Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

10/12/08

Ensinar solidariedade em dezembro

     O último mês do ano chega rapidamente e deste modo também se despede, ou melhor, nem se despede, sai à francesa. Gosto do ritual de montar a árvore de Natal, em companhia da minha filha, repetir os mesmos gestos do alcançar ou pendurar os enfeites como fazia com minha mãe, em tempos em que as bolinhas quebravam e o cuidado, portanto, deveria ser redobrado. Aprecio a mesa da ceia bem enfeitada, tento compor cores, adornos e organizar os pratos como fazia a minha avó, nos natais que marcaram minha infância. Continuo adorando a figura do Papai Noel e apreciando os presépios. Só permaneço sem entender o consumismo abusivo.
     Quando se é criança, se imagina que basta pedir o presente, escrever a tal cartinha pro Papai Noel que ele providenciará os pedidos. Hoje, até mesmo as crianças devem ser alertadas de que o Bom Velhinho têm muitos meninos para presentear e não conseguirá atender a todos os desejos. Não há tempo, nem duendes suficientes trabalhando para dar conta de uma lista imensa de cada criança.
     Despertar a noção de solidariedade é fundamental na educação infantil. Os pais deveriam educar neste sentido. Abrir os armários, ao menos duas vezes ao ano, e verificar o que realmente precisa e faz uso, deve ser um hábito da família, inclusive dos pequenos. Incentivar os meninos a identificar os brinquedos, com os quais não brinca, e acostumar-se a doar a quem precisa. Muitas famílias estimulam o egoísmo, muitos pais materialistas educam seus filhos nesta cartilha e a sociedade se transforma num caos de desigualdade social.
     O Natal talvez seja o melhor momento para educar em um sentido cristão. E ocorre justo o contrário! O apelo do comércio se intensifica, muitas propagandas direcionadas ao público infantil, principal foco para sensibilização à compra. E os pais, cujo desejo é alegrar seus filhotes, compram compulsivamente. A alegria poderia vir, por meio de outros gestos, que não só o da compra. Não me interpretem mal, também gosto de presentear minha filha. Me refiro à compra excessiva, aquela criança que suspira por algo na vitrine e logo encontrará sobre sua cama o tal objeto. Esta geração de pais, da qual faço parte, embora tente questionar o meu papel, é permissiva em relação a tudo. A tal falta de limite ocorre também na lista de Natal.
     Nada contra presentear, mas nada de exageros. E uma boa limpeza no armário, em qualquer faixa etária, faz muito bem. Ensinar um filho a ser solidário, a ler e a escolher uma carta dirigida ao Papai Noel nos Correios para fazer-se de Bom Velhinho é muito mais importante do que ensiná-lo a escrever a própria carta ao Papai Noel.
     A fantasia de acreditar no velho barbudo é linda e não deve ser desfeita, mas nada impede que seu filho aprenda um pouco sobre solidariedade em dezembro e aplique durante todo o ano a lição aprendida. Selecionar os brinquedos para doação pode ser um bom começo!

Publicado em 11 de dezembro de 2008, Jornal Bom Dia

Publicado no Jornal Zero Hora com o título: Consumismo e Solidariedade no Natal, domingo, 21 de dezembro de 2009, p.21.  Tema para debate: www.zerohora.com Você acha que o consumismo é normal nesta época do ano ou deve ser evitado?

 

criado por joselmanoal    15:58 — Arquivado em: Crônica

2 Comentários »

  1. Comentário por Casiê Katia Tubin — 12 12UTC dezembro 12UTC 2008 @ 8:44

    Excelente texto Prof.Jô.
    A magia do Natal esteve sempre presente na minha infância.Meus pais e meus avós procuravam manter sempre viva essa magia, meu avó, era sempre o Papai Noel, e a minha alegria era tirar a roupa dele do armário(que falta sinto disso e dele mais ainda,a dois anos que não o vejo de Papai Noel).Mas, a respeito da solidariedade no Natal, sinto que tenho uma grande tarefa a cumprir, no próximo Natal, devo ensinar a Verônica que está vindo aí, a compartilhar tudo o que terá, por que acredito num mundo melhor e quero construir isso para a minha filha.
    Beijos

  2. Comentário por Guilherme Mossini Mendel — 16 16UTC dezembro 16UTC 2008 @ 13:58

    “Muitas famílias estimulam o egoísmo, muitos pais materialistas educam seus filhos nesta cartilha e a sociedade se transforma num caos de desigualdade social.”

    Muito bom, profe!
    Beijos!
    Tudebão!
    E feliz natal!!!

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