Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

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Terra Blog

Arquivo de: Março 2008

26.03.08

O Mario Quintana sabia das coisas

categorias: Crônica


     Sabe aquela famosa pergunta: Se pudesse ser outra pessoa, por um dia, quem você seria? Eu queria ser a Madona, mas depois de assistir a uma entrevista e ler a outra com a Bruna Lombardi, mudei de idéia! Gostaria de ser a loira brasileira mesmo.
     Além se estar casada com o Carlos Alberto Riccelli, o que já é um bom começo, é uma mulher formidável. Destas pessoas que nascem com uma luz, (desculpem a pieguice da expressão). É uma estrela, uma diva! Tudo bem, a Madona também tem lá o seu brilho, no entanto o lume de Bruna me soa mais verdadeiro.
     Em tempos de modelos anoréxicas, de belezas formadas por cirurgias plásticas, me comovo com a cinqüentona beleza pura, sem obsessões com estética, preocupada com a alimentação e com a saúde física e mental, sem exageros no culto ao físico. Na revista Boa Forma se diz defensora do prazer em tudo que faz e acredita que todo mundo tem direito a seis pecados. Os dela: vinho, um drinque bacana, batata e mandioca frita, pizza e chocolate! Não é uma maravilha, em uma época em que nossas modelos comem só alface?
     Os olhos claros percebem o mundo com uma clareza admirável, fruto, com certeza, de muita leitura. Uma vida em busca de equilíbrio: corpo e alma. Pratica ioga há muitos anos, aprecia aromaterapia. Possui uma fluência verbal invejável, sabe expressar-se com uma desenvoltura que mistura segurança e delicadeza na dose perfeita. Elegante, simples e culta. Uma formiga trabalhadora: modelo, atriz, roteirista, poeta.
Em uma de suas falas à Revista revela: Busco a delicadeza em tudo que faço: no trabalho, nas coisas que escrevo, na relação com as pessoas e com a natureza.
     A sensibilidade deve ter contribuído no encontro com o companheiro de tantos anos. Vive um casamento bem sucedido, algo tão raro no meio artístico. Parece conduzir bem a vida profissional e familiar. No filme O signo da cidade ela atua como roteirista, o marido como diretor e o filho como ator. Uma família integrada também profissionalmente. E não se trata de nenhum comercial de margarina!
     Depois de conhecer um pouco mais sobre a musa brasileira, consegui compreender a admiração de Mario Quintana por esta mulher. Afinal o poeta sabia das coisas!

Publicado em 27 de março de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 14:16:09

23.03.08

Novidades de uma estreante

O meu primeiro livro de contos Aroma Hortelã está nos finalmentes na Editora MovimentoO lançamento em Erechim já está confirmado: dia 30 de maio às 19h30min no Auditório do Prédio 8 da URI .  Haverá, além da tradicional sessão de autógrafos, esquete teatral baseada na obra e mesa redonda.  E depois outro lançamento, com sessão de autógrafos, na Feira do Livro de Porto Alegre! Estou ansiosa e feliz!!!!

 

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  • Postado em 17:36:02

19.03.08

Vida longa aos parabotânicos e à Floresta Amazônic

categorias: Crônica

Vida longa aos parabotânicos e à Floresta Amazônica!

     Desconhecia a profissão de parabotânico, até ler uma reportagem na revista Época (17/03/08, p.84-86). Fiquei muito impressionada com a atividade desempenhada por nativos da Amazônia. Como muito neste local mágico, estes trabalhadores, também, estão entrando em extinção. A função destes homens consiste em identificar árvores e plantas, em decifrar a floresta e os seus enigmas. Um botânico pode realizar o trabalho de um parabotânico, mas leva três vezes mais tempo para executar a mesma tarefa. O saber acadêmico não tem o mesmo ritmo e velocidade do intuitivo, que utiliza os cinco sentidos para separar as plantas por família e gênero.
     Lembrando os cinco sentidos: audição, visão, olfato, tato e paladar, todos me parecem absolutamente compreensíveis para classificar árvores em uma floresta, exceto o paladar! Descubro, então, que o parabotânico mastiga pedaços pequenos de madeira para melhor identificação das árvores e garante que os sabores são os mais diversos.
     Este profissional contribui com os pesquisadores através de seu saber popular, nada acadêmico. A presença de um parabotânico em uma pesquisa favorece a publicação internacional, pois dá maior credibilidade ao trabalho executado na floresta. Um parabotânico experiente pode  participar, inclusive, de publicações científicas.
     O que me preocupou ao ler a matéria supracitada é a escassez destes trabalhadores tão especiais em sua sabedoria popular. Segundo pesquisadores não há mais de dez parabotânicos em toda a região. Carlito, Carlos da Silva Rosário, identificador de árvores ou parabotânico, de 59 anos, pretende se aposentar em 2009 e tem dúvidas sobre um substituto para a sua função no Museu Goeldi. Carlito sonha com a criação de uma escola de parabotânica. Gostaria de ensinar a filhos de ribeirinhos, ou jovens do interior da floresta, a sua profissão. O projeto de escola existe há mais de dez anos, em parceria com o engenheiro florestal Serginho, no entanto falta um patrocinador para concretizar tal projeto.
     Nada incomum em nosso país: a falta de patrocínio em algo que deveria ser de interesse governamental. Fala-se tanto na Amazônia e tão pouco ainda se faz por ela, na verdade por nós mesmos. A conservação de uma riqueza natural como a de nossa floresta não deveria ser tratada com descaso, deveria constar na lista de prioridades de nosso país. Porém se precisamos de patrocínios, tomara que eles apareçam, muito embora reitero que a função de cuidar da floresta Amazônica é de competência do poder público e de cada um de nós.
    Vida longa aos parabotânicos e à Floresta Amazônica!

