Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

18/5/09

Erico, Quintana e o Rio Grande do Sul

 

 

           O Caderno de Cultura da Zero Hora de sábado (16/05/09), abordou com propriedade o tema. O texto de Luís Augusto Fischer é tão coerente e preciso, que até pensei em desistir de escrever este artigo, mas ponderei: sempre é bom enfatizar quando se trata de assuntos nobres como este. Portanto, seguem algumas razões pelas quais o acervo de Erico Verissimo e também o de Mario Quintana deveriam permanecer aqui, no Rio Grande do Sul.

            O Erico Veríssimo talvez seja nosso escritor mais representativo, narrou nossas histórias, nossas guerras, nossas lutas e deveria ficar entre nós. Não quero parecer bairrista e tenho ciência de que a decisão do destino do acervo cabe à família.

         A retirada do acervo de Erico da PUCRS, após a demissão das professoras responsáveis pela organização dos originais, cartas e demais documentos do escritor, foi uma atitude de solidariedade às idealizadoras do projeto, no entanto o material teria sido bem cuidado por outros profissionais da área literária que ali permaneciam!

            Me inquieta saber que talvez tais relíquias literárias, históricas, possam adquirir um novo lar no Rio de Janeiro. Atuei como bolsista de iniciação científica, em idos tempos, no Acervo do Reynaldo Moura e, para tanto, conheci de perto o acervo do Erico Veríssimo. Assisti, presenciei e contribui para o desenvolvimento do acervo de Erico, por isto tanto me incomoda seu possível translado.

           O Rio Grande do Sul já foi uma potência nacional, hoje, cada vez nos envergonha mais. Além de revelações de corrupção, cada dia atingindo um número maior de lideranças do estado, há dificuldades em todas as instâncias: educação, saúde, segurança, etc. E no âmbito da Cultura não é diferente! Que valor se dá ao patrimônio cultural em nosso estado? Esta atitude de enviar dois acervos, pois o de Mario Quintana também está em tratativas com o Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro, revela descaso. Agora a Secretaria Estadual da Cultura, depois que o circo pegou fogo, talvez disponibilize o MARGS ou Biblioteca Pública como espaços para os acervos.

          E Mario Quintana? Não considero justo com nosso poeta, que tem até Casa de Cultura com o seu nome em Porto Alegre, tenha seus documentos transferidos para o Rio de Janeiro.

           Permaneço na defesa de que o melhor local para estabelecimento dos acervos seja o da universidade! Afinal nas universidades se realizam as maiores pesquisas, é lá que estão os especialistas na área literária que poderão dar visibilidade aos referidos autores.

          Tomara que o Rio Grande do Sul aprenda a lutar pelo seu patrimônio cultural!

         Tempos distantes os da Revolução Farroupilha em que se lutava por algo neste estado…

criado por joselmanoal    16:45 — Arquivado em: Crônica

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