Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

25/12/08

Da possibilidade de ser feliz

            É dia 1º de janeiro de 2009 e espero que você, querido leitor, tenha levantado com o pé direito!

O pé direito é simbólico, desejo mesmo é que você tenha fé e esperança no novo ano. Seja otimista e idealize metas que possa realizar. Claro, você tem o direito de sonhar (aliás, todos temos), mas é melhor sonhar com projetos possíveis, saltar onde seu pé direito possa alcançar, do contrário a frustração pode ser pior…

          Tem uma caneta ou um lápis e um papel à mão? Vale guardanapo. Pode escrever no jornal mesmo! Anota aí o que você quer de 2009. Não precisa constar: paz mundial, preservação da natureza. Pode ser mais objetivo: não implicar com os vizinhos, separar lixo orgânico do inorgânico. Pode ser mais profundo, se quiser: ter mais paciência com a sogra, não imprimir tanta bobagem.  Pode ser mais idealista: abrir uma micro-empresa, voltar a estudar. Projetos pessoais também são importantes: encontrar mais tempo para a família, brincar com as crianças ou tentar compreender as crises existenciais de filhos adolescentes.

            O ano de 2009 inicia com a tal crise mundial, no entanto devemos abrir os olhos também para as nossas pequenas crises. Por exemplo: as famosas TPMs e enxaquecas femininas – não será a hora, meninas, de investigar as causas em lugar de só ficar se queixando? E vocês, meninos, não será este um bom momento para entender nosso mau-humor diante da enxaqueca e da TPM? Claro, vamos fazer nossa parte, procurando um especialista, tomando outro medicamento ou procurando uma terapia!

         Vocês, queridas sogras, também podem prometer um 2009 de menos intromissão na vida dos casais. Eu sou uma exceção (podem babar de inveja!), tenho uma sogra-mãe, mas sei que a maioria não tem uma relação saudável com as mães de seus cônjuges, portanto, tratem de estabelecer algumas regras de boa convivência para viver um ano mais pacífico! Afinal, não queremos a paz mundial?

          Filhos adolescentes tenham um bom começo de ano: não roubem os carros de seus pais para fazer pega na avenida! Pais: emprestem o carro aos meninos e meninas (habilitados obviamente), porém com regras muito claras e rígidas!  Uma boa conversa pode resolver estes acertos, encontrar tempo para conversar em família é fundamental para um convívio de harmonia.

         Nas relações profissionais ter paciência, trabalhar com responsabilidade e paixão é importante para que 2009 seja um ano bacana. Se não há paixão no que se faz, e se precisa trabalhar, então aumentar a paciência é a melhor medida, enquanto se reflete sobre o que poderia apaixoná-lo, em termos de futuro profissional.

          Espero que vocês tenham um ótimo ano! Não se esqueçam de anotar seus sonhos possíveis e guardar o papel em algum local que possam encontrar no final de 2009. Tomara que, ao reler este papel no fim do ano, possam ter realizado seus pequenos projetos. Entre meus desejos para 2009: preservar meus leitores e conquistar novos. Muito obrigada por prestigiar este espaço.

          Feliz 2009!

 

Publicado em 1º de janeiro de 2009, Jornal Bom Dia

criado por joselmanoal    22:13 — Arquivado em: Crônica

21/12/08

Lembranças natalinas

 

            Aprecio o Natal! Gosto da junção da família, da revelação do Amigo Secreto, da comilança e do Papai Noel, mas detesto a loucura das lojas e dos supermercados. Não consigo conviver bem com o tumulto: filas, sacolas, multidões. Não me sinto à vontade, disputando as últimas caixinhas de morango com clientes estressados. O fim de ano deixa as pessoas muito enlouquecidas, isto não me agrada em nada!

            Quando se é criança, há uma magia, um encantamento muito especial na noite do vinte e quatro de dezembro. Não se é responsável por fazer as compras, preparar os pratos, apenas se escreve a cartinha para o Papai Noel e capricha no comportamento, ao menos, na última quinzena de dezembro. Crianças observam os pacotes, procuram seus nomes, a maior indagação da vida naquele momento é, afinal, quais serão os meus presentes? A vida é muito outra antes de conhecer os impostos: IPVA, IPTU, etc.

