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Ler e compreender
Os temas de Joselma Noal são os do quotidiano: envolvem pais, mães, filhos, irmãos, tias, colegas de trabalho − enfim, a vida que conhecemos. Nada é surreal, nada contempla o delírio ou o sonho desvairado. Reconhecemos as personagens pelo que elas têm de humano e singelo. Joselma poderia ficar por aí, pois escreve bem, com frases mais curtas do que breves, capítulos compactos, léxico variado, sintaxe criativa. Sucede que essa aparente ordem dos eventos diários, esse embalo do texto competente, constituem apenas uma tênue superfície. O que fica abaixo desse cosmos, porém, é o caos, um mundo quase sempre assustador, em que as emoções estão em estado puro e os instintos correm à solta. É aí que o leitor deve procurar os verdadeiros assuntos deste livro: suspeitas, ciúmes, incesto, perversidades, sim, mas igualmente a ternura e os jogos da sedução amorosa.
Um livro com essa qualidade estética e profundez exigem um receptor aberto às aventuras da sensibilidade, que não se contente em ler apenas por distração; pedem um leitor que tenha muito vivido, muito sofrido e que, a par disso, tenha a sabedoria de conhecer a tradição cultural do Ocidente, pois acontecem, aqui e ali, alusões literárias mais ou menos disfarçadas.
Recomendo, com plena consciência do que digo, Aroma hortelã. É um livro que dá início a uma carreira que prevejo de grande espectro e vitoriosa. Não é leitura fácil, repito, mas uma leitura em que o leitor, na posse de sua plena fruição, sairá compreendendo melhor a natureza humana.
Aliás, esse é o propósito da literatura.
Porto Alegre, maio de 2008
Luiz Antonio de Assis Brasil
Aroma Hortelã - Editora Movimento.
Valorizo demais livros autografados! Na última Jornada de Literatura em Passo Fundo, eu andava sempre carregada de obras, circulando em busca da assinatura de meus escritores favoritos. Ao conquistar o autógrafo com a dedicatória: Para Joselma, a minha fã número um, com um abraço do Daniel Galera” (fã número um, pois assim eu me havia denominado ao fazer uma pergunta ao escritor) vivi um momento e tanto e não parava de olhar a assinatura de um autor tão jovem e por mim tão admirado.
Outro autógrafo inesquecível foi o do Fernando Sabino nos tempos em que era acadêmica do Instituto de Letras e Artes da PUCRS. Seguidamente a Prof.ª Drª Dileta Silveira Martins, brilhante profissional, organizava encontros com escritores lidos e analisados em sala de aula. Foi em uma destas ocasiões que conheci o Fernando Sabino. Ao final da conversa com o autor, me aproximei para fazer uma pergunta. Já havia encerrado a sessão de autógrafos, mas propositalmente me deixei ficar por último. Não lembro mais qual era o meu questionamento, mas recordo bem a expressão do Sabino ao aproximar-se de mim e interromper minha fala tão ensaiada. Chamou a sua assistente, tapou minha boca com a mão direita dele e disse; Veja, como esta menina se parece com a Verônica, minha filha, só os lábios são diferentes, mas é o mesmo olhar, a mesma testa, o mesmo nariz, até o corte e o tom do cabelo são iguais! Me abraçou, disse que estava com saudades da filha, enfim, foi um instante de comoção. Meus colegas depois pegaram no meu pé, por algumas semanas virei Verônica. Pior é que eu achava a Verônica Sabino muito feia. Mas a semelhança valeu pela cena e pelo carinhoso abraço do Fernando Sabino.
Viver a situação do outro lado como alguém que autografa, também tem lá sua emoção. A primeira vez em que vivi um minuto de escritora foi na Feira do Livro em Porto Alegre, em 1987, quando participei de um concurso nacional de crônicas dirigido a alunos do segundo grau e os melhores textos formaram uma antologia. Eram vários garotos enfileirados autografando para familiares e amigos. Antes da participação na famosa Praça, fomos recepcionados com um coquetel delicioso oferecido pelos patrocinadores do Concurso. Lembro do orgulho da diretora da escola, professora de Língua Portuguesa, que me ofereceu na data um belo buquê e um sorriso de contentamento. Guardo a foto como uma relíquia.
Depois de algum tempo, uma semana após minha formatura, no início dos anos noventa, autografei novamente com o meu grupo de colegas de Oficina de Criação Literária da PUCRS, em uma noite de inverno na Secretaria Municipal da Cultura de Porto Alegre. O grupo voltou a autografar na Feira do Livro naquele ano. E desde então, só busco autógrafos.
Estar sentada como única autora a autografar, ou seja, não escrever a dedicatória em uma coletânea com vários autores, é uma experiência nova para mim que além de causar emoção, certamente, causa um medo impressionante. Espero que vocês compreendam se a minha letra não estiver tão bonita e as dedicatórias forem pouco criativas. Saibam que comprei uma caneta especial para a ocasião e espero não fazer feio.
Como estamos na Semana do Desafio nada mais adequado para uma escriba novata (porque escritora eu ainda não me considero) tentar escrever autógrafos sem borrar e com a letra caprichada. Espero que vocês, leitores do Jornal Bom Dia que acompanham esta coluna, possam estar lá, sexta-feira, amanhã, às 19h30min no Auditório do Prédio 8 da URI/Campus de Erechim. Haverá esquete teatral, mesa redonda, e, ao final, a sessão de autógrafos.
