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Entre os fatos que me causam maior aborrecimento e ira, está, sem dúvida alguma, a mentira. Que desagradável o convívio com esta falsidade a nos tratar como estúpidos! O fato de ser enganado, transforma qualquer cordeiro em lobo (prova maior está nas relações amorosas, quando há provas de traição do companheiro!). O engano ao mundo, na abertura dos Jogos Olímpicos na China sobre a cantora mirim, trata a todos como imbecis diante dos espertos chineses. A verdadeira voz foi escondida por não estar de acordo com os padrões de beleza estipulados, para dar vez a menina bonitinha que dublou e encantou o mundo. Um espetáculo construído na base da mentirinha! Que absurdo!!!!
Dediquei uma crônica a Edith Piaf, que de bela nada tinha, mas que jamais deveria ser escondida do palco por esta razão. Artistas são belos por natureza. A voz de Piaf a transformou em pássaro, adjetivo que talvez não possa ser aplicado a mais ninguém a não ser a ela mesma; brilhante em sua feiúra e deselegância corporal, sabia ser elegante, como nenhuma outra mulher no palco, em sua harmonia e singularidade vocal.
A menina chinesa, Yang Peiyi, da voz revelada e do rosto escondido, não é feia, é gordinha e tem os dentes um pouco tortos, nada assustador, nenhuma aberração que não pudesse encantar o mundo como a outra, Lin Miaoke, que dublou e ouviu aplausos indignamente. Que exemplo foi dado a estas meninas? A falsa: de que na vida ser bonitinha é o que vale! A verdadeira: que não basta ter talento, tem que ser bonitinha!
Esta padronização da beleza me deixa roxa de raiva! Evoluímos em tantos aspectos e com esta atitude comprovamos que não passamos de um bando de imbecis. Achei que a China fosse mais evoluída e não doutrinada por estes valores impostos pela sociedade capitalista. Na minha ignorância imaginei que os comunistas tivessem uma outra visão da arte, não aliada a um padrão de beleza estipulado. Triste engano!
A beleza, em minha concepção, está muito mais no estado de espírito, na profundidade e no conteúdo, do que em um rosto perfeito. Conheço muitas pessoas belas feias e outras feias belas! Não pensem que enlouqueci, me permitam uma explicação da confusa teoria:
Às vezes, ao assistir entrevistas com pessoas consideradas belas (atores, modelos, etc) muitas se transformam em feias, devido à arrogância, à antipatia, à falta de conteúdo e de pronfundidade ou como bem descreve minha mãe: são vazias. Já, em outros casos alguém que considerava feio, me surpreende em sua fala, por sua maneira de olhar o mundo, de interpretar os fatos da vida, enfim, mudo de opinião, e passo a vislumbrar uma beleza, até então desconhecida. Por isto é tão arriscado fazer pré-julgamentos, a beleza é algo mais profundo.
Ao olhar as fotos das chinesas, diante de meu assombro com o fato de excluir uma criança talentosa das luzes e dos aplausos merecidos e oportunizar o momento de glória a uma farsante mirim, considero Yang Peiyi muito mais bonita que Lin Miaoke. Afinal nada é mais belo do que a verdade!
Espero que este acontecimento sirva de reflexão e que a gente use da mentirinha só para o bem, como no caso de concursos em que se faz uso de pseudônimos. Aliás, estão abertas as inscrições para o I Concurso de Contos Gladstone Osório Mársico, até o dia 1º de setembro, aberto a todos interessados. Uma promoção da Prefeitura Municipal de Erechim, com a colaboração do Departamento de Lingüística, Letras e Artes da URI/ Campus de Erechim. Participem!
Publicado em 14 de agosto de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10
Com os preparativos para as olimpíadas, que iniciam esta semana, e com a comemoração do Dia dos Pais no domingo, não poderia deixar de escrever sobre ambos!
Os pais sempre são atletas, apesar de, em sua maioria, estar fora de forma, com algumas gordurinhas excessivas na região abdominal. Não importa, os pais são atletas e merecem muitas medalhas!
Bem, vou comprovar porque os pais são atletas: fazem ginástica (artística, rítmica) para pagar as contas; exercitam a corrida (com ou sem obstáculos) atrás do filho quando este aprende a caminhar. Levantam peso, principalmente quando os bebês dormem no colo de pé. Devem ter uma excelente preparação física para manter-se acordado ou despertar de madrugada para buscar o filho adolescente na balada. Executa saltos ornamentais para evitar acidentes quando o filho, criança, aprende a mexer em tudo.
A vida em família é mesmo como um esporte! Divertida, às vezes com machucados e contusões, sempre buscando a vitória, que se dá com as pequenas conquistas de cada um.
A luta, o boxe, a esgrima, o judô, o taekwondo, também ocorrem com o enfrentamento de gerações, por meio de debates acirrados na fase adolescente ou adulta do filho. Esclareço que o enfrentamento se dá no âmbito da palavra, da exposição de idéias, jamais em um enfrentamento corporal (assim deveria ser).
O esporte muitas vezes em família é uma maneira de aproximar as pessoas seja vôlei, futebol, basquete, tênis, a idéia mais importante é a de compartilhar, a de estar junto e a de manifestar um gosto comum. Torcer, gritar, vibrar, emocionar-se – sensações que se manifestam ao lado das pessoas com as quais temos intimidade. E foi assim, com a vibração de meu pai, que aprendi a amar o Internacional. Apesar de não ser apaixonada por futebol, a emoção dele me contagiou e sou incapaz de torcer por outro time!
Outro esporte muito popular, além do futebol, é o ciclismo. A maioria das pessoas praticou este esporte, em algum momento da vida. Quem não lembra do dia em que tirou as rodinhas da bicicleta? Tarefa executada pelos pais, já que as mães, em sua maioria, são protetoras e nunca acham os filhos preparados para os tombos. Os pais por sua vez, transmitem aos filhos esta coragem do andar sem rodinhas, nos ensinam a cair, a aceitar que vamos mesmo cair e esfolar os joelhos para aprender a andar com segurança. Eles nos ensinam a viver e a entender que só vamos aprender a andar caindo, que a queda faz parte do aprendizado. E esta lição é pra toda vida! Na hora do curativo, as mães até podem estar por perto, mas, sabemos que, se dependesse delas, as rodinhas permaneceriam ali para sempre... Os pais, sim, nos ensinam a cair e a nos reerguer.
Nem sempre nadamos sincronizados com nossos pais, podemos divergir em muitos pontos de vista. No entanto, quando nos sentimos em um trampolim, quem nos empurra é a mão do nosso pai. Este homem que torce, vibra e deseja remar com a gente, embora os nossos rumos nem sempre sejam os mesmos.
Feliz Dia dos Pais aos nossos atletas! Um abraço especial ao Leonildo, meu atleta colorado, que merece medalha de ouro!
Sorte para o Brasil nas Olimpíadas!
Publicado em 7 de agosto de 2008, Jornal Bom Dia, p. 12
A adolescente está sempre no pomar. A mãe pensa que pela atração às frutas. Nem imagina o que fazem, entre as árvores, a garota e o gnomo.