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Algumas pessoas consideram importante a compra de um imóvel para as férias, uns preferem a praia; outros optam pelo campo ou pela serra. Existem os aventureiros, aqueles que gostam de conhecer algo novo em suas semanas de afastamento do trabalho, são os que preferem a vida menos previsível. Afinal, veraneando após muitos anos na mesma casa de praia, você já conhece a rotina da vizinhança, bem como as músicas de preferência, o horário de caminhada à beira-mar – é tudo demasiado seguro e tranqüilo.
Esta sensação de segurança e previsibilidade causa uma sensação desconfortável para os aventureiros. Sei que parece loucura, para que arriscar na busca de um novo local a cada período de férias, se podemos adquirir um espaço próprio e cuidado a nossa espera? O que impulsiona o aventureiro é justo o contrário: o desconhecido, o curioso, o inesperado.
Os veranistas de uma única praia são sujeitos organizados e os aventureiros fogem da mesmice, buscam o novo. Digamos que os veranistas são como o amor; os aventureiros como a paixão. Aqui não há nenhum juízo de valor. Cada um sabe o que lhe faz mais feliz.
Ao conviver com pessoas dos dois tipos classificados, percebemos a clara diferença que há entre os que viajam e os que se deslocam sempre para um mesmo local. Há um conhecimento profundo do lugar por parte dos veranistas e um desejo de decifrar outros mapas por parte dos aventureiros.
O viajar não diz respeito somente a viagens internacionais, vôos distantes, pode ser um passeio logo ali, mas sempre um diferente logo ali. Digo isto porque a mesmice, às vezes esgota o ser humano.
Então, você pode ir à mesma praia, mas tente encontrar um novo restaurante, fazer um amigo em outra quadra, que não de sua casa. Pois isto inova e faz bem!
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Metrópoles são ambíguas por excelência! Nas escadarias do bonito edifício dos Correios, no centro de Porto Alegre, um mendigo, sentado, exala suor e álcool em plena Praça da Alfândega, arborizada, a espera da Feira do Livro que se aproxima. A imagem parece ficção, mas é realidade. As lonas já estão sendo montadas e os livros logo estarão por aí, em meio ao tumulto da capital barulhenta. Porto Alegre se torna mais elegante na primavera, apesar da insegurança pública e do centro esquecido e sujo.
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Nas eleições no domingo nada de agir como aventureiro, votar em branco ou anular o voto. Pesquise sobre os candidatos e faça uma escolha responsável.
Publicado em 2 de outubro de 2008, Jornal Bom Dia, p. 13
Inicio o texto de hoje com uma cena comum (um tanto mórbida), mas verdadeira. As lamúrias, ouvidas em velórios e enterros, a respeito das qualidades do falecido, que, nem sempre, eram assim tão grandiosas. Há casos em que a lamentação é sincera e os elogios são condizentes, no entanto aplausos e abraços devem ser dados em vida. Por que não nos permitimos faltar em velórios, enterros, missas de sétimo dia, e, muitas vezes, nos ausentamos em batizados, casamentos e aniversários? E falo em casamento também como um renascimento, embora nem todos tenham a sorte de um convívio harmonioso. Infelizmente, alguns aprender a morrer um pouco a cada dia no casamento, mas isto já é assunto para outro texto...
Temos que aprender a celebrar a vida!
Outro dia, conversando com amigos, percebemos a importância dada a estes rituais de despedida, compartilhamos a mesma incompreensão diante da morte, a mesma inconformidade diante da perda. E por isto, devemos desfrutar nossos dias, aproveitar a companhia das pessoas, que nos são queridas, e não desperdiçar tanto tempo com atividades burocráticas e desagradáveis. Não levar trabalho para casa aos domingos, pode ser um bom começo! Se o estresse está se transformando em um monstro capaz de devorá-lo, é hora de pedir férias e não de esperar pelo afastamento do trabalho por motivos de saúde. Não espere adoecer para dar valor a sua saúde!
Devemos enxergar e verbalizar as qualidades das pessoas vivas e não esperar a sua morte para anunciá-las publicamente. Nada mais incoerente que homenagem póstuma! Que em batizados, casamentos e aniversários a gente saiba elogiar os anfitriões, em alto e bom som, nada de esperar outra ocasião para dizer o que merece ser dito naquele momento!
Ao sair de Porto Alegre e vir morar em Erechim, acompanho mais as atividades culturais das quais deixo de participar devido à distância, do que quando vivia na capital e poderia comparecer a vários espetáculos e eventos. Alguns quilômetros me fizeram valorizar também, ainda mais, os encontros com os familiares e com os amigos. A distância aprimora o nosso olhar e motiva a nossa lamentação.
Como lamento não conduz a lugar algum, o melhor é buscar alternativas de lazer, por aqui mesmo, ou deslocar-se para participar de algum evento cultural significativo e encontrar os amigos e os familiares.
E se o elogio é o que move o ser humano, a crítica também o faz, se fundamentada, claro, e não atirada como pedra pontiaguda com o intuito de agredir. Por favor, não esperem que eu morra para me fazer elogios e críticas!
Muito obrigada a todos que prestigiam este espaço!
Publicado em 25 de setembro de 2008, Jornal Bom Dia, p.10
Há um comercial de cerveja que considero extremamente desrespeitador com as pessoas que não consomem bebidas alcoólicas. Ironizam a figura do amigo sóbrio, responsável pela condução dos demais as suas residências, após a noite de festa.
