Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

16/4/08

Sobre a fidelidade

     Abril é o mês do Livro! Dia 18 é o Dia Nacional do Livro Infantil, data do aniversário de Monteiro Lobato. Dia 23 é o Dia Mundial do Livro, Dia de São Jorge, Dia das Rosas, data da morte do espanhol Miguel de Cervantes, o maior escritor de todos os tempos e lugares.
     E por falar em Dia do Livro, este ano se destaca entre as figuras literárias brasileiras: Machado de Assis pelo centenário de morte. Escritor que conseguiu rara façanha, a de ser nobre e popular. Duas características, muitas vezes, consideradas antagônicas.
     Nos cursos de Direito, em Júri Simulado, sempre está Capitu. Muitos a condenam ou a inocentam, sem nem sequer haver lido Dom Casmurro. Conhecem, sim, a personagem que ganhou uma fama impressionante, tornando-se quase figura real.
     Eu jamais condenaria Capitu! Em minha opinião: a infidelidade não pode ser comprovada no texto, apenas na visão do marido ciumento. A presença da personagem no Júri Simulado faz-se pela temática eternamente atual: traição e ciúme. Aliás, o mérito da discussão temática se dá em qualquer obra de Machado de Assis.
    Como devo pertencer a outro século, apesar de minha luta por atualização, não entendo casamento aberto. Para mim fidelidade é essencial! Quando manifesto o valor atribuído à fidelidade, não me refiro tão-somente à relação amorosa, mas também a preceitos, a idéias, a convicções. Ser fiel é não ser corruptível!
     Em minha última visita a Porto Alegre percebi o quanto sou fiel. Fiz uma consulta médica e cortei meu cabelo. Interessante que faço este trajeto pelo Bom Fim há muitos anos… A minha médica homeopata me conhece há uns vinte anos. O meu cabeleireiro também é o mesmo, há mais de quinze anos! Fui obrigada a trocar de dentista quando o meu se aposentou, por sorte já descobri um substituto à altura! Vou sempre à mesma manicure, chamo sempre o mesmo taxista, conservo amigos de tempo de 1º grau na escola. Sou, obsessivamente, fiel! Não entendo nada de astrologia, mas dizem que é característica do escorpiano: ser fiel. Pelo visto é mesmo!
     Quando descubro um autor e me encanto por seu texto, busco outras obras, leio a obra completa. Busco filmes pelo nome do diretor ou pelos atores; se constam da minha lista de preferência, não vacilo em ir ao cinema ou agarrar o dvd na locadora. Isto não significa que não invista em novidades…
     Admito: ser fiel está em desuso! Afinal é um sentimento relacionado à honestidade que também é desconhecida de muitos. No papel de porta-voz de outros tantos jurássicos, fiéis por excelência, escorpianos ou não, finalizo esta proclamação de apoio à fidelidade!
     Muitos anos de vida aos livros e aos escritores em seu mês de aniversário!

Publicado em 17 de abril de 2008, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    14:53 — Arquivado em: Crônica

2 Comentários »

  1. Comentário por Larissa Luna — 18 18UTC abril 18UTC 2008 @ 0:09

    Ola
    gostei muito dos textos!

  2. Comentário por Márcia Pires — 23 23UTC abril 23UTC 2008 @ 10:43

    Olá ,

    Antes de mais nada, é sempre um prazer garimpar pérolas por este insólito mundo virtual e , em especial , diamantes raros no exercício da comunicação através de uma ferramenta chamada BLOG . Você foi um desses achados, parabéns!
    Sobre seu texto , quero comentar que apesar da absoluta compreensão à sua fidelidade pelas pessoas que sempre cuidaram bem de ti, eu, particularmente e como futura - e convicta - terapeuta de casais, faço voz em defesa do novelista Manoel Carlos , que em seu último trabalho na Globo, a novela Páginas da Vida, abordou a questão da fidelidade de uma forma que as pessoas não estão acostumadas a lidar. Foi quando colocou na tela, nas personagens de Ana Paula Arósio e Edson Celulari, a discussão da diferença entre fidelidade e lealdade.
    Sim, são coisas absolutamente distintas. Lealdade sobrepõe a fidelidade , no exato momento em que uma pessoa deixa claro à outra por exemplo:”… sou incapaz de dizer que jamais olharia para outro (a)…”Essa é essência da lealdade, pois não se está posando de companheiro fiel, para depois lançar olhares de desejo por outrem , por cima dos ombros ou ainda às escondidas. Pode parecer que estou querendo simplificar demais a questão , mas, acredite, se a humanidade valorizasse mais a lealdade à fidelidade, seríamos todos mais felizes e completos.

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