente da triste figura andrógina de Michael.

            Todos conhecem as canções do brasileiro, músicas que ultrapassam os tempos e apaixonam diferentes gerações. Mudam as vozes, os ritmos, no entanto a letra de entusiasmo e amor fica. Muitos jovens atribuem autoria de É preciso saber viver ao Titãs! Skank com É proibido fumar, Jota Quest com Além do horizonte, além do Titãs e tantas outras bandas, comprovam que os jovens roqueiros também buscam referência em Roberto.

            É brega? Eu não sei. O que posso afirmar, sim, é que fala de sentimentos com verdade e beleza, o que encanta a todos os públicos. Em tempos de valorização da magreza, cantou para as gordinhas; deu voz ao caminhoneiro; admirou a gravidez; falou de fé, de amizade e de sexo. Retrata a vida: amor, fossa, esperança e paixão.

            Roberto Carlos soube e sabe homenagear: o amigo Erasmo, Jesus Cristo, Caetano Veloso… Passou por vários ritmos, embora o lado romântico tenha sido o mais evidente e de maior projeção. Jovem Guarda, Black Music, pop. Cinquenta anos de trabalho que merecem aplausos. Chega de ovacionar tão-somente a ídolos estrangeiros; nós também temos um rei!

           O complexo de inferioridade predomina entre os brasileiros. Sofremos de baixa estima. Crescemos ouvindo que nosso país não tem jeito, afinal uma nação que nasceu com a marginalidade, não poderá se livrar deste estigma de povo vulgar.

          Importante lembrar: a corrupção, que tanto nos envergonha, não é exclusividade de nosso país, também ocorre no Primeiro Mundo! Os nossos talentos não são menores que o de outros países ditos desenvolvidos. No Brasil, no mercado literário, a maioria prefere best-seller à literatura nacional. Em nossas salas de cinema, aos poucos, está mudando: os brasileiros têm assistido mais a filmes nacionais se comparado a outras décadas, embora muitos continuem a preferir enlatados e bestialidades hollywoodianas. Nas viagens, a escolha dos brasileiros pelo roteiro internacional é maior do que pelo nosso país imenso e de grandiosa beleza. Questão de status ou atitude tupiniquim?

          Enquanto nós, os brasileiros, continuarmos com esta postura de admiração somente a vida dos outros, nunca iremos perceber a beleza de nosso país e de seus talentos! Sem dúvida é preciso saber viver.

criado por joselmanoal    14:25 — Arquivado em: Crônica

8/7/09

Uma figura andrógina querendo invadir a Terra do Nunca

A Fada Sininho, que só conhecia crianças, não convidou o ser esquisito para voar ao paraíso infantil. A criatura ficou gritando que era o Rei do Pop e, inconformada, seguirá a vagar por aí, em busca de um novo palco.

 

criado por joselmanoal    21:59 — Arquivado em: Conto minimalista
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