Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

19/3/08

Vida longa aos parabotânicos e à Floresta Amazônic

Vida longa aos parabotânicos e à Floresta Amazônica!

     Desconhecia a profissão de parabotânico, até ler uma reportagem na revista Época (17/03/08, p.84-86). Fiquei muito impressionada com a atividade desempenhada por nativos da Amazônia. Como muito neste local mágico, estes trabalhadores, também, estão entrando em extinção. A função destes homens consiste em identificar árvores e plantas, em decifrar a floresta e os seus enigmas. Um botânico pode realizar o trabalho de um parabotânico, mas leva três vezes mais tempo para executar a mesma tarefa. O saber acadêmico não tem o mesmo ritmo e velocidade do intuitivo, que utiliza os cinco sentidos para separar as plantas por família e gênero.
     Lembrando os cinco sentidos: audição, visão, olfato, tato e paladar, todos me parecem absolutamente compreensíveis para classificar árvores em uma floresta, exceto o paladar! Descubro, então, que o parabotânico mastiga pedaços pequenos de madeira para melhor identificação das árvores e garante que os sabores são os mais diversos.
     Este profissional contribui com os pesquisadores através de seu saber popular, nada acadêmico. A presença de um parabotânico em uma pesquisa favorece a publicação internacional, pois dá maior credibilidade ao trabalho executado na floresta. Um parabotânico experiente pode  participar, inclusive, de publicações científicas.
     O que me preocupou ao ler a matéria supracitada é a escassez destes trabalhadores tão especiais em sua sabedoria popular. Segundo pesquisadores não há mais de dez parabotânicos em toda a região. Carlito, Carlos da Silva Rosário, identificador de árvores ou parabotânico, de 59 anos, pretende se aposentar em 2009 e tem dúvidas sobre um substituto para a sua função no Museu Goeldi. Carlito sonha com a criação de uma escola de parabotânica. Gostaria de ensinar a filhos de ribeirinhos, ou jovens do interior da floresta, a sua profissão. O projeto de escola existe há mais de dez anos, em parceria com o engenheiro florestal Serginho, no entanto falta um patrocinador para concretizar tal projeto.
     Nada incomum em nosso país: a falta de patrocínio em algo que deveria ser de interesse governamental. Fala-se tanto na Amazônia e tão pouco ainda se faz por ela, na verdade por nós mesmos. A conservação de uma riqueza natural como a de nossa floresta não deveria ser tratada com descaso, deveria constar na lista de prioridades de nosso país. Porém se precisamos de patrocínios, tomara que eles apareçam, muito embora reitero que a função de cuidar da floresta Amazônica é de competência do poder público e de cada um de nós.
    Vida longa aos parabotânicos e à Floresta Amazônica!

Publicado em 20 de março de2008, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    11:33 — Arquivado em: Crônica

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