Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

22/10/08

Da indignação

     A crise econômica mundial assusta, a morte de Eloá comove, a liberação do filho do embaixador, sem carteira de habilitação e que admitiu ter ingerido bebida alcoólica, após batida de carro, indigna.
     Optei por escrever sobre a indignação, então aí vai:
     Li, com muita atenção, a matéria jornalística na Zero Hora de 16 de outubro, cujo título lhes apresento: Filho de embaixador bebe e bate carro, mas é liberado e fui tomada pelo sentimento de indignação. Sentimento este que deve ter atingido a todos leitores de tal página. Os que não o fizeram naquela oportunidade, terão a oportunidade de se indignar, então, neste momento.
     O incidente ocorreu em Brasília, onde tudo pode acontecer. Além de alcoolizado, o estudante de Medicina de 19 anos, bateu com o automóvel de placa da embaixada do Paraguai, no carro de uma professora. Através da reportagem descobri que diplomatas e seus familiares estão imunes à Lei Seca e nem sequer pagam pelos danos cometidos em outro veículo, se não quiserem fazê-lo. Uma descoberta vergonhosa! Às vezes me pergunto se não serão mais felizes os ignorantes, os analfabetos. Quanto mais conheço o nosso país, maior inconformidade e maior assombro me acometem.
     Terão tais privilégios os diplomatas em outros países?
     Outra informação obtida na notícia é a de que, a partir de janeiro de 2009, os automóveis diplomáticos deverão ser registrados no Renavam e pagarão por multas cometidas. Pelo menos isto!
     Em nosso país um cidadão comum, sem carteira de habilitação e alcoolizado, poderia até ser preso. Já um filhinho de papai diplomata é ausentado de qualquer responsabilidade. É o fim do mundo! Só poderia ter acontecido mesmo em Brasília.
     A função de um pai, de qualquer profissão, qual deveria ser? A de educar o seu garoto, ensiná-lo a assumir responsabilidades. No entanto, a atitude do diplomata foi a de buscar o filho e deixar tudo como está. Pior vergonha não é a do filho, afinal ele foi educado para não ter culpa, não ser responsabilizado por seus atos. Maior vergonha deveria ser a do pai, cidadão de diferenciado poder econômico e cultural, que acoberta atitudes incorretas de seu rebento. Aqui não se trata de proteção paternal, presente em qualquer relação familiar equilibrada e fraterna. Trata-se, sim, de criar e fortalecer um irresponsável, prepotente e infantil.
     E aos cidadãos responsáveis resta a indignação e o poder de gritá-la a outros brasileiros.

Publicado em 23 de outubro de 2008, Jornal Bom Dia, p.10

criado por joselmanoal    12:36 — Arquivado em: Crônica

4 Comentários »

  1. Comentário por COPEC — 24 24UTC outubro 24UTC 2008 @ 19:09

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  2. Comentário por Flavinha — 26 26UTC outubro 26UTC 2008 @ 19:12

    Olá, Jô!
    Gostaria de parabenizá-la pelo blog, me identifiquei bastante. Quando puder dê uma passada no meu, ok?! Forte abraço.

  3. Comentário por Ana Vera — 28 28UTC outubro 28UTC 2008 @ 9:37

    Amiga Jô, tive acesso ao seu blog através d uma grande amiga que a definiu como “a nova sensação das letras”. Li várias crônicas antes d postar meu comentário e afirmo q sua escrita é realmente espetacular, conversando virtualmente com amigos q lhe conhecem eles me garantiram q vc é sensacional como professora e como ser humano… o q fica evidente nos seus textos. Amo viajar e estou me programando a ir para o sul pegar um autografo seu. a viagem vai ser longo já q moro em SP, mas seu talento me convenceu. Bj

  4. Comentário por João Luís Bertaco Noal — 30 30UTC outubro 30UTC 2008 @ 16:15

    As imunidades diplomáticas (cível e penal) aos embaixadores também de estendem aos seus familiares, norma de Direito Internacional Público (Convenção de Viena de 1961, Brasil ratificou, Decreto 56.435 de 08/06/1965). Ou seja se o embaixador ou seus familiares praticam um ato ilegal (penal inclusive) serão julgados pelas leis do país de origem, ou seja se um filho de um embaixador matar outra pessoa deverá ser julgada no sua nação.

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