Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

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Crônicas e contos de minha autoria
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Terra Blog

Arquivo de: Janeiro 2008

30.01.08

Celebridades e Carnaval

categorias: Crônica



     Vida de celebridade não deve ser nada fácil! O índice de suicídios de astros de diferentes nacionalidades está aí para confirmar. A morte do ator australiano Heath Ledger, aos 28 anos, me deixou perturbada. Tento entender o fim de alguém de tanto talento, tão pouca idade, com uma filha de dois anos, enfim, nada explica. A causa da morte é ainda desconhecida, mas fica claro: o rapaz estava depressivo, em tratamento médico.
     Britney Spears é outro exemplo do sucesso que conduz ao fracasso na vida pessoal. Menina linda, voz afinada, sensual, nasceu para o palco, para o aplauso, porém... O excesso de aplausos conduziu ao caminho das drogas, da depressão, da insanidade. A vida tomou rumo de clínicas para desintoxicação. A beleza deu lugar à calvície, ao aumento de peso, aos escândalos de noitadas com ou sem calcinha, um casamento que durou 55 horas, novo casamento com uma duração de dois anos, depois filhos e a perda da guarda dos filhos, até mesmo, o impedimento de visitá-los, tentativa de suicídio, enfim... Para a pouca idade que tem, já viveu muita dor.
Sem falar nos ídolos de outras épocas como: Elvis Presley, Jim Morisson, Janis Joplin, Elis Regina, entre tantos outros artistas geniais, cuja morte teve como causa o uso abusivo de álcool e de outras drogas. O excesso, a desarmonia, uma vida desequilibrada levou à dor.
     Felizes somos nós, gente comum, às vezes recebemos um elogiozinho, mas nada de fãs, aplausos excessivos, gritos e assobios. Tudo bem, há exceções: existe a Ivete Sangalo, cabeça boa, nada afetada com o sucesso, com a beleza. Admiro sua humildade e alegria. Os baianos, de um modo geral, sabem mesmo como viver! Talvez a Britney Spears esteja precisando de um gole de água de côco e um banho de mar.
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     Me assustei ao ler uma matéria na Revista Época (28/01/08, nº 506, p. 84-85) sobre as rainhas de bateria de escolas do Rio de Janeiro. A dieta por que passam as beldades para desfilar na avenida, é uma loucura. Uma delas só come batata cozida, clara de ovo e bebe chá verde desde setembro do ano passado. Outra fez a 40º cirurgia plástica, nos olhos (reversível e com fio de ouro) para parecer japonesa, já que a sua escola de samba presta homenagem ao Japão. Que maluquice! Nem sei como pode alguém realizar 40 cirurgias, que tanto lugar temos para operar? Na boa, sem ser pretensiosa, acho que eu com umas seis plásticas, já posso ser rainha da bateria, é o que eu consigo calcular de imperfeições. Claro, preciso de inúmeras aulas com o Carlinhos de Jesus e a Ana Botafogo para aprender a sambar, mas se eles ensinam os turistas, será que eu, brasileira, não posso dominar a arte de remexer os quadris feito uma mulata? Voltando para a seriedade porque o assunto é sério, até mesmo, dramático. O que leva alguém a 40 cirurgias estéticas? Corrigir algumas imperfeições, melhora a auto-estima é bacana e saudável, no entanto quarenta, convenhamos: é um megaexagero (não procurem este verbete no dicionário, porque não irão encontrar, eu acabo de inventá-lo).
     Um bom Carnaval a todos, com ou sem samba no pé!

Publicado em 31 de janeiro de 2008, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 12:52:34

23.01.08

Gente estrela

categorias: Crônica


     Saber viver é saber reconhecer aquilo que de bom a gente tem e saber desfrutar disto!
     Por ocasião do Vestibular conversei com alguns candidatos, que recém finalizaram o Ensino Médio, e percebi algo em comum: vários indecisos quanto à escolha profissional. Não conhecem seus próprios talentos! Como poderão desfrutar da vida, se desconhecem suas funções no mundo?
     Os pais também podem contribuir como caça-talentos de seus filhos. Me dirijo a pais presentes e não digo aqui, de modo algum, que devam escolher pelos filhos ou considerar as profissões com maior status social. Mas sim auxiliar seu filho a enxergar a si mesmo, a perceber em que se destaca, no que é melhor, o que faz com alegria, com prazer. Porque se os pais desejam o sucesso profissional e pessoal de seus filhos tem que pensar nisto: talento, alegria, prazer, uma boa dose de trabalho e de criatividade e a realização virá como conseqüência natural.
     Há inúmeros casos de profissionais que seguiram o desejo familiar, realizaram os sonhos de seus pais de formação superior, porém não perseguiram os próprios sonhos. Uma triste realidade que permanece a se repetir. Devido a isto nos deparamos com pessoas, às vezes muito bem remuneradas, no entanto insatisfeitas e tristes com o seu trabalho. Fizeram uma escolha por status, não por prazer. Esquecem que o sucesso advém da paixão!
     Sempre lembro de minha avó Olga que tudo que a gente quisesse fazer da vida, de modo honesto, seria por ela apoiado. Qualquer feito dos netos merecia ser aplaudido e noticiado! E para ela se um neto cursava Direito, outra neta Letras – tanto fazia, não tinha impregnado nenhum preconceito. Agora queria sim, que fôssemos os melhores naquilo que fazíamos, desejava que fôssemos brilhantes. Como ela sempre foi em tudo que fez na vida!
     “Gente quer luzir/ (...) gente é pra brilhar” como diz Caetano na canção Gente. Tomara que saibamos ensinar nossos filhos a serem estrelas. Afinal, não é isto que todos os pais desejam?