Publicado em 20 de março de2008, Jornal Bom Dia, p.6

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  • Postado em 11:33:47

12.03.08

Sobre o maior gesto de amor

categorias: Crônica


     Li, com entusiasmo, no Jornal Bom Dia de terça-feira, 10/03, p. 08, a notícia sobre Seminário cuja temática é o Aleitamento Materno, no Hospital Santa Terezinha, promovido dos dias 12 a 14 de março.
Falo do tema com orgulho, porque se tem algo de que me orgulho na vida é ter amamentado a Sophia até o primeiro ano de vida. Embora um amigo, muito engraçadinho, dizia já me imaginar amamentando até o debut de minha filha. A minha defesa do tema era tão convincente que levava a exageros de interpretação.
     A verdade é que não é fácil transformar-se em praça de alimentação de um momento para o outro. Os primeiros dias são repletos de dificuldades, os seios machucam, às vezes sangram, no entanto o gesto é tão maravilhoso e saudável que apaga qualquer dor. Ver o bebê crescer forte e sadio e saber que tu és, em parte, responsável por isto, é o máximo!
     Sair com horário marcado para o retorno, estar sempre correndo, olhando o relógio em desespero, ao lembrar que alguém em casa tem fome e tu és o alimento daquele que te espera, esta verdade cria um vínculo de amor inexplicável. Diante disto, todos os inconvenientes tornam-se ínfimos, medíocres.
     Não aceito muitas desculpas de mulheres que não amamentam, desculpem a franqueza, penso que falta perseverança, paciência e boa vontade, estes sentimentos devem estar presentes na maternidade.
     Para mim este momento era o de maior intimidade e carinho, apreciava o ficar em silêncio, alimentando minha filha. Não consigo imaginar alguém amamentando em meio a conversas altas e em lugares tumultuados! Claro se não houver um cantinho especial, em situações de aperto, tudo bem. Porém, no cotidiano, o ato de isolar-se para amamentar, garante uma tranqüilidade gostosa à mãe e ao bebê, fortalece o vínculo afetivo, além de todos os benefícios à saúde.
     Tornar-se alimento é uma experiência única e divina e não deve ser visto como um transtorno. Repito que os inconvenientes são muito pequenos se comparados aos benefícios, tanto para a mãe como para o bebê. Às gotas de leite se junta o amor que será sugado pelo filho, faminto também de afeto.
     Fica um recadinho às futuras mamães: superem as dificuldades do aleitamento materno, exercitem o maior gesto de amor, pois vale a pena!
Parabéns à Equipe do Hospital Santa Terezinha pela iniciativa de promover um Seminário sobre um assunto tão importante!

Publicado em 13 de março de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 12:39:09

05.03.08

Premiações comoventes

categorias: Crônica


     A entrega do Urso de Ouro, prêmio para o considerado melhor filme no Festival de Berlim, para Tropa de Elite nos faz relembrar a vitória, na mesma categoria, há dez anos para Central do Brasil. Dois grandes filmes que apresentam em comum: a revelação de um Brasil triste e violento, além de direção e de elenco primorosos. Ambos nos comovem pela verdade!
     Em um tempo, não muito distante, os brasileiros gostavam de dizer que, em nosso país, não se sabia fazer cinema. Não assistíamos aos nossos próprios filmes! Por sorte acho que a qualidade cinematográfica brasileira está mudando e a concepção do povo sobre esta produção também. Pois a questão não está no saber fazer, mas na dificuldade que enfrenta quem trabalha com arte no Brasil! Não podemos comparar a verba conquistada através de patrocínios e parceiras em nosso país, com a grana alta que circula nas produtoras do mercado norte-americano. O que importa é que estamos chegando lá, sendo reconhecidos e aplaudidos pelo mundo.
     Me emocionei também com o Oscar para Javier Bardem como melhor ator coadjuvante, prêmio nunca antes concedido a um espanhol. Artista de talento excepcional que acompanho de longa data... Advindo de uma família de comediantes, a quem agradeceu em seu discurso entremeado pela língua materna, que invade qualquer pessoa (por mais fluente que seja em outro idioma) em situações como esta. Em momentos de forte emoção a língua estrangeira escapa e, é na língua materna, que conseguimos expressar os sentimentos. O ator dedicou o prêmio à mãe e à sua pátria Espanha.
     As premiações nem sempre são justas! Porém, as duas vitórias: a de Tropa de Elite e de Javier Bardem me pareceram merecidas! O filme Tropa de Elite foi muito criticado, considerado fascista, eu já havia escrito sobre isto e assumido minha posição em defesa da obra. O premiado ator espanhol em Onde os fracos não tem vez, não representa um galã, um bom moço, um herói, encarna um personagem cruel, um assassino psicótico.
     A violência está entre os grandes temas da atualidade. Se a arte é um reflexo da realidade, da sociedade e de sua história, nada mais natural. Tomara que a arte, ao tratar do tema da violência, possa provocar uma maior conscientização e consiga mexer um pouco com os seres, a cada dia, menos humanos.

Publicado em 6 de março de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6

  • criado por  joselmanoal criado por joselmanoal
  • Postado em 09:27:17