Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

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Arquivo de: Julho 2008, 23

23.07.08

A dança e os filhos

categorias: Crônica



1.       A UFRGS oferecerá em 2009 o Curso de Dança. Muitas vezes, nas escolas, quem ministra a disciplina de Dança é o professor de Educação Física ou o de Artes. Importante que os profissionais sejam preparados de modo mais específico para o exercício da função nas escolas. Acredito que, por meio da arte, possam ser resgatadas muitas crianças! Já há inúmeros trabalhos que comprovam isto.
       A extensa e amarga reportagem da Zero Hora sobre os dependentes do crack, alerta sobre a gravidade do problema. Uma maneira de evitar o aumento do número de usuários da droga (esta ou outra qualquer), de mostrar as crianças e adolescentes de classe baixa, outro mundo, é através da arte e do esporte. Quantos talentos morrem desconhecidos nas mãos de traficantes e cafetões?
        As escolas, não somente as privadas, mas também, e principalmente, as públicas, devem investir na arte e no esporte. Nenhum desprezo as demais disciplinas, mas talvez sejam mais atraentes as matérias que priorizem a criatividade e a linguagem corporal. Funciona como um momento de catarse, no palco ou no ginásio de esportes o menino favelado esquece a miséria por alguns minutos e pode virar estrela. Basta que se abram portas, que lhe sejam mostrados outros caminhos.
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2.          O casamento antes dos filhos é bastante diferente, isto é inegável! Com o nascimento de um novo membro na família, surge um momento de readaptação, o que nem sempre ocorre com tranqüilidade. Há uma diferença entre o casal, afinal não foram educados pelos mesmos pais, então entram em jogo as diversidades, os valores que nos foram atribuídos em nossa casa, anterior a esta que agora ocupamos. Quem já passou por esta fase sabe bem do que estou falando.
        A maioria dos casais tem dificuldades em administrar a vida amorosa, após a chegada do filho. Acabam esquecendo de que formam um casal, não são somente pais. Uma função não desmerece à outra, devem ser exercidas concomitantemente, o que convenhamos não é nada fácil.
       O tempo deve ser controlado e reservado para algum momento a dois, podem ser apenas algumas horinhas uma vez por semana, uma vez por mês. E para estas ocasiões existem as babás, as avós, as tias, as dindas, as amigas. E podem ter certeza que a criança também irá agradecer ter um momento sem os pais grudados ao seu lado. Tal gesto pode contribuir para a independência e a segurança do garoto.
        Portanto, nada de culpar os filhos pelo insucesso do casamento! Cabe aos pais, que são bem crescidinhos e adultos, saber conviver e administrar o duplo papel de pai e marido ou mãe e esposa. A princípio sei que pode parecer tarefa quase impossível, no entanto é compensador exercitar o amor como mãe e como mulher.

Publicado em 24 de julho de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10.

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  • Postado em 15:30:42

APIMENTANDO A ROTINA

Escrito pela jornalista Grazieli Gotardo

     Aroma Hortelã (Ed. Movimentos, 103 p.), primeiro livro da professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Joselma Noal, surpreende pela força com que trata temas vivenciados por pessoas e situações comuns. A autora discorre sobre assuntos do cotidiano em 58 contos, curtos na extensão, mas intensos na abordagem. Um chá da tarde, um casamento desfeito, amores proibidos, vontades reprimidas, ganância, família. As personagens femininas se destacam pelos pensamentos proibidos, devaneios, pitadas de erotismo, descontrole emocional, inveja e sentimentos reprimidos. Mulheres oprimidas nas atitudes e pensamentos, que num instante de liberdade satisfazem suas vontades e, outras, que se mantêm no campo das fantasias. A autora trabalha a interrelação entre personagens em contos distintos e algumas estórias têm seqüência na seguinte, porém, sem linearidade. O recurso oferece um tempero especial, sem deixar a narrativa cair no óbvio. Fica para o leitor a interpretação dos acontecimentos. O título remete ao segundo e terceiro contos do livro, revelando uma relação incomum entre a tia, o sobrinho e o chá de hortelã que os une.

Publlicado em Extra-classe, Jornal do SINPRO, Ano 13 - nº 125, julho de 2008

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