Publicado em 24 de janeiro de 2008, Jornal Bom Dia, p.8

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  • Postado em 14:42:08

17.01.08

As borboletas nasceram para o céu

categorias: Crônica

     As borboletas nasceram para o céu, não para o asfalto!

    Tem motorista perdendo carteira de habilitação por dirigir embriagado, repetidas vezes, uma medida correta na tentativa de coibir acidentes e mortes no trânsito. Estes não merecem nem as pernas que Deus lhes deu, o que dirá um automóvel! Afinal, coloca a vida das pessoas em risco.

      No entanto, o motorista não é o único culpado pelo alto índice de acidentes no Rio Grande do Sul. Cabe lembrar que o estado também tem sua cota de responsabilidade, da qual tenta livrar-se empurrando a carga tão-somente aos condutores. As estradas em más condições de tráfego, os caminhões com carga superior à permitida, a falta de incentivo à construção de ferrovias e ao uso do transporte fluvial, o número excessivo de caminhões nas estradas – todos estes problemas são de responsabilidade governamental, eleva o índice de estresse dos motoristas e podem ser causadores de acidentes e mortes. Não só aquele que está ao volante, no ato do acidente, é o único culpado a merecer punição.

     O governo não fiscaliza como deveria, não atua na prevenção de acidentes e joga toda a culpa sobre os cidadãos. Há uma parcela do estado nisto tudo!    

     Este sujeito que perdeu a carteira, já deveria ter abandonado o volante há muito tempo, desde que a polícia o interpelou, pela primeira vez, em condições alcoólicas que o impediam de trafegar com cautela! Há muitas chances, há demasiada tolerância a permitir a proliferação da tragicidade.

     A polícia deve atuar de modo mais contundente, as leis devem ser mais rígidas, os condutores têm que ser mais responsáveis para evitar a violência do asfalto. Para tanto, já temos novas leis, mas é a fiscalização será eficaz? Haverá um trabalho de conscientização dentro das escolas, das associações de bairro? Ou terá seu espaço garantido apenas nas escolas para condutores de veículos?

   Não queremos mais borboletas no asfalto, queremos mais investimento em educação! Não basta punir, tem que educar, conscientizar, fazer com que as pessoas reflitam sobre o poder que tem dentro do automóvel e os que estão fora dele, nos órgãos governamentais, assumir a sua grandiosa parcela de responsabilidade. Louvável a Fundação Thiago Gonzaga com o Projeto Vida Urgente que trabalha, de modo incansável, para evitar que outras famílias tenham que viver o mesmo drama, a mesma dor sentida por estes pais solidários. Aplausos também para a RBS com a campanha Isto tem que ter fim!

     As borboletas nasceram para o céu, não para o asfalto!

Publicado em 17 de janeiro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6 e em 7 de março de 2008 em Zero Hora, p. 20

  • criado por  joselmanoal criado por joselmanoal
  • Postado em 12:24:09

08.01.08

O mundo é dos rebeldes!

