Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

27/5/09

Doar é legal!

 

 

            A matéria na Zero Hora de 26/05/2009, p. 31 é tão relevante que cabe à escrita deste texto, a fim de sensibilizar mais pessoas para a doação de órgãos e tecidos.

          No Rio Grande há quase 3.000 pessoas à espera de transplantes, segundo dados atuais da Central de Transplantes do RS. A campanha Doar é legal, do Foro Central e da seccional gaúcha da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RS), em parceria com a Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO) e Hemocentro de fornecer um diploma a pretensos doadores pode provocar uma discussão sobre um assunto de suma importância.

          Segundo pesquisa encomendada pela ADOTE (Aliança Brasileira pela Doação de Órgãos e Tecidos) ao Instituto DataFolha, 64% dos brasileiros doariam seus órgãos para serem transplantados após a morte. No entanto, somente 39% conversaram com suas famílias sobre a perspectiva de doar.

          Daí o valor, não apenas simbólico do diploma da campanha Doar é legal, mas também como um modo de afirmar sua posição à família. Já que entre as causas da não doação está o argumento de que o familiar não havia manifestado tal desejo em vida. Portanto, todos os que se dizem doadores: adquiram o diploma ou comuniquem sua decisão aos seus familiares!

          Outro motivo para a não doação está associado a um desentendimento quanto à morte cerebral. Por favor, não se trata de nenhuma forma de eutanásia!

Além disto, há a alegação de motivos religiosos. Aí mesmo é que eu não consigo entender!!! As pessoas de fé, de bem, deveriam ser as mais humanas e preocupadas com o próximo, portanto… Pensem em quantas vidas poderão ser salvas, quantas pessoas aguardam em uma fila de espera interminável por um transplante!

            A doação é um gesto de solidariedade e caberá a um familiar, responsável e humano, oportunizar a alguém uma nova chance de vida. Por favor: ouçam a opinião de seus familiares sobre doação e respeitem o seu desejo.

          Quem assistiu ao filme espanhol Todo sobre mi madre de Pedro Almodóvar, 1999, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, certamente já refletiu sobre o tema da doação de órgãos. 

          A sociedade contemporânea consumista e voltada para o próprio umbigo precisa estar sempre sendo lembrada de que existem pessoas que precisam de ajuda, além do seu mundinho. A lição de solidariedade deve ser repetida. Acredito que talvez a repetição conduza à aprendizagem! Sobre doação de órgãos e tecidos ainda falta informar, conscientizar. Afinal, ensinar sujeitos egoístas a se tornarem solidários não é nada fácil…

          Para os doadores que desejem adquirir seu diploma: o cadastramento simbólico pode ser feito até sexta-feira, 29/05, das 8h30min às 18h30min no saguão do Foro Central de Porto Alegre (Rua Márcio Veras Vidor, 10, bairro Praia de Belas), basta apresentar um documento de identidade.

          Lembrem e espalhem esta ideia: Doar é legal!

criado por joselmanoal    18:06 — Arquivado em: Crônica

18/5/09

Erico, Quintana e o Rio Grande do Sul

 

 

           O Caderno de Cultura da Zero Hora de sábado (16/05/09), abordou com propriedade o tema. O texto de Luís Augusto Fischer é tão coerente e preciso, que até pensei em desistir de escrever este artigo, mas ponderei: sempre é bom enfatizar quando se trata de assuntos nobres como este. Portanto, seguem algumas razões pelas quais o acervo de Erico Verissimo e também o de Mario Quintana deveriam permanecer aqui, no Rio Grande do Sul.

            O Erico Veríssimo talvez seja nosso escritor mais representativo, narrou nossas histórias, nossas guerras, nossas lutas e deveria ficar entre nós. Não quero parecer bairrista e tenho ciência de que a decisão do destino do acervo cabe à família.

         A retirada do acervo de Erico da PUCRS, após a demissão das professoras responsáveis pela organização dos originais, cartas e demais documentos do escritor, foi uma atitude de solidariedade às idealizadoras do projeto, no entanto o material teria sido bem cuidado por outros profissionais da área literária que ali permaneciam!

            Me inquieta saber que talvez tais relíquias literárias, históricas, possam adquirir um novo lar no Rio de Janeiro. Atuei como bolsista de iniciação científica, em idos tempos, no Acervo do Reynaldo Moura e, para tanto, conheci de perto o acervo do Erico Veríssimo. Assisti, presenciei e contribui para o desenvolvimento do acervo de Erico, por isto tanto me incomoda seu possível translado.