             Lembro de, na minha infância, ouvir o Papai Noel e me surpreender sobre seu profundo conhecimento sobre o meu caráter, as minhas manias (sempre implicava com minhas unhas roídas), conhecia os detalhes de cada travessura, das brigas com meu irmão e todas as minhas notas do boletim!  Eu ficava encantada com o Papai Noel, o velhinho era incrível e observava mesmo as crianças durante todo ao ano! Demorei bastante (ainda bem) para descobrir que se tratava de um dos meus tios ou de meu pai, disfarçados, o que justificava saber tanto a meu respeito.

            Hoje o Natal é diferente do da minha infância, o apelo comercial aumenta a cada ano, aliás já escrevi sobre isto… Nos anos setenta, as meninas pediam Susie (ainda não havia a Barbie) e os meninos carrinho. Agora, não! O carrinho e as bonecas são de grife. Devem inventar uma Barbie nova a cada quinze dias! É um absurdo. E acessórios, então? O carro, a casa, as roupas, os sapatos, os animais de estimação, os filhos, a Barbie é um fenômeno comercial. Sei que os meninos têm também a coleção dos carrinhos Hot Wheels, há também pista, lava-jato, enfim uma parafernália de equipamentos que parecem não ter fim.

            No meu tempo de criança a gente confeccionava as roupas da Susie (normalmente só tínhamos uma, não cinqüenta como nossas filhas) com restos de tecido, de lã ou de linha (assim se aprendia com entusiasmo a fazer tricô ou crochê). Os meninos brincavam com carrinho de rolimã, o que, cá entre nós, é bem mais divertido que Hot Wheels.

            Não podemos esquecer que as crianças mencionadas nos parágrafos supracitadas pertencem à classe média. Há outros meninos que vivem à espera da cesta básica mesmo! O Natal deveria ser o momento de refletir sobre a desigualdade social e realizar alguma ação beneficente.

           Vamos fazer uma bela ceia, presentear as crianças, brindar! No entanto, devemos lembrar que o mais importante é fazer um gesto de doação, que pode começar nesta data e se prolongar por todo ano.

           Se o Menino Jesus nasce, que a gente possa renascer com ele!

            Um belo Natal a todos!

criado por joselmanoal    22:31 — Arquivado em: Crônica, Sem categoria

20/12/08

TÔ NA ZERO HORA DOMINICAL

Leiam a página 21!

Dps comentem no tema para debate!

Bjs, Jô

criado por joselmanoal    18:57 — Arquivado em: Sem categoria

17/12/08

Sapateando em Dezembro

 

 

                        A atitude do jornalista iraquiano – Muntazer al-Zaidi – de jogar os sapatos na despedida do presidente americano –  George W. Bush – me causou admiração. Gostaria de distribuir algumas sapatadas também!

                        Não foi um gesto impulsivo, amigos do jornalista afirmaram que a sapatada foi premeditada.  A agressão sofreu inúmeras críticas por sua reação indignada, o principal argumento é o de que como profissional da imprensa, poderia escrever artigos críticos a era Bush e não cometer tal gesto.

                        Às vezes, as pessoas devem esquecer cargos e profissões e agir como cidadão comum, o jornalista ali era um iraquiano insatisfeito. Foi um líder, um porta-voz de sua nação, o que justifica o gesto, em  minha opinião mais contundente que um texto crítico, me desculpem. Sou contra a violência, no entanto respeito e admiro o iraquiano. Cuidem-se porque, às vezes, calço uns tamancos de salto Anabela que podem causar graves danos físicos.

                        No Iraque há uma representatividade na sapatada, é mais do que uma agressão, simboliza que o sujeito está abaixo de um sapato, em contato com o chão e a sujeira, por isto o grito do jornalista na despedida de Bush foi de este é o seu beijo de despedida, cachorro!

