Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

30/7/08

ESQUETE TEATRAL

ASSISTAM CONTA-GOTAS - ADAPTAÇÃO DE MEU LIVRO DE CONTOS AROMA HORTELÃ POR SEVERINO MIRANDOLA JÚNIOR.  ATORES: MICHELE RODRIGUES TOMAZONI, ADRIANO MASSARO (DIREÇÃO). SAXOFONISTA: ALEXANDRE POMPERMAYER.

AÍ ESTÃO OS LINKS:

PARTE 1: http://www.youtube.com/watch?v=mzyzvmWvhZ8

PARTE 2 http://www.youtube.com/watch?v=ygFlKPDQG0E
PARTE 3  http://www.youtube.com/watch?v=D_vnSrwSeGs 

criado por joselmanoal    15:45 — Arquivado em: Sobre o livro Aroma Hortelã

29/7/08

Dolores Duran e Edith Piaf

     Assisti ao especial Por toda minha vida sobre Dolores Duran na Rede Globo em 17/07 e no último fim de semana vi o dvd Edith Piaf – um hino ao amor. Fiquei absolutamente embasbacada, embevecida com a beleza das vozes e a história de vida destas duas magníficas mulheres.
     Apesar da miséria em que viviam, confiavam em seus talentos e tinham a certeza do sucesso! Ambas eram pobres, fisicamente debilitadas, donas de timbres únicos, inimitáveis,
     Adotaram nomes artísticos, sem nenhuma pesquisa astrológica, Adiléia Silva da Rocha tornou-se Dolores Duran e Edith Giovanna Gassion fez-se Edith Piaf.
     A francesa, primeiramente chamada no meio artístico como la Môme Piaf, pequeno pardal, por sua aparência frágil e sua poderosa voz, depois foi chamada Edith Piaf.
     Já o nome da brasileira, lhe foi atribuído em razão da doença cardíaca que lhe acompanhava desde a infância, dores que perduram. Talvez, justo por conviver com a doença e estar ciente da brevidade da vida, soube viver de modo intenso, impetuoso, pode ser, até mesmo, considerado irresponsável. Ao cantar em inglês, francês, italiano e espanhol parecia uma falante nativa destes idiomas. Possuía uma habilidade impressionante em reproduzir os sons de línguas estrangeiras que jamais havia estudado formalmente. Compunha em qualquer espaço. Suas canções-poema nasciam em mesas de bar, escritas com o lápis de olho em um guardanapo qualquer.
     Dolores faleceu com vinte e nove e Piaf aos quarenta e oito anos. Aproveitaram ao máximo a vida. Sem medir as sérias conseqüências do uso de drogas e bebidas. Viveram muito pouco para as muitas composições e interpretações inesquecíveis. Canções que falam do amor como poucas. Mulheres com alma de artista que nasceram para o palco (apesar da péssima aparência de Piaf). Tiveram vários amores, casamentos desastrosos, mas jamais desistiram de amar. Acreditaram no amor e o entoaram em cada interpretação musical. Eternizaram o nobre sentimento em suas vozes singulares. 
     Enfrentaram inúmeros preconceitos: pobreza, marginalidade, sexo, raça. Nunca se intimidaram, nunca desistiram. Piaf chegou a cair no palco, mas sempre retornava, pois já não sabia viver longe dele. Dolores e Edith cantaram a vida até o último instante.
     Dolores Duran e Edith Piaf me fizeram lembrar Cazuza, sem limites para viver, para aproveitar a vida. E para amar! Foram criticados por preconceituosos pela maneira  como conduziram seus dias. E serão eternamente aplaudidos pelos que amam a arte!

