27/3/09
Doce sabor a derreter no asfalto
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           Lembrou-se da casquinha, que deixara cair, após a primeira lambida.  A triste imagem da infância parece repetir-se agora ao ver a mulher, um dia sua, esmagada no meio da rua. Â
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           Lembrou-se da casquinha, que deixara cair, após a primeira lambida.  A triste imagem da infância parece repetir-se agora ao ver a mulher, um dia sua, esmagada no meio da rua. Â
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           Desde que ouvi a notÃcia, o assunto me perturba, então é hora de falar a respeito: a história da professora em Caxias do Sul e da fita adesiva na boca do aluno de cinco anos me parece mal contada.
           Houve um tempo em que a voz do professor era respeitada e que os pais não questionavam tal autoridade, além disto nesta época também a escola defendia o seu corpo docente. Não tenho saudades de palmatória, nem de joelhos no milho, mas sem dúvida o mundo era outro. Não havia alunos disléxicos, nem hiperativos. Ninguém tinha bulimia, anorexia… Agora professor tem que motivar, tem que ser amigo do aluno. A função do professor é ensinar, se quiser ser amigo do aluno também, ótimo! E motivação, o sujeito deve carregar consigo, se quer ser alguém na vida. Aos pais cabe a tarefa de educar, a escola só enfatiza as lições aprendidas em casa sobre respeito, bons modos, etc.
           Hoje a escola deve engolir de tudo, socos, pontapés e palavrões, a violência ocorre todos os dias dentro do espaço escolar. Esta semana, em Porto Alegre, na Escola Estadual Bahia, uma aluna agrediu a professora, ocasionando-lhe um traumatismo craniano. A notÃcia não provocou tanta comoção quanto a do menininho com a fita nos lábios.
               Voltando ao fato ocorrido em Caxias do Sul, o advogado de defesa da professora afirma que a tal fita adesiva foi colocada pela própria criança, em um momento em que a professora não estava em sala e esta apenas a teria retirado, o que pode ter machucado, por mais cuidado que esta tenha tido. Por que se acredita mais em uma criança de cinco anos, que pode muito bem ter fantasiado ou até mesmo mentido, do que em uma professora?
           Em que momento os educadores perderam a autoridade, a credibilidade e o respeito? Quando eu era criança jamais meus pais permitiriam que eu dissesse qualquer ai contra os meus professores, no que eles estavam cobertos de razão. Se um professor me colocasse uma fita adesiva, por estar conversando e atrapalhando o andamento da aula (o que, sinceramente, não acredito que tenha ocorrido em Caxias do Sul) provavelmente não haveria qualquer queixa contra a escola e o professor, eu levaria, isto sim, um castigo ou uma boa chinelada para aprender a me comportar direito na escola. Palmas para os pais de minha geração!
           E qual a posição da direção da escola em Caxias do Sul sobre o fato? A escola se exime de qualquer culpa! A única que deve ser punida é a professora que não poderá atuar nas escolas municipais da cidade, além de ter de passar por todo esta escândalo e humilhação. Que barbaridade!
           Me pergunto que tipo de punição sofrem os alunos que agridem seus professores todos os dias. E não me refiro somente à violência fÃsica. Cuidado, pois esta realidade brutal não atinge só a rede pública; na rede privada, também, os alunos de alto poder aquisitivo e, em sua maioria, sem nenhum pingo de educação (reitero: educação é tarefa dos pais) também desacatam seus professores ao gritarem que pagam seus salários. Aluno cliente é intolerável!
           Questiono, preocupada, para onde caminha a humanidade com a educação a cada dia mais sem rumo…
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Publicado em Palavra de Professor no Jornal Extra Classe - jornal do SINPRO/RS, ano 14, número 133, maio de 2009, p. 3
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    Clodovil sempre foi um sujeito polêmico. Escrevo, não por admiração profunda ou por imenso pesar por sua morte, lamento sua partida, mas sem comoção exacerbada. Escrevo, sim, porque levanto bandeira para gestos solidários!
