2/4/08
Feliz Aniversário, Cazuza!
Vida louca vida / Vida breve / Já que eu não posso te levar / Quero que você me leve, assim cantou Cazuza traçando uma reflexão sobre a perenidade da vida. Este poeta menino faria 50 anos em 4 de abril. Infelizmente, nos deixou em 1990. Mas a beleza do artista está na imortalidade registrada em letra e canção. Na ausência do cantor compositor, nos sentimos com uma saudade que pode ser retratada através da voz do próprio Cazuza (….) ficou tudo fora do lugar / Café sem açúcar, dança sem par.
Viveu pouco tempo, no entanto com uma intensidade voraz de quem sabe que a vida é uma passagem e, por isto, dela usufrui ao máximo. Sugou da vida cada gota. Diante da doença, não se escondeu, continuou trabalhando, fazendo shows e criticando o preconceito. Não ficou em casa, recolhido e esperando a morte chegar.
Com uma linguagem original, uma perfeita seleção de palavras e sons, sua música era poesia das mais belas: Ser teu pão, ser tua comida / Todo amor que houver nessa vida / E algum remédio pra dar alegria (…) E algum veneno antimonotonia. Não apreciava a rotina, nem a falsidade: Não ligue pra essas caras tristes / Fingindo que a gente não existe / Sentadas, são tão engraçadas / Donas das suas salas.
Cazuza criticou o Brasil como poucos, a estrofe virou um grito de protesto dos mais populares: Brasil / Mostra tua cara / Quero ver quem paga / Pra gente ficar assim / Brasil / Qual é o teu negócio? / O nome do teu sócio? / Confia em mim. A incerteza sobre as convicções políticas, uma crítica severa à sociedade é revelada na voz do músico: Ideologia, eu quero uma pra viver (…) Pois aquele garoto que ia mudar o mundo, mudar o mundo / Agora assiste a tudo em cima do muro, em cima do muro. Também em Burguesia: Enquanto houver burguesia / Não vai haver poesia.
Citei alguns versos de diferentes músicas de Cazuza, as minhas duas preferidas são na verdade: Blues da Piedade e Codinome Beija-Flor. Destas não consegui selecionar versos, pois as aprecio por completo. A primeira me faz lembrar de um amigo, músico porto-alegrense que também nos abandonou muito jovem, o cd em minha estante não chegou a ser visto por ele, o projeto só foi concretizado postumamente. O Leco Alves cantou esta canção no Renascença em Porto Alegre e isto já faz muito tempo, porém ficou em minha memória, pois me fez chorar. E as emoções a gente guarda pra sempre! A segunda, fala do amor de maneira única e comovente. De arrepiar!
O filme dedicado a Cazuza mostra toda sua irreverência, rebeldia e talento. Era um cara do bem! Outro dia recebi um e-mail moralista falando muito mal do Cazuza, me deixou mais que triste, enfurecida mesmo! Por que o cara, e ele era mesmo o cara, usou drogas, era bissexual e aidético, não era uma pessoa admirável? Era, sim! No filme há uma cena em que o ator (que interpreta Cazuza) se classifica como da turma do abraço! Adorei a definição, porque ser da turma do abraço diz tudo sobre alguém.
Feliz aniversário, Cazuza!
Publicado em 3 de abril de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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Comentário por Danúbia — 4 04UTC abril 04UTC 2008 @ 19:46
adorei ler os seus textos.é tão dificil achar blogs interessantes assim, mas a gente sempre acha.
Comentário por Givanildo — 4 04UTC abril 04UTC 2008 @ 20:36
Sem dúvida nenhuma, Cazuza foi um dos maiores músicos do Brasil. O que me impressiona nele é a precisão das letras que ele escreveu, que mostra como ele não era bobo. Quem me dera uma geração de jovens com o pensamento dele!
Comentário por Rubens TB — 7 07UTC abril 07UTC 2008 @ 0:04
Gostei muito de seu blog. Feliz em ver mais pessoas que além de mim gostam de Cazuza. Nã que seja difÃcil de achar mas, é que em blog o seu é o primeiro q vejo. rs
Por isso acho que podemos dizer:
“Meus heróis morreram de overdose.” ou não. rs
Abraços para vc. Ótimo blog.