Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

7/5/08

Na falta do manual, exercite o amor e a paciência!

     Ser mãe parece tarefa tão simples, até o dia em assumimos tal função. Filhos são presentes de Deus, porém sem garantia ou direito à devolução. O invólucro é sensível e não vem acompanhado de manual, embora muitas mães adquiram um exemplar de livros como Saúde do Bebê, Livro do Bebê, Seu Bebê (do nascimento aos dois anos). Ajuda, claro, mas a leitura da obra não funciona exatamente como a do manual do dvd, da geladeira, etc. Filhos não vêm com botão de liga/desliga, nem são autolimpantes.
     Constatação óbvia: o ser humano é mais complexo do que o mais sofisticado aparelho eletrônico! Por isto educá-los é dificílimo! Não há receita infalível, mesmo assim muitas mães insistem em encontrá-la em livros de auto-ajuda.
     Na verdade contamos mesmo é com o amor e o bom senso. A dosagem exata do limite é sempre inexata. As relações familiares antigamente eram pautadas por um respeito, quase um medo, dos filhos em relação aos seus pais. Atualmente a intimidade é muito maior, as relações são mais igualitárias. Devido a isto, tenhamos que fazer uso freqüente do vocábulo da moda: limite.
     Ser mãe, assim como praticar esportes radicais, propicia experimentar fortes emoções. Acompanhar o aprendizado de passos e palavras, presenciar descobertas, conhecer bonecas, também amigos, ficantes, namorados. Contribuir para a autonomia, sem deixar de mimar um pouquinho.
     Definitivamente: arrogância e orgulho não combinam com o ser mãe! Já o amor e a paciência são sentimentos imprescindíveis. Por isto digo e repito que ser mãe é para poucas. Nem todas apresentam as exigências mínimas para a maternidade. Respeito as mulheres que optam por não ter filhos e lamento as que os têm por pressão social.
     A visão dos filhos sobre suas mães, varia de acordo com a faixa etária deles. Na adolescência a mãe é questionada, é criticada ao extremo. As mães passam a ser compreendidas pelas filhas, na fase adulta, no momento em que elas, filhas, também vivenciam a experiência da maternidade. (Não sei se os filhos conseguem tal façanha…) Nesta etapa da vida cometemos erros e acertos comuns e a cumplicidade nos aproxima de nossas mães.
     As crianças, hoje, têm outra visão a respeito de suas mães. São mais críticas, mais realistas. Não idealizam tanto a figura materna! Não somos perfeitas para nossos filhos, como nossas mães eram para nós. Mas um pouquinho de admiração ainda existe dentro daquele olhar que se desnuda diante do palco da escola na homenagem por nosso dia. Todos os olhos seguem à procura pela mãe. E assim será por toda vida. Queremos a admiração, o orgulho destas mulheres. Desejamos encontrar nossas mães. Estas valentes que choram e se emocionam à toa a cada vitória de seus filhos, como fazem, ou fizeram um dia, ao ouvir a canção na homenagem da escola. Mas bem que poderiam apagar da memória as fantasias ridículas das encenações infantis. Eu, por exemplo, fui a Banana da Salada de Frutas da Mamãe em uma apresentação escolar. Quer trauma pior?
     Um carinhoso abraço a todas as mães, em especial a Joecí que guarda até hoje a minha fantasia de banana e garanto que achou, na ocasião, linda a filha abananada. Mães?!?!

Obs.: Saudações Coloradas!!!!!

Publicado em 8 de maio de 2008, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    11:02 — Arquivado em: Crônica

2 Comentários »

  1. Comentário por jessica — 9 09UTC maio 09UTC 2008 @ 20:53

    ……

  2. Comentário por Joao Luis Amaral — 13 13UTC maio 13UTC 2008 @ 10:29

    He he he!
    Pode ter certeza de que os filhos também entendem o outro lado da moeda, o ser pai, e tudo aquilo que fizeram e aprontaram quando eram apenas filhos.
    Nós também passamos a lembrar dos velhos e bons puxoes de orelhas, no estilo “vc vai me entender quando tiver seus filhos”… e, agora que tenho um nanico perambulando pela casa, faço tudo igualzinho à minha mãe, meio que por instinto. Não porque acho que é mais certo, mais adequado… simplesmente pq tenho certeza de que tudo o que ela fez (e faz) por mim, foi com a melhor e mais pura intenção. E, claro, é tudo o que quero fazer para (e por) meu filhote.
    Parabéns pelo texto!
    Joao Luis Amaral

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