                        Diante de tudo que fez Bush uma sapatada é muito pouco!  Quantas pessoas foram mortas e feridas em razão da guerra por ele estimulada? Não me refiro só aos iraquianos, mas também aos americanos. A crise econômica é outra herança deixada por ele.

                        Se há alguém que eu não gostaria de ser, neste momento, é o novo presidente americano Barack Obama! E ele consegue disfarçar medo e insegurança em um largo sorriso. Ou será que não há nada de medo e insegurança nele?

                        Governar não é fácil, mas escutar o povo deveria fazer parte da jogada. Em empresas, escritórios, fábricas, universidades e escolas, todos os funcionários deveriam ser ouvidos: do peão ao diretor. E do contrário acho que os gestores deveriam receber mesmo umas boas sapatadas. Bush fez o que quis e deu no que deu!

                        Temos dois ouvidos e dois olhos, Deus assim nos projetou para que nos detivéssemos mais no observar, no ler e no escutar, porém, infelizmente, o imbecil ser humano segue a falar e muito.

                        Que tal neste Natal calar, um pouquinho, e priorizar o ouvir, o ler e o escutar? Quem sabe a gente melhora como ser humano e aprende a dar mesmo umas sapatadas em quem merece. Não precisa agredir literalmente, pode ser por meio da palavra, como faço através deste texto.

                        Desejo a todos um 2009 de muita coragem para distribuir sapatadas!

 

Publicado em 18 de dezembro de 2008, Jornal Bom Dia

criado por joselmanoal    7:50 — Arquivado em: Crônica

10/12/08

Ensinar solidariedade em dezembro

     O último mês do ano chega rapidamente e deste modo também se despede, ou melhor, nem se despede, sai à francesa. Gosto do ritual de montar a árvore de Natal, em companhia da minha filha, repetir os mesmos gestos do alcançar ou pendurar os enfeites como fazia com minha mãe, em tempos em que as bolinhas quebravam e o cuidado, portanto, deveria ser redobrado. Aprecio a mesa da ceia bem enfeitada, tento compor cores, adornos e organizar os pratos como fazia a minha avó, nos natais que marcaram minha infância. Continuo adorando a figura do Papai Noel e apreciando os presépios. Só permaneço sem entender o consumismo abusivo.
     Quando se é criança, se imagina que basta pedir o presente, escrever a tal cartinha pro Papai Noel que ele providenciará os pedidos. Hoje, até mesmo as crianças devem ser alertadas de que o Bom Velhinho têm muitos meninos para presentear e não conseguirá atender a todos os desejos. Não há tempo, nem duendes suficientes trabalhando para dar conta de uma lista imensa de cada criança.
     Despertar a noção de solidariedade é fundamental na educação infantil. Os pais deveriam educar neste sentido. Abrir os armários, ao menos duas vezes ao ano, e verificar o que realmente precisa e faz uso, deve ser um hábito da família, inclusive dos pequenos. Incentivar os meninos a identificar os brinquedos, com os quais não brinca, e acostumar-se a doar a quem precisa. Muitas famílias estimulam o egoísmo, muitos pais materialistas educam seus filhos nesta cartilha e a sociedade se transforma num caos de desigualdade social.
     O Natal talvez seja o melhor momento para educar em um sentido cristão. E ocorre justo o contrário! O apelo do comércio se intensifica, muitas propagandas direcionadas ao público infantil, principal foco para sensibilização à compra. E os pais, cujo desejo é alegrar seus filhotes, compram compulsivamente. A alegria poderia vir, por meio de outros gestos, que não só o da compra. Não me interpretem mal, também gosto de presentear minha filha. Me refiro à compra excessiva, aquela criança que suspira por algo na vitrine e logo encontrará sobre sua cama o tal objeto. Esta geração de pais, da qual faço parte, embora tente questionar o meu papel, é permissiva em relação a tudo. A tal falta de limite ocorre também na lista de Natal.
     Nada contra presentear, mas nada de exageros. E uma boa limpeza no armário, em qualquer faixa etária, faz muito bem. Ensinar um filho a ser solidário, a ler e a escolher uma carta dirigida ao Papai Noel nos Correios para fazer-se de Bom Velhinho é muito mais importante do que ensiná-lo a escrever a própria carta ao Papai Noel.
     A fantasia de acreditar no velho barbudo é linda e não deve ser desfeita, mas nada impede que seu filho aprenda um pouco sobre solidariedade em dezembro e aplique durante todo o ano a lição aprendida. Selecionar os brinquedos para doação pode ser um bom começo!