Publicado em 31 de julho de 2008, Jornal Bom Dia. p. 2

criado por joselmanoal    20:51 — Arquivado em: Crônica

23/7/08

A dança e os filhos

1.       A UFRGS oferecerá em 2009 o Curso de Dança. Muitas vezes, nas escolas, quem ministra a disciplina de Dança é o professor de Educação Física ou o de Artes. Importante que os profissionais sejam preparados de modo mais específico para o exercício da função nas escolas. Acredito que, por meio da arte, possam ser resgatadas muitas crianças! Já há inúmeros trabalhos que comprovam isto.
       A extensa e amarga reportagem da Zero Hora sobre os dependentes do crack, alerta sobre a gravidade do problema. Uma maneira de evitar o aumento do número de usuários da droga (esta ou outra qualquer), de mostrar as crianças e adolescentes de classe baixa, outro mundo, é através da arte e do esporte. Quantos talentos morrem desconhecidos nas mãos de traficantes e cafetões?
        As escolas, não somente as privadas, mas também, e principalmente, as públicas, devem investir na arte e no esporte. Nenhum desprezo as demais disciplinas, mas talvez sejam mais atraentes as matérias que priorizem a criatividade e a linguagem corporal. Funciona como um momento de catarse, no palco ou no ginásio de esportes o menino favelado esquece a miséria por alguns minutos e pode virar estrela. Basta que se abram portas, que lhe sejam mostrados outros caminhos.
……………………………………………………………………………………………………………….
2.          O casamento antes dos filhos é bastante diferente, isto é inegável! Com o nascimento de um novo membro na família, surge um momento de readaptação, o que nem sempre ocorre com tranqüilidade. Há uma diferença entre o casal, afinal não foram educados pelos mesmos pais, então entram em jogo as diversidades, os valores que nos foram atribuídos em nossa casa, anterior a esta que agora ocupamos. Quem já passou por esta fase sabe bem do que estou falando.
        A maioria dos casais tem dificuldades em administrar a vida amorosa, após a chegada do filho. Acabam esquecendo de que formam um casal, não são somente pais. Uma função não desmerece à outra, devem ser exercidas concomitantemente, o que convenhamos não é nada fácil.
       O tempo deve ser controlado e reservado para algum momento a dois, podem ser apenas algumas horinhas uma vez por semana, uma vez por mês. E para estas ocasiões existem as babás, as avós, as tias, as dindas, as amigas. E podem ter certeza que a criança também irá agradecer ter um momento sem os pais grudados ao seu lado. Tal gesto pode contribuir para a independência e a segurança do garoto.
        Portanto, nada de culpar os filhos pelo insucesso do casamento! Cabe aos pais, que são bem crescidinhos e adultos, saber conviver e administrar o duplo papel de pai e marido ou mãe e esposa. A princípio sei que pode parecer tarefa quase impossível, no entanto é compensador exercitar o amor como mãe e como mulher.

Publicado em 24 de julho de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10.

criado por joselmanoal    15:30 — Arquivado em: Crônica

APIMENTANDO A ROTINA

Escrito pela jornalista Grazieli Gotardo

     Aroma Hortelã (Ed. Movimentos, 103 p.), primeiro livro da professora da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões (URI), Joselma Noal, surpreende pela força com que trata temas vivenciados por pessoas e situações comuns. A autora discorre sobre assuntos do cotidiano em 58 contos, curtos na extensão, mas intensos na abordagem. Um chá da tarde, um casamento desfeito, amores proibidos, vontades reprimidas, ganância, família. As personagens femininas se destacam pelos pensamentos proibidos, devaneios, pitadas de erotismo, descontrole emocional, inveja e sentimentos reprimidos. Mulheres oprimidas nas atitudes e pensamentos, que num instante de liberdade satisfazem suas vontades e, outras, que se mantêm no campo das fantasias. A autora trabalha a interrelação entre personagens em contos distintos e algumas estórias têm seqüência na seguinte, porém, sem linearidade. O recurso oferece um tempero especial, sem deixar a narrativa cair no óbvio. Fica para o leitor a interpretação dos acontecimentos. O título remete ao segundo e terceiro contos do livro, revelando uma relação incomum entre a tia, o sobrinho e o chá de hortelã que os une.

Publlicado em Extra-classe, Jornal do SINPRO, Ano 13 - nº 125, julho de 2008

criado por joselmanoal    11:21 — Arquivado em: Sobre o livro Aroma Hortelã

18/7/08

Partidos

     Depois que ele partiu, ela o mesmo fez com o cd, rompendo-o em dois pedaços.
     Não funcionou!
     A música permaneceu em seus ouvidos, assim como o beijo molhado dele em suas orelhas.

criado por joselmanoal    12:56 — Arquivado em: Conto minimalista

17/7/08

Uma dose de auto-reflexão e uma gota de piedade

     Sempre que a visita, lembra do sonho das duas adolescentes: correr o mundo! À prima faltaram-lhe pernas.

