Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

2/3/09

Neguinho da Beija-flor, Benjamin Button, Penélope Cruz e George Bush

 

      Pouco sei sobre o Carnaval 2009:

     1. O que me impressionou mesmo foi o Neguinho da Beija-Flor: desfilou, cantou e até casou na Marquês do Sapucaí na noite de domingo! Há um ano descobriu o câncer no intestino e não se deixou abater, já fez cirurgia e será submetido a sessões quimioterápicas até maio. Avaliado sobre suas condições físicas, foi autorizado pela equipe médica a participar do desfile, ao lado do médico João de Aguiar Pupo Neto. Não só desfilou, como puxou o samba, entusiasmado e sorridente. Ao final do desfile, o médico parecia tão emocionado quanto o paciente. O casamento fechou, com chave de ouro, a noite do sambista. O Carnaval para o Neguinho da Beija-flor deve significar a própria vida e estar no Sambódromo o rejuvenesce. Aliás falando em rejuvenescer…

     2. Assisti ao O Curioso Caso de Benjamin Button, filme baseado no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, durante estes dias de Carnaval. Trata-se da história de um homem que nasce velho e rejuvenesce ao longo da vida. Retrata o entusiasmo em viver. Conclama o constante recomeço e o respeito às diferenças. Enfim fala da vida, com propriedade e com beleza. Brilhante e criativa história transmitida com mérito pelo diretor David Fincher.

      3. Vibrei com a entrega do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Penélope Cruz. Me emocionei ao ouvir a atriz, em língua espanhola, dedicar o prêmio a todos as atores de seu país. Assim como me alegrou em outros anos ver: Pedro Almodóvar, ao receber o prêmio como melhor diretor e como melhor filme; Javier Barden, como melhor ator coadjuvante; Jorge Drexler com a melhor canção Al otro lado del río. Não sou de origem hispânica, mas minha paixão pelo mundo hispanohablante pulsa energicamente. Não deve ser fácil entrar no mercado hollywoodiano, estrangeiros então devem ter um acesso ainda mais restrito. Portanto, parabéns à espanhola Penélope Cruz, mais um talento, descoberto por Almodóvar, a ser reconhecido no mercado norte-americano.

        4. Fiquei atônita diante do documentário Fahrenheit – 11 de setembro de Michael Moore, 2004, mais uma das minhas diversões nada carnavalescas. O filme pode ser considerado como uma cacetada inteligente e bem focada no governo Bush. Desvela a podridão, retira as cortinas do atentado de 11 de setembro de 2001 e revela a sujeira dos bastidores da guerra do Iraque. Sugiro para aqueles que desejam enxergar além do retratado pela imprensa instituída.

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      A propósito: Por que o único cinema de Erechim fechou em plena segunda-feira de Carnaval? Lamentável!

criado por joselmanoal    13:54 — Arquivado em: Crônica

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