    O estilista, apresentador, deputado, já havia manifestado o desejo de doação de órgãos, o que infelizmente não poderá ser feito, pois após a morte cerebral, sofreu uma parada cardÃaca.  Mas seu gesto não termina por aÃ, a advogada responsável pelo testamento afirmou a decisão de Clodovil Hernandes pela doação de bens a instituições de caridade e o desejo de transformar um imóvel em Ubatuba (SP) em uma instituição para meninas órfãs.                                                                                           Â
    Talvez esta vontade de ajudar meninas órfãs provenha do fato de ele haver sido filho adotivo. Este olhar solidário, que nem todos possuem, pode ter uma explicação na história de vida de cada um. A maneira que o estilista encontrou de agradecer a quem lhe aceitou por filho é, justamente, tentando acolher muitas crianças a espera de pais, situação vivida por ele também um dia.
    Gosto de quem fala o que pensa, mesmo que cometa excessos e isto Clodovil sabia fazer bem. Nem sempre é bom falar muito, acredito que o tenha prejudicado na relação com as emissoras e na própria vida pessoal. No Congresso também teve seus momentos de ira descontrolada, porém não levava desaforo pra casa, o que considero uma qualidade. Não era um tolo qualquer, saiu (ou foi saÃdo?) do partido pelo qual se elegeu porque votava de acordo com as suas ideias e não como o partido estipulava.
    Há ações trabalhistas de Clodovil contra determinadas emissoras de televisão. Era o tipo de pessoa que não se cala diante de injustiça ou do que julga incorreto. Ia atrás de seus direitos. Atitude, aliás, que todos nós deverÃamos tomar e muitas vezes não o fazemos para evitar incômodos. Preferimos não lutar porque dá trabalho, mais simples é calar. E nós nos calamos!
    Clodovil era uma pessoa irreverente, rebelde por excelência, o que o torna digno, sim, de admiração. Num mundo repleto de Maria-vai-com-as-outras, alguém que pisa aonde quer, faz a diferença. E este pisou no Congresso com maior votação do paÃs, homossexual assumido, venceu preconceitos com seu estilo ambÃguo: ora elegante, ora descortês. Só agora que finalizo o texto me dou conta que eu o admirava bastante
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           Jesus Cristo sempre pregou o amor e a justiça, veio ao mundo para deixar a sua mensagem e o seu exemplo. As leis, portanto, não são criações divinas e o Deus em que acredito não pune, nem castiga, muito menos excomunga.
           Tenho uma filha de oito anos, me coloco no lugar da mãe da menina pernambucana, estuprada aos nove e grávida de gêmeos. Não agiria de modo diferente, eu também, neste caso, permitiria o aborto. Os médicos agiram de modo sensato e humano, diferente da posição da igreja que se revela incoerente e hipócrita ao ditar excomunhão a estas pessoas. Depois se discute o fenômeno de igrejas vazias! Uma igreja punitiva, que não tem compaixão por uma criança, deverá permanecer cada vez mais vazia.
           Como católica, me preocupa a posição dos homens que comandam a igreja, os representantes da fé na Terra. Se devemos acreditar na vida e louvá-la, é óbvio que o aborto é uma questão polêmica, mas não quando se trata de uma criança que poderá morrer na gestação ou no parto, que não poderá ser uma verdadeira mãe neste momento (afinal ainda deve brincar de boneca) e, talvez, jamais possa engravidar novamente quando escolher ser mãe. Por que punir uma menina? O homem que a violentou, a este a igreja não excomunga, somente aos responsáveis pelo aborto. Como pode um absurdo destes?
           Ainda bem que hoje os excomungados já não são mais perseguidos, questionam a posição da igreja, sabem que fizeram o certo, vivem as suas vidas despreocupadamente e com a consciência leve. A igreja já não perturba tanto, há discernimento e segurança dos profissionais da área da saúde que ajudaram a menina, atuaram de modo solidário e humano. Sabem que não vão arder no fogo do inferno!
           Os métodos anticonceptivos permanecem sendo punidos pela igreja. O uso de preservativos é considerado pecado, portanto, as pessoas devem ter inúmeros filhos, mesmo sem ter condições de educá-los de modo digno. A sociedade se modifica e a igreja permanece a mesma: a condenar métodos anticoncepcionais, a considerar homossexualismo uma doença, a proibir o aborto em circunstâncias que podem levar à mãe e/ou o próprio bebê à morte, a excomungar quem protege a vida de uma menina.