criado por joselmanoal    21:53 — Arquivado em: Conto minimalista

16/7/08

O valor da amizade

     Em 20 de julho comemoramos o Dia do Amigo. Não te esqueças de encontrar aqueles assim considerados por ti, leitor. Um grupo seleto, aqueles com quem compartilhamos a vida. Não significa que vejamos os amigos todos os dias, inclusive pode fazer muito tempo que não os vemos, mas trocamos alguns e-mails de vez em quando, telefonamos, às vezes, para dar um olá. E quando nos encontramos, nos sentimos os mesmos ao seu lado Com os amigos somos verdadeiros e espontâneos. Não nos preocupamos com as palavras, com o tom, nem com a gritaria. Não há polidez alguma, só o mais puro amor. Isto é amizade para mim!
     Claro, há um tempo em que encontramos os amigos todos os dias, são os colegas de escola, de clube, de grupo de igreja, enfim vemos o nosso grupo com maior freqüência que na vida adulta. Época esta em que todos trabalham, estudam. Com o passar do tempo os encontros tornam-se restritos, mas não menos intensos. Pelo contrário, como se tornam mais raros, são muito mais planejados.
     Outro dia, aguardávamos a visita de amigos que não víamos há uns dois anos. A semana foi de expectativa, me senti feito uma criança, contando os dias para a chegada de nossos amigos. Lembrei das excursões da escola, em que eu não dormia bem à noite, devido à ansiedade para o passeio. E eu ri à toa, durante aquele feriado de 1º de maio, apesar do frio (que abala tremendamente o meu humor!), porque estávamos entre amigos.
     Os tempos de internet (e-mail, blog, MSN, orkut) são oportunos para dar um oi aos amigos e agilizam a comunicação. Mas, por favor, às vezes enviem um texto pessoal, não encaminhem tão-somente anjos e paisagens. Falem de si. Tenho certeza que tens muito a dizer… Eu envio e recebo e-mails de meus amigos, com desabafos de alegria e dor. E a reciprocidade, a confiança e o amor estão ali. Valorizo muito mais um texto pessoal que mil anjos. Com todo o meu respeito e admiração ao Serafim!
Como tenho um blog, com um significativo número de acessos, tenho uns amigos virtuais. Pessoas que desconheço o rosto e o olhar, mas que visitam a minha página, que escrevem comentários sobre meus textos e pelas quais tenho simpatia e, até mesmo, um carinho, uma amizade. Algo mágico, especial!
     E falando sobre mágico, especial, lembrei de outro fato importante: como professora é a primeira vez que recebo a homenagem de Amiga da Turma (Letras 2004), uma emoção e tanto, porque se ser professor já é bom, ser amiga é ainda melhor! Um gesto que revela ternura. Ternura que também tenho por estes alunos. E mais importante do que marcar esta gurizada querida como professora é deixar também uma marca de amiga. Afinal, os professores nos são dados, os amigos são escolhidos!
     Feliz Dia do Amigo a todos.

criado por joselmanoal    13:17 — Arquivado em: Crônica

9/7/08

Quatro toques

     1. Quando eu era criança, lá pelos anos 70 e o Brasil vivia em plena ditadura militar, eu tinha medo de policiais. Hoje, apesar de não sermos mais governados por militares em nosso país, confesso: sigo temerosa diante de qualquer farda, seja ela de militares ou policiais. Não é respeito não, é medo de verdade mesmo, tenho consciência de que nada fiz de errado para ser presa, mas o abuso do poder me assusta. Homens despreparados portando armas. Sei que são mal remunerados, que sofrem pressão psicológica, enfim, assisti Tropa de Elite, gostei do filme, apesar de ter contribuído para o meu temor, para um abrir de olhos sobre um Brasil muito pior do que qualquer um poderia imaginar. A realidade é assustadora!
     No Rio de Janeiro, na terça-feira, 8/07, policiais mataram um menino de três anos, que voltava de uma festa com sua mãe e seu irmão, estavam quase chegando em casa, quando o automóvel deles foi confundido com o de bandidos. Um ato de negligência, pois tiros devem ser disparados diante de certezas, não de suspeitas. Não pode haver confusão diante da vida de um menino de três anos.

     2. O Laçador pichado mais uma vez! Quem gosta de brincar de spray por que não opta por graffiti? Aí sim é arte e não barbarismo! O desrespeito ao símbolo da cidade comprova o quê mesmo? Falta de educação, de bom senso, de consciência sobre o patrimônio público. Sou favorável à filmagem, a fim de punir os pichadores.

