Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

12/3/08

Sobre o maior gesto de amor

     Li, com entusiasmo, no Jornal Bom Dia de terça-feira, 10/03, p. 08, a notícia sobre Seminário cuja temática é o Aleitamento Materno, no Hospital Santa Terezinha, promovido dos dias 12 a 14 de março.
Falo do tema com orgulho, porque se tem algo de que me orgulho na vida é ter amamentado a Sophia até o primeiro ano de vida. Embora um amigo, muito engraçadinho, dizia já me imaginar amamentando até o debut de minha filha. A minha defesa do tema era tão convincente que levava a exageros de interpretação.
     A verdade é que não é fácil transformar-se em praça de alimentação de um momento para o outro. Os primeiros dias são repletos de dificuldades, os seios machucam, às vezes sangram, no entanto o gesto é tão maravilhoso e saudável que apaga qualquer dor. Ver o bebê crescer forte e sadio e saber que tu és, em parte, responsável por isto, é o máximo!
     Sair com horário marcado para o retorno, estar sempre correndo, olhando o relógio em desespero, ao lembrar que alguém em casa tem fome e tu és o alimento daquele que te espera, esta verdade cria um vínculo de amor inexplicável. Diante disto, todos os inconvenientes tornam-se ínfimos, medíocres.
     Não aceito muitas desculpas de mulheres que não amamentam, desculpem a franqueza, penso que falta perseverança, paciência e boa vontade, estes sentimentos devem estar presentes na maternidade.
     Para mim este momento era o de maior intimidade e carinho, apreciava o ficar em silêncio, alimentando minha filha. Não consigo imaginar alguém amamentando em meio a conversas altas e em lugares tumultuados! Claro se não houver um cantinho especial, em situações de aperto, tudo bem. Porém, no cotidiano, o ato de isolar-se para amamentar, garante uma tranqüilidade gostosa à mãe e ao bebê, fortalece o vínculo afetivo, além de todos os benefícios à saúde.
     Tornar-se alimento é uma experiência única e divina e não deve ser visto como um transtorno. Repito que os inconvenientes são muito pequenos se comparados aos benefícios, tanto para a mãe como para o bebê. Às gotas de leite se junta o amor que será sugado pelo filho, faminto também de afeto.
     Fica um recadinho às futuras mamães: superem as dificuldades do aleitamento materno, exercitem o maior gesto de amor, pois vale a pena!
Parabéns à Equipe do Hospital Santa Terezinha pela iniciativa de promover um Seminário sobre um assunto tão importante!

Publicado em 13 de março de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    12:39 — Arquivado em: Crônica

1 Comentário »

  1. Comentário por Ana — 17 17UTC março 17UTC 2008 @ 23:42

    Muito bom mesmo JÔ!
    Adorei teu texto e se pudessemos contagiar todas as mães com ele…. Seria muito bom para os nossos bebês terem acesso ao que lhes é de direito! As mães tem muito medo da dor e do mito da mudança na aparência física! Muito pelo contrário! Quem amamenta perde muitas calorias em cada mamada e retorna ao seu peso normal, as vezes, bem rápido! E sem falar na era do silicone…. Quem perdeu tem como recuperar, né! Beijão

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