           Por onde andará o bom senso? Se o encontrarem caminhando por aà perdido, lhe ensinem, por favor, o caminho da igreja!
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           Um bom tema para falar e escrever é sobre a mulher! Devido à complexidade do gênero, não se corre o risco do lugar comum, pois já que somos incompreendidas mesmo, ninguém tem obrigação de nos decifrar!
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O que é certo, seguro e verdadeiro, todos reconhecem: é que somos fortes. Dizem que a mulher / É o sexo frágil/ Mas que mentira/ Absurda!/ Eu que faço parte/ Da rotina de uma delas/ Sei que a força/ Está com elas…
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E todos sabem que a fé nos acompanha: Possui a estranha mania/ de ter fé na vida…
Bem, na verdade somos muito simples… Pena que, nem sempre, os meninos saibam disto. Basta uma generosa dose de amor e mimo e ficamos bem faceiras. Se a gente puder curtir, de vez em quando: espumante, Martini com cereja, trufas de morango, capuccino com chantilly, sorvete de creme com calda de chocolate, também é bacana. Sexo de qualidade sempre! Não precisa ser todo dia, umas duas, três vezes por semana já tá legal. Se acaso me quiseres/ Sou dessas mulheres/Que só dizem sim/ Por uma coisa à toa/Uma noitada boa/Um cinema, um botequim.
Mas o que a gente gosta mesmo é de afeto. Concordo com a Martha Medeiros quando diz que o ponto G não se encontra na genitália feminina, está é no ouvido mesmo. Uma bela palavra, pronunciada na hora certa e qualquer mulher se derrete…
A gente gosta de carinho, apesar de toda nossa complexidade, nossas manias, nossas loucuras Somos muitas: Mulheres cabeça/ E desequilibradas/ Mulheres confusas/ De guerra e de paz… Independente de nosso estilo: brega, chique, punk, fashion, clássico, todas queremos afeto!
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Um generoso saco de pipocas e um filme para chorar são suficientes para nos reanimar e aquecer a nossa bateria. Que é recarregável, claro! A gente admite: um dramalhão nos pega! E comédia romântica também tem lá o seu valor…
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Mulher é bicho esquisito, todo mês sangra. Mas quando não quer sangrar, quando mete na cabeça que quer ser mãe? Bem, aÃ, pobres dos companheiros, pois serão tratados como objetos de fecundação. Eles que nos suportem! Normalmente este desejo nos chega lá pelos trinta. Bem, pode ser em outra idade… O importante é que nós vamos decidir e vamos convencer os parceiros da propriedade da hora. A iniciativa para a chegada do bebê normalmente é feminina, aos homens resta concordar. Quando chegar este momento, então vamos querer sexo todos os dias, independente do cálculo preciso dos dias férteis. E se o cálculo estiver errado? Não convém arriscar, melhor garantir! Sexo todos os dias, até a certeza da gravidez.
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A gravidez pode ser acidental, não tem problema, a gente se vira e dá conta. Você conhece algum pai solteiro? Pois é, mães há aos montes! Por que será? Porque nossas baterias são recarregáveis e encontramos força nos momentos mais complicados. Homens jamais poderiam parir, na primeira contração já estariam mortos. TPM, cólica não poderia atingir o homeredo, eles não suportariam. Já a gente vai até a festa, a reunião de trabalho, com cólica, com enxaqueca…
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Nós suportamos todas as dores! Conseguimos sorrir para o filho recém saÃdo de nossas entranhas (o que não é tarefa fácil), e o achamos lindo, maravilhoso, apesar das controvérsias de que todos nascem com cara de joelho. Nosso filho, não! Não, nosso filho já nasceu lindo e nos sorriu! Apesar dos pediatras afirmarem a impossibilidade do sorriso por parte do bebê.
