5/11/08
Orgulho de ler
Até parece ficção, mas é notícia! O pedreiro descobre as obras literárias na Zero Hora, sexta, 31/10, p. 45, conta uma história real, embora eu a tenha apreciado como texto literário. Uma reportagem muito oportuna na data da abertura da Feira do Livro de Porto Alegre.
Para quem não leu a matéria supracitada: o mestre-de-obras, Pedro Santini, encontrou o prazer da leitura nos intervalos do almoço ou do lanche, enquanto se encarregava da reforma da Biblioteca Pública Pelotense. Tornou-se, inclusive, sócio da biblioteca.
Ao jornalista afirmou “Quando o trabalho acabar, vou ter duas coisas para me orgulhar: ter participado da restauração do maior e mais importante prédio histórico de Pelotas e ter descoberto que os livros têm muita coisa para mostrar.”
Muitos vivem sem conhecer o prazer da leitura, refiro-me, não somente aos analfabetos, mas também a aqueles que foram alfabetizados e, no entanto, não desfrutam do aprendido.
A leitura transforma o sujeito! Hoje se prega que a escola deve formar sujeitos críticos e cidadãos, por isto me pergunto, seguidamente, o que tem feito a instituição escolar pela difusão da leitura. Permanece, por parte dos professores, a insistência em enfiar clássicos aos alunos goela abaixo, enquanto o foco de interesse destes pode ser muito diverso dos apresentados? A literatura contemporânea pode ser a maneira mais fácil e eficaz de garantir os leitores de clássicos no futuro.
Uma comparação tola: o bebê primeiro mama, depois conhece os sucos, as frutas, as sopas e só depois poderá deliciar-se com uma suculenta picanha. Assim é com a leitura! A criança começa com as histórias infantis, os gibis, a literatura contemporânea e depois poderá deliciar-se com o Dom Casmurro.
As crianças lêem. O grande desafio escolar é, portanto, que o leitor formado na infância, não desista dos livros na adolescência, em razão da obrigatoriedade e da seleção inadequada de obras. Leitura deve gerar prazer e conhecimento, não pode ser diferente.
Voltando a fala do mestre-de-obras, ele diz se orgulhar, não só de seu trabalho na restauração de um prédio, mas também do conhecimento adquirido por meio da leitura. Não importa o que leu, neste momento talvez ainda esteja na sopa, mas chegará ao churrasco, com certeza!
Em época de Feira do Livro que se espalhem pela Praça da Alfândega o orgulho e o amor pelos livros, que nos apaixonemos cada vez mais pela palavra como Pedro Santini.
Publicado em 6 de novembro de 2008, Zero Hora, p. 26 e Jornal Bom Dia, p. 11
criado por joselmanoal
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Comentário por Guilherme Mossini Mendel — 5 05UTC novembro 05UTC 2008 @ 12:26
“A leitura transforma o sujeito! Hoje se prega que a escola deve formar sujeitos crÃticos e cidadãos, por isto me pergunto, seguidamente, o que tem feito a instituição escolar pela difusão da leitura. Permanece, por parte dos professores, a insistência em enfiar clássicos aos alunos güela abaixo, enquanto o foco de interesse destes pode ser muito diverso dos apresentados? A literatura contemporânea pode ser a maneira mais fácil e eficaz de garantir os leitores de clássicos no futuro.”
(Bem, profe. O que eu posso dizer? Acredito nisso faz tempo! Simplesmente assino embaixo!)
No 2º grau, eu era um dos poucos que dava algum valor à s obras da Lista de Leituras Obrigatórias, sempre composta pelos clássicos (que ninguém gostava). Até que começou a aparecer “Dr. Miragem” e “O exército de um homem só”, do Moacyr Scliar, e “O clube dos anjos”, do L. F. VerÃssimo. Todos gostaram. Inclusive eu. Mas nenhum deles conseguiu tirar do topo do pódium de livros que eu venero a seguinte obra: “Quincas Borba”, de um tal de Machado de Assis. Posteriormente veio “O mulato”, mas em outra etapa da carreira escolar…
Beijos, profe!
“Tudebão!”