Aroma Hortelã é um livro de contos, de narrativas curtas. Desejo que estas histórias possam emocionar e divertir meus leitores. A Editora é a Movimento e o preço do livro é bem acessível: vinte reais.
Publicado em 29 de maio de 2008, Jornal Bom Dia, p.6
Um programa popular como o Faustão também pode emocionar e foi o que aconteceu neste último domingo, 18/05, com os milhares de espectadores ao ouvir o hino nacional brasileiro com arranjo de João Carlos Martins mesclando os diferentes ritmos de nosso país, todas as regiões representadas com a beleza de uma orquestra em sintonia e o entusiasmo da bateria da escola de samba Vai-Vai.
A história de vida de João Carlos Martins, pianista e regente, é um exemplo de superação e amor à arte. Iniciou seus estudos musicais aos oito anos, cedo já descobriu seu talento e, mesmo após inúmeros obstáculos, não se afastou da paixão pela música. Entre os percalços sofridos: um acidente que o fez perder os movimentos da mão direita, uma doença chamada Ler o acometeu, devido aos movimentos repetitivos, um ataque em um assalto, um golpe na cabeça lhe fez perder parte do movimento das mãos novamente.
O documentário Martins Passion, de produção franco-alemã e Rêverie de produção belga e o livro do próprio pianista A saga das mãos contam a história do músico brasileiro que tocou com as maiores orquestras norte-americanas, recebeu vários prêmios e no entanto, muitos brasileiros ainda não o conhecem.
No Faustão apresentou um show ao tocar piano e outro a reger um novo hino nacional. Uma lição de coragem, de quem não desiste do que ama! Quantas pessoas vivem a queixar-se da vida, sem encontrar seu rumo e sua paixão. Importante, fundamental, urgente mesmo é descobrir o que se ama para dar um outro sentido à existência. Sem isto não se vive dignamente! Isto significa avaliar o seu índice de satisfação em seu trabalho, a cota de felicidade que sua função lhe garante, afinal nascemos para a alegria não para as queixas e os lamúrios. Até podemos nos lamentar, de vez em quando, cansaço, falta de tempo acompanham o cotidiano, a rotina dos tempos modernos.
E voltando a falar em amor pelo que se faz, um dos meus é escrever. E é muito bom, apesar da ansiedade e o nervosismo dos últimos dias, ver que está se aproximando uma data tão importante para mim: o lançamento do meu livro de contos Aroma Hortelã pela Editora Movimento, dia 30/05, às 19h30min no Auditório do Prédio 8 da URI/Campus de Erechim. Conto com a presença de vocês!
Publicado em 22 de maio de 2008, Jornal Bom Dia, p.8
Confesso que não queria escrever sobre a tragédia ocorrida com Isabella Nardoni, mas diante de tanta mídia, resolvi abrir a minha boca também.
Primeiramente, manifesto minha dor diante do acontecimento. No entanto, se abrirmos um pouquinho os olhos, vamos enxergar muitas crianças assassinadas nas favelas todos os dias. Sem falar nos traumas psicológicos! Muitos meninos presenciam maus tratos de seus pais que espancam e matam suas mães diante de seus próprios olhos. Mulheres que matam seus maridos para defender suas filhas de estupro e de agressões físicas. Vão presas e ninguém se comove com isto! Apesar das páginas policiais dos jornais estarem repletas de histórias horrendas, ninguém mais se comove. Agora se a desgraça advém de outro bairro, que não da periferia, a história muda de figura, a repercussão é outra.
A mídia divulga, aliás em excesso, o caso dos Nardoni devido à classe social a que pertencem, afinal não são todos os dias que vemos uma menina ser jogada janela abaixo de um edifício bonito. Porém quantas meninas e meninos não são sufocados e esfaqueados em pequenos casebres todos os dias? Nos comove a morte de Isabella, enquanto as outras tantas Isabellas por este Brasil afora não comovem, porque a mídia não estampa seus rostos em capas de jornais e revistas, não lhes são dedicadas missas especiais, as suas mães não concedem entrevistas ao Fantástico. São as Isabellas desconhecidas, pobres e, com certeza, são muitas...
Com relação a Alexandre Nardoni, acredito que assassino pode ser doutor ou analfabeto, independente de nível econômico e sociocultural, todos deveriam ter o mesmo tratamento, deveriam cumprir pena em celas idênticas. Por que tantos privilégios, em nosso país, aos portadores de diploma de ensino superior? Matou alguém é, portanto, um assassino, pois então que cumpra a pena devida e sem regalias! Se há algo que me incomoda, me irrita, me tira do sério é a injustiça. Um absurdo existir tratamento vip na prisão!
O ditado popular: O que os olhos não vêem, coração não sente é verdadeiro e oportuno, revela a nossa postura diante das tragédias ocultas e reveladas. Espero que aprendamos a rezar e nos comover também com as inúmeras Isabellas, brasileiras ou não, que morrem tragicamente e sem holofotes.
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Anotem na agenda: Na sexta-feira, 30 de maio, às 19h30min, no Auditório do prédio 8 da URI/Campus de Erechim, lançamento do livro de contos Aroma Hortelã de minha autoria pela Editora Movimento. Haverá esquete teatral (adaptação da obra) mesa redonda e sessão de autógrafos. Conto com a presença de vocês!
Publicado em 15 de maio de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6