     3. O Sarau Elétrico de Porto Alegre fez nove anos na mesma terça-feira, 8/07, parabéns pela iniciativa de, em meio ao caos urbano (disparos da polícia em inocentes e pichações grotescas em monumentos), ler, discutir literatura, ouvir uma boa música. Através destes momentos artístico-literários as pessoas podem entender melhor o mundo ou a aprender a suportá-lo. A arte sempre nos apresenta um novo olhar diante da vida e nos dá um certo alento. A arte não é fuga da realidade, é o encontro com uma nova realidade!

     4. Também se lê e se discute literatura em Erechim. Um grupo de amigos leitores reuniu-se, um entardecer de domingo, para ler. Um gesto que fez a diferença e concedeu, ao nosso final de domingo, um momento de magia.
      Na segunda-feira, 7/07, participei de um encontro literário na Biblioteca da Escola Mantovani. Aliás, todos estão convidados a participar, se realizam leituras e discussões de textos literários sobre a coordenação da idealista Profª. Dercila Cavassola. O único critério para participar é ser um leitor, ser alguém que aprecie ler. Na próxima segunda-feira, 14/07, haverá um novo encontro às 17h30min.

     Os dois primeiros toques descrevem acontecimentos bárbaros e os últimos destacam boas novas. Espero que os últimos toques não apaguem a força dos outros dois e sirvam justamente para tentar uni-los. Que a gente dê a vida um pouco de ternura, que a gente se permita um pouco de arte para aliviar a dor.

Publicado em 10 de julho de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10

criado por joselmanoal    14:02 — Arquivado em: Crônica

2/7/08

O exemplo e a vergonha

     Na mesma semana no jornal Zero Hora (dias 1º e 2/07/08) duas notícias antagônicas se destacam. Uma atitude é de exemplo; a outra é de vergonha. Os personagens: um jardineiro e uma bibliotecária.
    O jardineiro fez o que muitos julgam gesto tresloucado: devolver um dinheiro que não lhe pertencia. Agiu conforme a educação que lhe foi dada, aprendeu na família que se deve primar na vida pela honestidade, e, assim, o fez. Em nosso país ser honesto, muitas vezes, é tratado como prova de imbecilidade. Nossa sociedade prima por outros valores. O sujeito deve ser bem sucedido, nem que para obter tal êxito tenha que derrubar qualquer obstáculo. O mercado de trabalho está cada dia mais competitivo e para vencer vale tudo. O cinismo, a desonestidade, a falta de ética e princípios tem se instalado nos ambientes profissionais de nosso país. O modelo está entre políticos eleitos, os representantes de nosso país que atuam de forma indecorosa e corrupta.
     A bibliotecária de uma universidade, demitida por justa causa, vendia monografias de final de curso, poderia até aparentar solidariedade e compreensão, diante de alunos formandos das mais diversas áreas de conhecimento, que alegam falta de tempo para a escrita do trabalho final. Se não há tempo, que realizem a escritura em outro momento, que finalizem o curso em outro semestre, que priorizem o trabalho final! Afinal vão receber um diploma. Que tipo de profissionais estamos formando? A falcatrua no meio acadêmico tem se disseminado feito uma praga e está cada vez mais difícil conter o engodo, a mentira. Agora, além da correção, o docente deve perder algum tempo na busca de fragmentos do trabalho, ou até mesmo, do trabalho completo, pesquisando na Internet. Não se pode mais acreditar em tarefa executada fora do espaço da sala de aula.
     A devolução do dinheiro, feita pelo jardineiro, é nobre e rara, por sua vez, a confecção de trabalhos acadêmicos, desde monografias a teses de doutorado, trata-se de um mercado abundante e em plena ascensão. Os responsáveis pela escrita de trabalhos acadêmicos compactuam com a desonestidade, contribuem para a inserção no mercado de trabalho de novos incompetentes profissionais brasileiros.
     Espero que, no momento de seleção para ingresso profissional, se destaquem os honestos, os que escreveram de próprio punho a sua monografia, a sua dissertação, a sua tese. E para os demais restam outros caminhos, vamos torcer para que não invistam na carreira política, pois ali podem encontrar seu espaço ideal!
     Meus mais sinceros aplausos ao jardineiro Javel Gomes da Silva!

Publicado em 3 de julho de 2008, Jornal Bom Dia, p. 10 e em 5 de julho de 2008, Zero Hora, p. 20

 

criado por joselmanoal    11:33 — Arquivado em: Crônica
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