Com a nova lei de trânsito, que limita a uma dose bastante pequena o consumo de bebidas alcoólicas, por parte dos motoristas, a propaganda me parece irresponsável. Claro, o consumo em bares e restaurantes deve haver diminuído muito, mas nada justifica um comercial grosseiro como este.
Aliás, convivemos tanto com o desrespeito que passamos a não mais percebê-lo, o nosso estranhamento se dá no inverso: no respeito. Parece curioso, uma atitude respeitosa passa a merecer inúmeros elogios, devido a sua raridade. O que deveria ser algo natural, passa a inusitado! O respeito transformou-se em artigo de luxo.
O respeito aos demais pode ser observado em pequenos gestos: comunicar o cancelamento ou alteração de horário de uma atividade previamente agendada ao interessado; escutar a palestra e não sair, enquanto o palestrante fala; desligar o celular em sala de aula; cumprir o horário marcado; jogar o lixo no local apropriado, etc, enfim coisinhas miúdas que fazem a diferença.
Um exemplo bem conhecido é a poluição do meio ambiente, um sinal do desrespeito de muitos para com a natureza e que reflete na qualidade de vida do ser humano.
Nas escolas impera o desrespeito, não só por parte do aluno, muitas vezes, também, por parte do professor e do diretor. O aluno agride, o professor revida, o diretor expulsa. Não quero, de modo algum, colocar o aluno no papel de coitadinho, pois sabemos que a expulsão torna-se, em alguns casos, inevitável. Mas considero importante um repensar, um refletir sobre a escola como um local merecedor de respeito. Não sinto pesar ou nostalgia de tempos de palmatória, quando o professor se armava para manter a disciplina. Disciplina não está relacionada a medo e a abuso de poder. O aluno pode, e deve, ter uma relação amistosa com seu professor, nada de medo, mas de respeito, sentimento que deve ser atribuído a qualquer pessoa, independente de hierarquia social. Conheço muitas pessoas que respeitam as hierarquias superiores e cospem nas consideradas inferiores. Isto não é respeito, é adulação e arrogância, respectivamente.
As eleições se aproximam e uma atitude respeitosa com a cidade ocorre através do voto. Selecionar é uma tarefa importante! Convém pesquisar sobre a trajetória política dos candidatos, sobre projetos por eles realizados, para verificar se os futuros projetos, ora apresentados em campanha, podem tornar-se realidade.
Publicado em 18 de setembro de 2008, Jornal Bom Dia, p.10
A esposa resolveu matricular os dois (ela e o marido) em um curso de dança de salão. Após seis meses: formatura e diploma. E os leitores perguntarão curiosos: e o casamento? Ah! Este já havia dançado há muito tempo!
A discussão polêmica sobre a interrupção da gravidez em caso de anencefalia toma conta do Supremo Tribunal Federal.
Acredito que à mãe deve ser concedido o direito de decisão, se quer gerar um bebê sem cérebro ou se prefere não vivenciar tamanha dor de carregar no ventre um filho que não tem condições de sobrevivência.
Os argumentos favoráveis a manter a gravidez, até o final da gestação, me parecem absurdos e cruéis para os pais. O documentário Uma história Severina retrata a dor de uma mãe que só pôde interromper a gravidez aos sete meses de gestação, após muita briga com a lenta Justiça brasileira. Severina sentiu as dores do parto induzido, ciente de que o seu bebê não sobreviveria. Viveu uma história de sofrimento inexplicável de gerar para enterrar. A certeza da mãe, de que o bebê sairia do seu ventre para o caixão, deve causar uma dor gigantesca, monstruosa, assim como o temor de conhecer um filho sem cérebro.
Dizem-se cristãos os que são contrários ao aborto em caso de anencefalia? Aqueles que crêem em Deus e em sua palavra deveriam manifestar-se como contrários ao sofrimento relatado anteriormente. Deveriam ler o Evangelho com maior atenção, aprofundar seus estudos sobre a pregação de Jesus Cristo e rever sua posição sobre este tema polêmico.
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A Feira do Livro de Erechim já iniciou e segue com inúmeras atividades até o domingo 14/09. Haverá uma sessão de autógrafos na sexta-feira, amanhã à noite, 12/09, estarei lá na companhia de colegas escritores. Participe, prestigie os autores locais! Este momento da Feira é a ocasião propícia para formar novos leitores em nossa cidade. Espero que os ditados: Santo de casa não faz milagre ou Em casa de ferreiro, espeto de pau não se confirmem nos próximos dias.
O tema da pouca valorização da arte em Erechim me preocupa e questiono se esta atitude ocorre por desprezo ou por desconhecimento da população. Reconheço que há pouca oferta cultural na cidade, mas a pouca que há, não é valorizada como deveria. Falta conscientização sobre o valor da arte ao povo erechinense! Não me refiro aqui a espetáculos inacessíveis por alto custo, mas a programações gratuitas de qualidade que são oferecidas durante a Feira e, também, ao longo do ano. O SESC sempre apresenta diferentes espetáculos: música, teatro, cinema, etc e poucos em nossa cidade participam. Desculpem a agressividade, porém neste caso não se trata de anencefalia! É muito pior, é o caso de má utilização cerebral, de gente que prefere programas do estilo de Big Brother à leitura de um livro. Burrice!
Publicado em 11 de setembro de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10