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Os ladrões estão se sofisticando ou são os mesmos invadindo novos espaços? Esta pergunta é suscitada, em razão de dois acontecimentos recentes.
O roubo de telas de Picasso, Di Cavalcanti e Lasar Segall na Estação Pinacoteca no centro de São Paulo, na semana passada, 12 de junho, me deixou intrigada.
Agora acabo de finalizar a leitura da Zero Hora (quarta-feira, 18 de junho, p. 30) com outro assombro. Em Arroio do Meio, interior do RS, foram colocadas grades em portas e janelas para aumentar a proteção da igreja. Houve um tempo em que nos sentíamos protegidos em igrejas sem uma única grade. A igreja matriz Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi invadida em maio, arrombaram o sacrário e levaram dois cibórios de ouro com hóstias consagradas.
No caso da Pinacoteca, os assaltantes planejaram, muito bem, como levariam as telas, visitaram o espaço dois dias antes, conforme imagens filmadas no local.
Já na igreja, parece uma ação de vandalismo e rebeldia, feita, provavelmente, por uma meia dúzia de garotos insanos. Nada tão profissional, mas que não deixa de ser, também, perturbador!
Em qualquer um dos dois casos ocorre uma novidade, sei que não se trata de um primeiro caso, nem de assalto em museus, nem de igrejas. A questão que assusta é, justamente, a repetição da falta de cuidado com o patrimônio cultural e religioso. A novidade é tornar-se comum a invasão a museus e igrejas. E nós nos acostumarmos com mais um ato desrespeitoso contra a sociedade.
O descaso com o bem público, o desrespeito à fé do outro. De que serviriam hóstias consagradas fora de uma igreja? É para perturbar, para irritar, para agredir. Não roubaram hóstias para brincar de missa! Digo isto por que meus irmãos e eu brincávamos de missa na infância. Minha irmã sempre era o padre e nossa hóstia era de bolacha Maria mesmo. Uma ocasião, perguntei às freiras, na escola onde eu estudava, se era pecado a tal brincadeira. Fiquei bem aliviada com a resposta de que não se tratava de nenhum pecado. O pior era ter de escutar os sermões da minha irmã...
Mas voltando a questão: passamos a não dar a devida importância aos roubos, eles passaram a fazer parte do nosso cotidiano. A preocupação passou a ser tão-somente com o próprio umbigo. O egoísmo dá o tom à sociedade contemporânea. E se o roubo não ocorreu no museu que gente visita e na paróquia que a gente freqüenta. Azar!
Sem dúvida o que falta ao tranqüilo brasileiro é a indignação!
Publicado em 19 de junho de 2008, Jornal Bom Dia