Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

21/12/08

Lembranças natalinas

 

            Aprecio o Natal! Gosto da junção da família, da revelação do Amigo Secreto, da comilança e do Papai Noel, mas detesto a loucura das lojas e dos supermercados. Não consigo conviver bem com o tumulto: filas, sacolas, multidões. Não me sinto à vontade, disputando as últimas caixinhas de morango com clientes estressados. O fim de ano deixa as pessoas muito enlouquecidas, isto não me agrada em nada!

            Quando se é criança, há uma magia, um encantamento muito especial na noite do vinte e quatro de dezembro. Não se é responsável por fazer as compras, preparar os pratos, apenas se escreve a cartinha para o Papai Noel e capricha no comportamento, ao menos, na última quinzena de dezembro. Crianças observam os pacotes, procuram seus nomes, a maior indagação da vida naquele momento é, afinal, quais serão os meus presentes? A vida é muito outra antes de conhecer os impostos: IPVA, IPTU, etc.

             Lembro de, na minha infância, ouvir o Papai Noel e me surpreender sobre seu profundo conhecimento sobre o meu caráter, as minhas manias (sempre implicava com minhas unhas roídas), conhecia os detalhes de cada travessura, das brigas com meu irmão e todas as minhas notas do boletim!  Eu ficava encantada com o Papai Noel, o velhinho era incrível e observava mesmo as crianças durante todo ao ano! Demorei bastante (ainda bem) para descobrir que se tratava de um dos meus tios ou de meu pai, disfarçados, o que justificava saber tanto a meu respeito.

            Hoje o Natal é diferente do da minha infância, o apelo comercial aumenta a cada ano, aliás já escrevi sobre isto… Nos anos setenta, as meninas pediam Susie (ainda não havia a Barbie) e os meninos carrinho. Agora, não! O carrinho e as bonecas são de grife. Devem inventar uma Barbie nova a cada quinze dias! É um absurdo. E acessórios, então? O carro, a casa, as roupas, os sapatos, os animais de estimação, os filhos, a Barbie é um fenômeno comercial. Sei que os meninos têm também a coleção dos carrinhos Hot Wheels, há também pista, lava-jato, enfim uma parafernália de equipamentos que parecem não ter fim.

            No meu tempo de criança a gente confeccionava as roupas da Susie (normalmente só tínhamos uma, não cinqüenta como nossas filhas) com restos de tecido, de lã ou de linha (assim se aprendia com entusiasmo a fazer tricô ou crochê). Os meninos brincavam com carrinho de rolimã, o que, cá entre nós, é bem mais divertido que Hot Wheels.

            Não podemos esquecer que as crianças mencionadas nos parágrafos supracitadas pertencem à classe média. Há outros meninos que vivem à espera da cesta básica mesmo! O Natal deveria ser o momento de refletir sobre a desigualdade social e realizar alguma ação beneficente.

           Vamos fazer uma bela ceia, presentear as crianças, brindar! No entanto, devemos lembrar que o mais importante é fazer um gesto de doação, que pode começar nesta data e se prolongar por todo ano.

           Se o Menino Jesus nasce, que a gente possa renascer com ele!

            Um belo Natal a todos!

criado por joselmanoal    22:31 — Arquivado em: Crônica, Sem categoria

1 Comentário »

  1. Comentário por Joao Luis Amaral — 23 23UTC dezembro 23UTC 2008 @ 9:16

    Oi, Jô!
    Faz um tempo que não escrevo (falta-me tempo, nao vontade!), mas leio sempre seus textos… parei a correria de final de ano para desejar a você e seus familiares ótimas festas e um 2009 cheio de paz, harmonia, grandes realizações e, claro, sempre muito $uce$$o!
    Grande abraço,
    Joao Luis Amaral

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