Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

30/9/08

Aventuras, metrópoles e eleições

     Algumas pessoas consideram importante a compra de um imóvel para as férias, uns preferem a praia; outros optam pelo campo ou pela serra. Existem os aventureiros, aqueles que gostam de conhecer algo novo em suas semanas de afastamento do trabalho, são os que preferem a vida menos previsível. Afinal, veraneando após muitos anos na mesma casa de praia, você já conhece a rotina da vizinhança, bem como as músicas de preferência, o horário de caminhada à beira-mar – é tudo demasiado seguro e tranqüilo.
     Esta sensação de segurança e previsibilidade causa uma sensação desconfortável para os aventureiros. Sei que parece loucura, para que arriscar na busca de um novo local a cada período de férias, se podemos adquirir um espaço próprio e cuidado a nossa espera? O que impulsiona o aventureiro é justo o contrário: o desconhecido, o curioso, o inesperado.
     Os veranistas de uma única praia são sujeitos organizados e os aventureiros fogem da mesmice, buscam o novo. Digamos que os veranistas são como o amor; os aventureiros como a paixão. Aqui não há nenhum juízo de valor. Cada um sabe o que lhe faz mais feliz.
     Ao conviver com pessoas dos dois tipos classificados, percebemos a clara diferença que há entre os que viajam e os que se deslocam sempre para um mesmo local. Há um conhecimento profundo do lugar por parte dos veranistas e um desejo de decifrar outros mapas por parte dos aventureiros.
     O viajar não diz respeito somente a viagens internacionais, vôos distantes, pode ser um passeio logo ali, mas sempre um diferente logo ali. Digo isto porque a mesmice, às vezes esgota o ser humano.
Então, você pode ir à mesma praia, mas tente encontrar um novo restaurante, fazer um amigo em outra quadra, que não de sua casa. Pois isto inova e faz bem!
……………………………………………………………………………………………………………….
     Metrópoles são ambíguas por excelência! Nas escadarias do bonito edifício dos Correios, no centro de Porto Alegre, um mendigo, sentado, exala suor e álcool em plena Praça da Alfândega, arborizada, a espera da Feira do Livro que se aproxima. A imagem parece ficção, mas é realidade. As lonas já estão sendo montadas e os livros logo estarão por aí, em meio ao tumulto da capital barulhenta. Porto Alegre se torna mais elegante na primavera, apesar da insegurança pública e do centro esquecido e sujo.
……………………………………………………………………………………………………………….
     Nas eleições no domingo nada de agir como aventureiro, votar em branco ou anular o voto. Pesquise sobre os candidatos e faça uma escolha responsável.

Publicado em 2 de outubro de 2008, Jornal Bom Dia, p. 13

criado por joselmanoal    20:05 — Arquivado em: Crônica

4 Comentários »

  1. Comentário por Guilherme M. Mendel — 3 03UTC outubro 03UTC 2008 @ 16:37

    “[...] Digamos que os veranistas são como o amor; os aventureiros como a paixão. Aqui não há nenhum juízo de valor. Cada um sabe o que lhe faz mais feliz.”

    =)

    Bela comparação!

    E gostei muito do que você escreveu sobre metrópoles, profe…

    Acho o interior mais romântico… em todos os sentidos…
    E considero as cidades maiores (bem maiores) como “o mundo em suas mãos”…
    Porque você tem acesso a tudo…
    E é tudo mesmo: tudo do pior e tudo do melhor…

    Pronto!
    Inté mais, psora!
    Tudebão!
    huahuahuahuahua

  2. Comentário por Anny — 4 04UTC outubro 04UTC 2008 @ 22:35

    Carambaaa, como vc escreve beeem…Parbééééns pelo seu dooom e q poucos teeem…Vamos veer se nessas eleições as pessoas deixem de se aventurar um pouco, né??

    Se deer me faaaz uma visitinhaaa

    Beijinhooos

  3. Comentário por Joao Luis Amaral — 7 07UTC outubro 07UTC 2008 @ 10:28

    Posso fazer um ‘desabafo’ sobre o tópico ELEIÇÕES?
    Uma coisa que me intriga é que os TRE’s, TSE’s - ou qualquer outro acrônimo que ninguém sabe para que serve - permitem que ex-BBB, ex-cantor, ex-jogador, ex-pombo-correio, ex-cheese salada, ex-paquita, ex-tatú bola saiam candidatos e, depois, produzem comerciais pedindo para que se vote com responsabilidade. Cáspita, então por que raios deixam que um texugo se candidate? Exijam o mínimo de escolaridade, como uma graduação qualquer - em alguns casos FOTOS seriam bem-vindas - para que invariavelmente as opções sejam boas… senão, é uma BAITA incoerência! Horário eleitoral, hoje em dia, é quase uma ‘orgia humorística’. Não tem como não rir (e muito!).
    Pronto… Passou… he he!
    Abs. Joao Luis Amaral

  4. Comentário por João Carlos — 7 07UTC outubro 07UTC 2008 @ 22:02

    Muito bom seu texto! Gosto de escritos inteligentes e reflexivos. Parabéns. João

Deixe um comentário

Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://joselmanoal.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.