Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

18/3/09

Calar ou abrir um bocão?

 

     Clodovil sempre foi um sujeito polêmico. Escrevo, não por admiração profunda ou por imenso pesar por sua morte, lamento sua partida, mas sem comoção exacerbada. Escrevo, sim, porque levanto bandeira para gestos solidários!

     O estilista, apresentador, deputado, já havia manifestado o desejo de doação de órgãos, o que infelizmente não poderá ser feito, pois após a morte cerebral, sofreu uma parada cardíaca.  Mas seu gesto não termina por aí, a advogada responsável pelo testamento afirmou a decisão de Clodovil Hernandes pela doação de bens a instituições de caridade e o desejo de transformar um imóvel em Ubatuba (SP) em uma instituição para meninas órfãs.                                                                                             

     Talvez esta vontade de ajudar meninas órfãs provenha do fato de ele haver sido filho adotivo. Este olhar solidário, que nem todos possuem, pode ter uma explicação na história de vida de cada um. A maneira que o estilista encontrou de agradecer a quem lhe aceitou por filho é, justamente, tentando acolher muitas crianças a espera de pais, situação vivida por ele também um dia.

     Gosto de quem fala o que pensa, mesmo que cometa excessos e isto Clodovil sabia fazer bem. Nem sempre é bom falar muito, acredito que o tenha prejudicado na relação com as emissoras e na própria vida pessoal. No Congresso também teve seus momentos de ira descontrolada, porém não levava desaforo pra casa, o que considero uma qualidade.  Não era um tolo qualquer, saiu (ou foi saído?) do partido pelo qual se elegeu porque votava de acordo com as suas ideias e não como o partido estipulava.

     Há ações trabalhistas de Clodovil contra determinadas emissoras de televisão. Era o tipo de pessoa que não se cala diante de injustiça ou do que julga incorreto. Ia atrás de seus direitos. Atitude, aliás, que todos nós deveríamos tomar e muitas vezes não o fazemos para evitar incômodos. Preferimos não lutar porque dá trabalho, mais simples é calar. E nós nos calamos!

     Clodovil era uma pessoa irreverente, rebelde por excelência, o que o torna digno, sim, de admiração. Num mundo repleto de Maria-vai-com-as-outras, alguém que pisa aonde quer, faz a diferença. E este pisou no Congresso com maior votação do país, homossexual assumido, venceu preconceitos com seu estilo ambíguo: ora elegante, ora descortês. Só agora que finalizo o texto me dou conta que eu o admirava bastante

criado por joselmanoal    15:21 — Arquivado em: Crônica

1 Comentário »

  1. Comentário por INDIANE — 19 19UTC março 19UTC 2009 @ 22:25

    É isso mesmo. A sociedade está “no ócio” e isso nos assusta, é preciso se fazer ouvir…parabéns

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