Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

26/12/07

Das pequenas coisas da vida

     Como 2008 está se aproximando, revelo aos leitores, meus desejos: bom humor ao despertar e ao longo do dia, políticos honestos, churrasco com amigos (mais pela companhia do que pela carne, se bem que uma picanha mal passada e um pãozinho com alho…), consciência ambiental, nascimentos – crianças amadas e pais comprometidos, limite, educação de verdade na família e na escola, ambiente de trabalho harmônico, emprego com carteira assinada, profissionais apaixonados, saúde pública qualificada, elegância, vida digna, sol, chuva e vento na medida exata, luz elétrica, água potável, amores correspondidos, mãos dadas, amigos e família, mensagens eletrônicas mais pessoais e nada de correntes, religiosidade e fé seja lá Buda, Maomé ou Jesus Cristo, arte na veia: literatura, cinema, teatro, exposições, espetáculos, circo, cd’s e dvd’s; viagens, mar, montanha, serra, pizzaria, praça, parque, circo, pipoca, chocolate quente, prudência no trânsito e nas atitudes, beijo na boca, abraço apertado, dosagem certa entre palavra e silêncio, estudo, mochila, festa, revistas de viagem, jornais, patriotismo, esportes, sorvete, bolacha Maria chocolate, Nega Maluca, chocolate granulado e em barra (sou chocólatra assumida!), corpo e mente em forma, caminhada, mais conversa olho no olho e menos MSN, visitas, jantares românticos, sobremesa, pão feito em casa, queijo com goiabada, chinelo de dedo, hortelã, orégano, manjericão e muito tempero na vida (aliás, uma dica de filme: O Tempero da Vida), sites inteligentes, fotografias, cafuné, artesanato, abaixo o preconceito e a hipocrisia, elogios e críticas com delicadeza e sinceridade, ar condicionado, canto de passarinho, animais domésticos afetivos, cães perigosos presos, alunos curiosos, sorrisos e lágrimas – as emoções (aquelas tão cantadas por Roberto Carlos), melodias alegres, letras belas, sonhos recheados de amor e de doce de leite!
     Feliz 2008 a todos!

Publicado em 27 de dezembro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    10:53 — Arquivado em: Crônica

20/12/07

Então, é Natal?

     Este é o dezembro mais trágico desde o ano 2000, segundo reportagem do Jornal Zero Hora (18/12/07): 46 mortes por acidentes em ruas, avenidas e estradas no RS. O trágico aqui se refere apenas ao trânsito, não inclui as atrocidades dentro de estádio de futebol e a violência cometida pelo pai contra um menino de um ano e quatro meses.
    E o Natal se aproxima mesmo assim… Na época em que a bandeira da paz deveria tremular, o que se vê é o sangue a escorrer das páginas dos jornais. No entanto, sigo a minha busca por notícias mais natalinas nos jornais da semana e, por sorte, encontro algumas.
     Uma notícia diz respeito ao trabalho do Correio, auxiliando a organizar as cartas endereçadas ao Papai Noel e distribuir os presentes de Natal que são doados por um grande número de pessoas em busca da realização dos desejos infantis. Escolher uma cartinha e atender a um pedido pode ser algo pequeninho, mas já é uma maneira de olhar para o outro. Bela atitude a de se tornar um pouco Papai Noel e um trabalho excepcional dos funcionários do Correio. Isto, sim, é Natal!
    Outra atitude que me fez lembrar do espírito natalino foi sobre o apadrinhamento afetivo que traz uma gota de esperança e alegria às crianças que ainda não foram adotadas. O padrinho busca a criança para passear nos fins de semana, nas festas de fim de ano, enfim, doa um pouco do seu tempo e do seu afeto a alguém que deve ter uma dose de amor guardada de longa data…
     Além disto, leio comovida sobre a greve de fome de Dom Luiz Flávio Cappio, bispo da Barra (BA) em protesto ao projeto do governo federal que prevê a retirada de água de duas represas do Rio São Francisco. E a atitude me faz lembrar exatamente de São Francisco sempre preocupado com a natureza como um líder ambientalista da atualidade. Isto é mais que solidariedade, é consciência ambiental, virtude a cada dia mais rara.
     Espero que estas três notícias também os comovam e assim, vocês, queridos leitores, possam enxergar um pouco de bondade no dezembro, que era para ser tão festivo, e fica marcado como tão triste e violento.
     Fica registrado o meu desejo de que as renas do Papai Noel conduzam bem o trenó, tomando cuidado com o tráfego aéreo e consigam, assim, trazer o Natal chegar até nós, ávidos de esperança e paz.
Feliz Natal!

