9/4/08
Aprender a viver
Escrevi dois textos abordando a questão da violência no trânsito, mas não esperava presenciar a dor, por ela ocasionada, tão de perto. Na última quinta-feira, 3/04, todos os que tiveram a alegria de conviver com a Dani são capazes de compreender a dor aqui descrita. Foi a primeira vez em que percebi o quanto gostava de alguém, quando este alguém não mais poderia escutar-me. Ou será que a Dani viu a nossa homenagem na quinta-feira à noite? Espero que sim! Embora, a maior mensagem que fica da tragédia ocorrida com Daniéli Fátima Pertuzzatti, aluna e bolsista do curso de Letras da URI/Campus de Erechim da Turma 2005, seja exatamente a de que mais se deva fazer nesta vida é homenagear as pessoas enquanto estão ao nosso lado. Porque a vida é um enigma, é uma aventura!
Devemos andar pela vida, como se fôssemos acampar. Prevenidos com repelente, porque a dengue anda solta! Mas sem esquecer aquilo que nos dá prazer, seja lá o que for: livros, cds, chocolate, salgadinhos, muita água, e sempre boas companhias, família, amigos. A questão é o enigma: não somos avisados sobre a hora de finalizar o passeio. Avisos médicos nunca são 100% verdadeiros, nem poderiam ser. Quantas pessoas vivem vinte, trinta anos, após o anúncio dado por algum especialista, de que o fim lhe chegaria dentro de poucos dias? Entendo porque os médicos preferem calar!
Ainda sobre a Dani, ela era muito especial, não só pelo fato de ser bolsista, e sim por sua relação com professores e colegas. Todos lembram dela! Não passou pelo mundo sem deixar sua marca. O sorriso, quase permanente, e o olhar claro, iluminado - sempre vamos nos lembrar.
Há uma total incompreensão diante da tragédia, nada explica, nada conforta. Resta aprender a lidar com a perda, com a ausência; conviver com a saudade e a lembrança; aprender a viver com alegria e entusiasmo, como fez a Dani em seus vinte e dois anos.
Aplausos aos alunos do Curso de Letras, não só os alunos da Turma 2005, mas de todas as turmas, que se mostraram solidários em um momento de tanta tristeza. Para mim mais importante do que a formação cognitiva é a formação humanística, e saber que temos alunos que são gente de verdade me comoveu bastante na última semana.
Como dizem as letras das canções: “É preciso saber viver…” “É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã…” “Viver é não ter a vergonha de ser feliz…”
Publicado em 10 de abril de 2008, Jornal Bom Dia, p.6
criado por joselmanoal
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