           O Rio Grande do Sul já foi uma potência nacional, hoje, cada vez nos envergonha mais. Além de revelações de corrupção, cada dia atingindo um número maior de lideranças do estado, há dificuldades em todas as instâncias: educação, saúde, segurança, etc. E no âmbito da Cultura não é diferente! Que valor se dá ao patrimônio cultural em nosso estado? Esta atitude de enviar dois acervos, pois o de Mario Quintana também está em tratativas com o Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro, revela descaso. Agora a Secretaria Estadual da Cultura, depois que o circo pegou fogo, talvez disponibilize o MARGS ou Biblioteca Pública como espaços para os acervos.

          E Mario Quintana? Não considero justo com nosso poeta, que tem até Casa de Cultura com o seu nome em Porto Alegre, tenha seus documentos transferidos para o Rio de Janeiro.

           Permaneço na defesa de que o melhor local para estabelecimento dos acervos seja o da universidade! Afinal nas universidades se realizam as maiores pesquisas, é lá que estão os especialistas na área literária que poderão dar visibilidade aos referidos autores.

          Tomara que o Rio Grande do Sul aprenda a lutar pelo seu patrimônio cultural!

         Tempos distantes os da Revolução Farroupilha em que se lutava por algo neste estado…

criado por joselmanoal    16:45 — Arquivado em: Crônica

13/5/09

Ritalina

      

           Li uma reportagem que me deixou estupefata: brasileiros, que para aumentar o ritmo e a qualidade de seu trabalho, fazem uso de medicação forte (tarja preta) como Ritalina, ou outras similares, indicada para pessoas com déficit de atenção.

            No mês de maio, que inicia homenageando os trabalhadores, cabe uma reflexão sobre as condições de trabalho do povo brasileiro. A exigência, a cobrança, a competitividade, o medo do desemprego, conduz as pessoas a esta loucura de automedicação para dar conta das tarefas diárias. Causa também espanto o fato deste remédio, que está sendo utilizado indevidamente, só poder ser vendido sob prescrição médica! As estratégias utilizadas para adquirir o remédio são as mais diversas: compra pela internet, pedido de prescrição a amigos médicos, a mentirinha na farmácia de haver esquecido a receita médica em casa, compra de cartelas por pessoas com déficit de atenção, etc. Há até quem pesquise sobre os sintomas de déficit de atenção e consulte um psiquiatra alegando sentir os sintomas pesquisados, vale de tudo para conseguir fazer uso da Ritalina!

            A carga horária de trabalho de 40 horas semanais é a de uma parcela da população de nosso país, muitos cumprem três turnos de atividade laboral somando, muitas vezes, 60 horas semanais. Sem contar jovens e adultos trabalhadores que estudam no horário noturno! Se considerarmos estudante como profissão, como o fazem os países desenvolvidos, este índice de carga horária de 60 horas semanais aumenta significativamente.  E muitos ainda insistem em chamar o povo brasileiro (desculpem o adjetivo) de vagabundo! O mais triste é que esta mesma população que paga inúmeros impostos, pedágios e taxas governamentais abusivas, mantêm no poder líderes que roubam descaradamente. O que falta ao povo brasileiro é, sim, aprender a votar e a protestar, mas isto já é assunto para outro texto…

             A pressão, a que são submetidos os trabalhadores brasileiros, leva a problemas de saúde ou ao uso de artifícios para driblar o cansaço, como medicamentos inadequados. Importante alertar que as drogas não estão sendo consumidas somente por adultos, há muitos adolescentes tomando Ritalina e que não apresentam déficit de atenção. A ideia que se propaga é de que os usuários da referida droga ficariam mais inteligentes, quando na verdade, o que ocorre com a utilização da droga é um melhor aproveitamento nas tarefas diárias, o ganho se dá no campo da concentração, velocidade e disposição.  Um dado alarmante é o número de integrantes em comunidades no Orkut cerca de 20 dedicadas à Ritalina somando um total de 5 mil participantes aproximadamente.

            Em um mundo que conhece a inteligência emocional, as pessoas não deveriam preocupar-se de modo tão exagerado, obsessivo com aumentar o saber cognitivo tão-somente, o saber relacionar-se com o outro, trabalhar em equipe, conhecer suas próprias habilidades, ter ética e dignidade é que deveriam ser exercícios diários. O consumo de drogas, tarja preta, não deveria ser concebido como forma de salvação pessoal, como garantia de excelência em seu desempenho profissional. Investir em si mesmo e em suas potencialidades continua sendo o melhor caminho.

 

 

criado por joselmanoal    16:27 — Arquivado em: Crônica
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