Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

20/8/08

A tartaruga e o coelho

     Na semana passada dois eventos, envolvendo ilustres brasileiros, trouxeram a comoção ao Brasil: a medalha de ouro na Natação para César Cielo e a despedida do músico baiano Dorival Caymmi. Dois gênios de diferentes décadas, afinidades e ritmos.
     Atletas advindos de países acostumados a medalhas, ao subir ao podium parecem, muitas vezes, indiferentes ao hino de seu país que entoa pela vitória. As lágrimas do brasileiro Cielo emocionaram o mundo. Um país que pouco, ou nada, investe em esporte como o nosso, (exceto o futebol masculino, que, aliás, teve uma atuação decepcionante nestas olimpíadas!) quando alguém conquista uma medalha, sabemos que é por mérito próprio. Apesar disto, o esportista chora e canta ao ouvir o hino nacional brasileiro.
     E falando em cantar, Caymmi cantou o Brasil como poucos. Em suas músicas mostrava a Bahia, na arquitetura (365 igrejas Bahia tem), na culinária (todo mundo gosta de acarajé / todo mundo gosta de abará), no amor pelo mar e por Yemanjá (é doce morrer no mar / nas águas do mar da vida), no jeito alegre (eu vou prá Maracangalha, / eu vou!).
Em entrevista ao completar noventa anos, Caymmi diante da pergunta se teria algum conselho para dar sobre a vida, respondeu: É seguir o que há de melhor que a vida pode oferecer, não é só o prazer. É a atividade, a hora da contemplação, a hora do sossego, a hora do bem-estar, a hora da obrigação. (…) Nós precisamos de instrução, educação doméstica, educação de cidadania. É o que eu desejo, é o que eu imagino para a felicidade de uma nação.
     O menino de ouro, César Cielo, também demonstra sabedoria em entrevista, após a medalha em Pequim: O mais difícil não é ganhar dos outros, e sim de si próprio. O nadador conhece o seu limite, e a natação é uma luta diária.
      Ambos destacaram a importância do trabalho, apesar de ritmos de vida diferentes. São como a tartaruga e o coelho, nem preciso dizer quem se identifica com qual animal…
Caymmi e Cielo representam o nosso país e nos enchem de orgulho. E digo representam, afinal artista nunca morre, o Brasil e a Bahia permanecerão na voz de Caymmi para sempre Com a graça de Deus, ainda lá, a Bahia tá viva, ainda lá.
     Cielo aos 21 anos, ainda tem muito para viver, para nadar! “Eu nunca me preocupei em ser um cara famoso, reconhecido pela mídia. O que eu quero é olhar para trás e ver que eu fiz o meu melhor”, afirmou em entrevista após o Pan. É isto mesmo que move o ser humano: o desejo de dever cumprido seja na arte ou no esporte, enfim no exercício diário, na vida de cada um.
      Que a gente saiba ser vencedor, como Caymmi e Cielo, exemplos de humildade e determinação a comover o planeta.

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Obs.: Estas abertas as inscrições para o I Concurso de Contos Gladstone Osório Mársico, até o dia 1º de setembro, aberto a todos interessados. Uma promoção da Prefeitura Municipal de Erechim, com a colaboração do Departamento de Lingüística, Letras e Artes da URI/ Campus de Erechim. Participem!

Publicado em 21 de agosto de 2008, Jornal Bom Dia, p. 2

criado por joselmanoal    15:27 — Arquivado em: Crônica

2 Comentários »

  1. Comentário por Tatiana — 21 21UTC agosto 21UTC 2008 @ 17:07

    Parabéns pelo Texto e pela sensibilidade.

  2. Comentário por josi — 22 22UTC agosto 22UTC 2008 @ 21:21

    Emocionante a alegria de Cielo ao receber a medalha. Adorei o teu texto. Bjs.

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