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Mulher eu já provei/ Eu sei que é bom demais, agora o resto eu não sei/ Sei que eu não vou mudar/ Sei que eu não vou nem tentar/ Desculpe esse meu defeito/ Eu juro que não é bem preconceito/ Eu tenho amigo homem, eu tenho amigo gay/ Olha eu sei lá, eu sei que eu não sei,/ Eu gosto é de mulher/ Eu gosto é de mulher. (Ultraje a Rigor)
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Nós trabalhamos, conquistamos um espaço no mercado de trabalho, porém continuamos a cuidar da casa com esmero, mesmo que tenhamos auxiliares nesta tarefa. Aà de quem tirar do lugar os nossos porta-retratos, bibelôs, taças, livros e cds. A assistente tem que ter paciência conosco, mas como também se trata de um elemento do gênero feminino, saberá nos compreender.
Tem razão o Chico e a gente segue a dica: Mirem-se no exemplo/ daquelas mulheres de Atenas/ Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.
Tudo bem, nem todas são mulheres de Atenas, algumas mulheres têm vocação pra dondoca. Trata-se de uma minoria, caso de extinção! Somos mesmo formigas trabalhadoras. Temos um pouco da cigarra na sedução da voz. Nem sempre cantamos (à s vezes no banheiro), porém, todas queremos encantar! Cada uma encontra seu artifÃcio de sedução, seja na voz, no rebolado, no olhar. Os homens até podem lançar o seu charme, no entanto o papel do encantamento é feito com eficiência pelas mulheres. Nós nascemos para seduzir o mundo! E o mundo que nos aguarde, porque a gente vai longe…
FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!!!!
Salada de frutas
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           Lábios de amora, pele de pêssego, ela mordeu a maçã e descobriu as maravilhas do inferno.
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     Pouco sei sobre o Carnaval 2009:
    1. O que me impressionou mesmo foi o Neguinho da Beija-Flor: desfilou, cantou e até casou na Marquês do Sapucaà na noite de domingo! Há um ano descobriu o câncer no intestino e não se deixou abater, já fez cirurgia e será submetido a sessões quimioterápicas até maio. Avaliado sobre suas condições fÃsicas, foi autorizado pela equipe médica a participar do desfile, ao lado do médico João de Aguiar Pupo Neto. Não só desfilou, como puxou o samba, entusiasmado e sorridente. Ao final do desfile, o médico parecia tão emocionado quanto o paciente. O casamento fechou, com chave de ouro, a noite do sambista. O Carnaval para o Neguinho da Beija-flor deve significar a própria vida e estar no Sambódromo o rejuvenesce. Aliás falando em rejuvenescer…
    2. Assisti ao O Curioso Caso de Benjamin Button, filme baseado no conto homônimo de F. Scott Fitzgerald, durante estes dias de Carnaval. Trata-se da história de um homem que nasce velho e rejuvenesce ao longo da vida. Retrata o entusiasmo em viver. Conclama o constante recomeço e o respeito às diferenças. Enfim fala da vida, com propriedade e com beleza. Brilhante e criativa história transmitida com mérito pelo diretor David Fincher.
     3. Vibrei com a entrega do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante para Penélope Cruz. Me emocionei ao ouvir a atriz, em lÃngua espanhola, dedicar o prêmio a todos as atores de seu paÃs. Assim como me alegrou em outros anos ver: Pedro Almodóvar, ao receber o prêmio como melhor diretor e como melhor filme; Javier Barden, como melhor ator coadjuvante; Jorge Drexler com a melhor canção Al otro lado del rÃo. Não sou de origem hispânica, mas minha paixão pelo mundo hispanohablante pulsa energicamente. Não deve ser fácil entrar no mercado hollywoodiano, estrangeiros então devem ter um acesso ainda mais restrito. Portanto, parabéns à espanhola Penélope Cruz, mais um talento, descoberto por Almodóvar, a ser reconhecido no mercado norte-americano.
       4. Fiquei atônita diante do documentário Fahrenheit – 11 de setembro de Michael Moore, 2004, mais uma das minhas diversões nada carnavalescas. O filme pode ser considerado como uma cacetada inteligente e bem focada no governo Bush. Desvela a podridão, retira as cortinas do atentado de 11 de setembro de 2001 e revela a sujeira dos bastidores da guerra do Iraque. Sugiro para aqueles que desejam enxergar além do retratado pela imprensa instituÃda.
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     A propósito: Por que o único cinema de Erechim fechou em plena segunda-feira de Carnaval? Lamentável!