Publicado em 11 de dezembro de 2008, Jornal Bom Dia

Publicado no Jornal Zero Hora com o título: Consumismo e Solidariedade no Natal, domingo, 21 de dezembro de 2009, p.21.  Tema para debate: www.zerohora.com Você acha que o consumismo é normal nesta época do ano ou deve ser evitado?

 

criado por joselmanoal    15:58 — Arquivado em: Crônica

3/12/08

SAUDAÇÕES COLORADAS

GRANDE INTERNACIONAL!

criado por joselmanoal    23:48 — Arquivado em: Sem categoria

Letras no palco

     Na terça-feira à noite, 2/12, ocorreu o Sarau do Curso de Letras da URI/Campus de Erechim. O auditório do Prédio 8 da universidade não estava lotado, mas quem lá se fez presente apreciou declamações e leituras de textos literários, esquetes e apresentações musicais, nos idiomas oferecidos no curso: português, inglês e espanhol.
     A sala de aula é um espaço tradicional com mesas, cadeiras, quadro e giz, e se pode aprender aí, concordo! Mas tanto melhor se o aluno aprende fazendo, construindo, experimentando arte. Melhor que falar sobre arte, é vivenciá-la! Os alunos envolvidos no projeto, principalmente os da turma 2006 e alguns da turma 2007, serão professores diferenciados, saberão, com certeza, transformar a sala de aula é um lugar de arte.
     Jamais me esquecerei do meu primeiro dia como professora (já se passaram quase vinte anos) um dos diretores do Curso Supletivo Lógico, em São Leopoldo, me acompanhou até a sala e antes de entrarmos, me disse: Bela estréia, Jô, este é o teu palco! Até nome artístico ganhei. Os diretores achavam Joselma muito difícil para os alunos memorizarem e, assim, nasceu a Jô!
     A sala de aula é mesmo o palco do professor! Mas sair dele para um palco de verdade, é muito melhor! O Curso de Letras, também é de Artes - o que deveria ser lembrado sempre, tanto pelos professores, como pelos acadêmicos.
     Reconheço a dificuldade de alguns em apresentar-se em público! Por esta razão é que gestos como este de superação, empenho e desejo de colocar o melhor de si em cada palavra pronunciada, em cada gesto, em cada expressão, devem ser aplaudidos. Ver meus alunos em atividades de expressão artística, me enche de orgulho! Me comove porque lembro de alguns no início do curso, falando baixo, só o necessário e fazendo uso de respostas monossilábicas sempre que possível, e agora já adquiriram um novo tom de voz, fruto da certeza, adquirida ao longo do curso de Letras, sobre o que querem para sua vida. Eles querem arte!
     Parabéns aos alunos e aos professores que contribuíram para a realização do Sarau. E fica registrado o meu desejo de que docentes e discentes das Letras aprendam a usar e abusar do palco verdadeiro, sem excluir o palco cotidiano da sala de aula.
     Aplausos para todos que acreditam na arte!
……………………………………………………………………………………………………………….

     A querida Olga Reverbel, brilhante professora de teatro, faleceu na segunda-feira, um dia antes do Sarau das Letras e, certamente, de algum recanto nos assistiu e aplaudiu. Poucas pessoas merecem tanto serem lembradas na história do teatro no Rio Grande do Sul e no Brasil como Olga.

criado por joselmanoal    13:41 — Arquivado em: Crônica
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