5/12/07
Sobre dezembro
Tim-tim à vida!
Dezembro me encanta, apesar de sua fugacidade. Parece namoro de verão. Ou melhor, permita-me atualizar o léxico, ficante. Talvez o encanto advenha justo da brevidade, da beleza passageira das ruas, casas, praças, sacadas, árvores iluminadas. Igual à paixão momentânea: efêmera, termina no bom da festa.
O ritual de montar a árvore natalina me faz lembrar do tempo em que eu acreditava em Papai Noel e tudo me era tão mais fácil… E é sobre a facilidade no manejo da vida que desejo escrever hoje. Alguns, muitos, a maioria da população é experta em complicar. O famoso estresse de fim de ano, às vezes não passa de falta de organização. Lojas e supermercados repletos no dia 23 ou, até mesmo, 24 de dezembro – loucura! Trata-se da espécie (que não está em extinção, pelo contrário, encontra-se em estado de proliferação) de gente em busca de algo para reclamar, desejam complicar a vida, masoquismo psicológico pode-se assim denominar.
Claro, há aqueles realmente estressados, gente precisada, com urgência, de férias e que, nem sempre, as têm. Bem, se não consegue alguns dias de folga, aproveite o fim de semana (mesmo que seja só o domingo) evite o tumulto de lojas e supermercado lotados, encontre o amor e os amigos. Amor e amizade podem ajudar e muito. Se o problema é falta de dinheiro, não precisa ser um jantar a luz de velas em um restaurante luxuoso, não! Basta uma comidinha menos rotineira e uma agradável companhia. Juntar os amigos para um brinde de fim de ano refresca qualquer alma à beira de um ataque de nervos. Não precisa ser a champanhe de verdade, francesa, um espumante resolve e permite a confraternização com a mesma alegria.
Interessante como as pessoas empurram com a barriga as grandes decisões para este mês encantador, definitivo, final. Muito comum nesta época: noivados, casamentos, separações e divórcios. É o desejo de entrar o próximo ano diferente, renovado, revigorado. Ainda bem que encontram coragem… Tal atitude poderia ter sido tomada antes, mas para quem não se permite antecipar a felicidade, tudo bem, se é neste mês que encontram forças, que renasçam com o menino Jesus!
Podemos até deixar de acreditar em Papai Noel! O que não podemos deixar é de ter fé em Deus e na vida. Além disto, não devemos perder a vontade de festejar com a família e os amigos! Dezembro é especial por isto: pelas festas, pelo brinde à vida, que como o dezembro um dia também se vai. A certeza da brevidade é que nos faz seres humanos melhores. A consciência da finitude nos instiga a eternizar os momentos felizes.
Tim-tim à vida! E nada de complicar o que pode ser tão simples…
Publicado em 6 de dezembro de 2007, Jornal Bom Dia, p.6
criado por joselmanoal
14:58 — Arquivado em: 

Comentário por Guilherme Mossini Mendel — 5 05UTC dezembro 05UTC 2007 @ 21:04
Oi, Profe!
Tudo certo?
Nossa! Muito boa essa crônica!
E ela toca, não tão diretamente, num ponto que já me fez pensar durante horas e dias: como era bom ser criança e viver no mundo da fantasia; pois tudo fica mais feio e sem graça conforme nós vamos crescendo. Ao menos eu me sinto assim.
É isso!
Até mais!
Tudebão!
Obs: Profe, dê uma olhada no “poema” que eu escrevi sobre o Natal, que consta nessa revista eletrônica: http://www.caestamosnos.org/Revista_Cafe_Cultural/04.html