Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

17/9/08

Respeito - valor em extinção

     Há um comercial de cerveja que considero extremamente desrespeitador com as pessoas que não consomem bebidas alcoólicas. Ironizam a figura do amigo sóbrio, responsável pela condução dos demais as suas residências, após a noite de festa.
     Com a nova lei de trânsito, que limita a uma dose bastante pequena o consumo de bebidas alcoólicas, por parte dos motoristas, a propaganda me parece irresponsável. Claro, o consumo em bares e restaurantes deve haver diminuído muito, mas nada justifica um comercial grosseiro como este.
     Aliás, convivemos tanto com o desrespeito que passamos a não mais percebê-lo, o nosso estranhamento se dá no inverso: no respeito. Parece curioso, uma atitude respeitosa passa a merecer inúmeros elogios, devido a sua raridade. O que deveria ser algo natural, passa a inusitado! O respeito transformou-se em artigo de luxo.
     O respeito aos demais pode ser observado em pequenos gestos: comunicar o cancelamento ou alteração de horário de uma atividade previamente agendada ao interessado; escutar a palestra e não sair, enquanto o palestrante fala; desligar o celular em sala de aula; cumprir o horário marcado; jogar o lixo no local apropriado, etc, enfim coisinhas miúdas que fazem a diferença.
     Um exemplo bem conhecido é a poluição do meio ambiente, um sinal do desrespeito de muitos para com a natureza e que reflete na qualidade de vida do ser humano.
     Nas escolas impera o desrespeito, não só por parte do aluno, muitas vezes, também, por parte do professor e do diretor. O aluno agride, o professor revida, o diretor expulsa. Não quero, de modo algum, colocar o aluno no papel de coitadinho, pois sabemos que a expulsão torna-se, em alguns casos, inevitável. Mas considero importante um repensar, um refletir sobre a escola como um local merecedor de respeito. Não sinto pesar ou nostalgia de tempos de palmatória, quando o professor se armava para manter a disciplina. Disciplina não está relacionada a medo e a abuso de poder. O aluno pode, e deve, ter uma relação amistosa com seu professor, nada de medo, mas de respeito, sentimento que deve ser atribuído a qualquer pessoa, independente de hierarquia social. Conheço muitas pessoas que respeitam as hierarquias superiores e cospem nas consideradas inferiores. Isto não é respeito, é adulação e arrogância, respectivamente.
     As eleições se aproximam e uma atitude respeitosa com a cidade ocorre através do voto. Selecionar é uma tarefa importante! Convém pesquisar sobre a trajetória política dos candidatos, sobre projetos por eles realizados, para verificar se os futuros projetos, ora apresentados em campanha, podem tornar-se realidade.

 Publicado em 18 de setembro de 2008, Jornal Bom Dia, p.10

criado por joselmanoal    14:15 — Arquivado em: Crônica

7 Comentários »

  1. Comentário por Hudson Junior — 18 18UTC setembro 18UTC 2008 @ 16:17

    Muito interessante… Posso postar essa materia no meu blog. Para isso vou precisar do E-mail e nome… Ate mais.

  2. Comentário por Joe — 19 19UTC setembro 19UTC 2008 @ 17:34

    Pow!!
    Gostei interessante!
    flw!

  3. Comentário por Guilherme Mossini Mendel — 20 20UTC setembro 20UTC 2008 @ 18:35

    Oi, profe!
    Tudo bem?

    Gostei bastante desse texto.
    Primeiramente, gostaria de acrescentar que é bem pertinente para qualquer pessoa prezar apenas pelo seu umbigo e lutar por interesses particulares seus… É pertinente e é fácil! Por isso que é algo tão presenciado… (infelizmente)
    Pensar no outro, colocar-se no lugar desse outro, é algo um tanto quanto complicado para a maioria das pessoas, uma vez que exigiria um cuidado muito maior com a conduta, o que não a restringiria somente a uma luta pela sobrevivência própria - e não da espécie. (O que é realmente lamentável…)
    E… quanto à propaganda: Confesso que a vi apenas em uma oportunidade - o que já bastou. Acredito que a TV e os comerciais estão ficando cada vez piores, o que acarreta em um povo cada vez menor, com atitudes cada vez mais maquiavélicas e banais…
    O que leva a crer que tudo que existe, se quiser ter um bom volume de vendas, precisa fugir da arte e do bom senso, indo cair isoladamente no senso comum, que está cada vez mais condenável…

    É isso!
    Até mais, profe!
    E tudebão!

  4. Comentário por Lingua soltah — 21 21UTC setembro 21UTC 2008 @ 21:55

    interessante o texto…se ouder passe no meu pra dar uma força

  5. Comentário por Amanda Cristine Faluba — 22 22UTC setembro 22UTC 2008 @ 14:04

    Gostei bastante do artigo de opinião!
    vou adicionar seu endereço nos favoritos, OK!?

  6. Comentário por Adh2bs — 22 22UTC setembro 22UTC 2008 @ 17:21

    Olá! Difícil, né, num planeta onde cada vez mais gente não respeita o meio onde vive, nem seus semelhantes, onde se exalta uma porção de mediocridades individuais… E os meios de comunicação, que seriam a grande ferramenta para a educação em massa, informações positivas, propositivas, se preocupando em dar “bons” exemplos nos big brothers da vida, nas telenovelas recheadas de chavões e nos enlatados carregados de violência onde os mocinhos são os caras que mais destroem tudo para salvar uma pouca coisa. Grande abraço, ótima semana.
    Adh

  7. Comentário por A.C. — 26 26UTC setembro 26UTC 2008 @ 12:52

    …Muito bom! apreciei!

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