categorias: Crônica


     A notícia sobre a formatura de Valério Galeazzi (Zero Hora, 7/01/08, p.21), que tem 85 anos e já é bisavô, no Curso de Direito da ULBRA em cerimônia realizada no Centro de Eventos da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul em 5/01/08, surpreende e comove. Estamos acostumados a ver a juventude erguendo o canudo, orgulhosa do diploma, mas tenho certeza que a alegria de Valério é muito diferente das dos demais bacharéis. Tem um outro sabor a conclusão de um curso superior para alguém de idade tão superior aos demais formandos.
     Deve ter sido um bom colega e aluno, afinal não estava na sala de aula por pressão familiar, como muitos dos estudantes. Os trabalhos e provas devem ter sido realizados por ele com a seriedade de quem não quer brincar com a vida, como, infelizmente, muitos universitários o fazem. Imagino que deva ter sido um aluno e um colega diferenciado. Quantos colegas não teriam lhe pedido conselhos ou auxílio na realização dos trabalhos? Certamente ele foi generoso e os ajudou, não teve o espírito impregnado da inveja que habita a maioria dos alunos-meninos.
     O diploma do Sr. Galeazzi é uma lição sobre rejuvenescimento que supera cremes anti-rugas e flacidez. Beber da juventude é estar junto dela. Saber conviver, respeitar as diferenças provenientes da faixa etária, compreender o vocabulário de uma nova geração são exercícios divertidos, claro, mantendo o cuidado de não se deixar contaminar pelas gírias e monossílabos dos tempos atuais.
     E por falar em vocabulário, creio que o léxico empregado por Valério o tenha favorecido bastante na faculdade, pois pertence a uma geração leitora, sem a invasão das televisões e computadores. Viveu em tempos de respeito aos professores e, por isto, não deve ter reclamado à solicitação da leitura de alguma obra, nem feito cara feia ou a tradicional e irritante pergunta de quantas páginas tem o livro.
     Com certeza, os colegas aprenderam muito com Valério e o inverso também ocorreu! Nós crescemos na diferença, a diversidade nos conduz à vida. O debate sempre é melhor que a aquiescência. Sujeitos rebeldes são lembrados, os acomodados, esquecidos.
     A atitude de Valério Galeazzi ao concluir um curso superior é um gesto de rebeldia dos mais admiráveis. Agora ele dará continuidade aos estudos em uma pós-graduação, pois conquistou também uma bolsa de estudos da ULBRA para tal finalidade. Que nos miremos neste exemplo de rebeldia na luta contra o envelhecimento!

Publicado nos jornais Zero Hora em 9 de janeiro de 2008, p. 17 e Bom Dia em 10 de janeiro de 2008, p. 6 

 

  • criado por  joselmanoal criado por joselmanoal
  • Postado em 10:33:46

02.01.08

De volta pra casa

categorias: Crônica


     Quase um mês longe, no trajeto de volta, a pergunta sobre as saudades de casa e o texto segue em resposta.
     Escapar da rotina é um exercício importante, mas não há nada melhor do que voltar pra casa e, conseqüentemente, retornar à rotina. Contraditório? Esperem que já me explico melhor... Fugir, por alguns dias, tudo bem. No entanto, nos outros tantos dias do ano a vida é feita mesmo de trabalho.
     Voltar pra casa é sempre uma maravilha, porque, por melhor que estejamos hospedados, a cama nunca é como a nossa. E é ali, no nosso quarto, que sonhamos melhor do que em qualquer outro recanto. O computador, por melhor que seja, nunca tem um teclado como aquele nosso, com o qual temos intimidade e que nos permite um outro ritmo. E é ali, no nosso computador, que colocamos um pedaço da gente, das nossas idéias, da nossa maneira de olhar o mundo e decifrar a vida. Qualquer dia, eu me rendo à compra de um laptop...
     Estive longe de minha residência atual e perto de minha residência de infância. Aproveitei para refazer o trajeto até a escola onde fiz todo meu ensino primário e recordei velhas histórias. Caminhei até a casa de minha amiga de infância, que visitava os pais (permanecem vivendo na mesma casa), rimos à toa como na adolescência. Amigos verdadeiros são assim: podemos ficar muito tempo sem conversar, mas quando nos reencontramos nos sentimos muito à vontade, como no tempo em que a gente se via todos os dias na escola. Permanecemos ligados por um fio de Intimidade e carinho  isto é que faz da vida algo mágico!
     O encontro com churrasco e violão, com outro grupo de amigos, também me trouxe alegria. Ouvir composições de um amigo, saber que ele continua sendo um talento oculto pra tanta gente, mas que se revela ali entre os companheiros. A gente sabe e canta junto as composições antigas, conhece as novas e se emociona com a letra e a melodia das canções do Zeno, que não é Chico Buarque, mas também sabe encantar com sua voz e violão.
     Passei dias ótimos, reencontrei e pude abraçar a muitas das pessoas que amo. Fiquei a poucos quilômetros de casa, por poucos dias, porém a saudade foi bem maior do que a distância e o tempo. Fico pensando naqueles que vivem em outro país e por toda a vida...
     O maior tempo em que estive fora do meu país: um mês, já foi o suficiente para perceber o quanto brasileira sou. Muitos anos se passaram, não esqueci, acho que nunca esquecerei, uma cena na volta ao Brasil. Ao chegar, fiz escala em Salvador, havia uma fila enorme, indaguei a um funcionário do aeroporto sobre a demora no atendimento do guichê, sorridente e tranqüilo ele me respondeu que a fila logo ia passar. Falou com aquela calmaria baiana de dar inveja a qualquer pessoa de outra nacionalidade. Que bom estar de volta ao Brasil, lembro que pensei, ao sorrir e agradecer a informação.
     Para aqueles que estão saindo de férias: bom passeio e prudência na estrada, porque não há nada melhor do que voltar pra casa!

Publicado em 3 de janeiro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 14:36:59