Publicado em 20 de dezembro de 2007, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    11:53 — Arquivado em: Crônica

9/12/07

Bicho Papão e Papai Noel

     O sistema carcerário brasileiro é vergonhoso! A violência contra a mulher é inadmissível em qualquer espaço, inclusive no presídio. Há dias a história da menina L. de 14 anos em, Abaetetuba – Pará retumba em meus ouvidos, trata-se de assunto triste, até mesmo revoltante, diante do qual não posso calar.
     A governadora, a juíza, a delegada, a secretaria de segurança pública no estado do Pará – mulheres que sabiam das agressões sofridas por L. e nada fizeram, se omitiram, preferiram fazer de conta que nada sabiam. Argumentos não faltaram: a menina tem problemas mentais como se tal fato justificasse o estupro, muito pelo contrário torna a situação ainda mais grave.
     Que espécie de barbárie é esta em pleno século XXI? Nem um pouco diferente dos tempos de Nero. Não evoluímos nada, continuamos os mesmos animais. Uma menina menor de idade, porque estava sem documentos é presa em uma cela com vinte homens. Roubam a comida da menina em troca de sexo. Ela sofre queimaduras de cigarro, seu cabelo é cortado com faca – violência, humilhação são palavras amenas para a dor da garota. Policiais carcerários emudecem, nada declaram. Passaram-se vinte e quatro dias até as denúncias chegarem à imprensa e tentar mudar o rumo da história.
     A comissária das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos considerou um desrespeito às convenções ratificadas pelo Brasil nas áreas de direitos civis e políticos a violência sofrida pela menina na prisão. Questionou, inclusive, o procedimento da prisão antes de um julgamento e de uma condenação.
     O Secretário de Direitos Humanos pediu a proteção para a mãe de L. para as quatro integrantes do Conselho Tutelar do município que denunciaram o caso e para a presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-PA.
     A história foi divulgada pela imprensa internacional, teve espaço em diferentes jornais do mundo, em momentos como este dá uma vergonha de ser brasileiro e mais do que isto dá vergonha de ser gente. Que espécie evoluída, racional é esta?
     Nada desculpa o que aconteceu com L.! Se é maior o menor de idade, se é deficiente mental ou não! Uma violência como esta não tem nome, é inexplicável, horrenda, monstruosa! Ainda bem que está chegando o Papai Noel pra ver se a gente consegue esquecer o Bicho Papão que anda solto por aí…

Publicado em 13 de dezembro de 2007, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    20:19 — Arquivado em: Crônica

5/12/07

Sobre dezembro

     Tim-tim à vida!

    Dezembro me encanta, apesar de sua fugacidade. Parece namoro de verão. Ou melhor, permita-me atualizar o léxico, ficante. Talvez o encanto advenha justo da brevidade, da beleza passageira das ruas, casas, praças, sacadas, árvores iluminadas. Igual à paixão momentânea: efêmera, termina no bom da festa.
     O ritual de montar a árvore natalina me faz lembrar do tempo em que eu acreditava em Papai Noel e tudo me era tão mais fácil… E é sobre a facilidade no manejo da vida que desejo escrever hoje. Alguns, muitos, a maioria da população é experta em complicar. O famoso estresse de fim de ano, às vezes não passa de falta de organização. Lojas e supermercados repletos no dia 23 ou, até mesmo, 24 de dezembro – loucura! Trata-se da espécie (que não está em extinção, pelo contrário, encontra-se em estado de proliferação) de gente em busca de algo para reclamar, desejam complicar a vida, masoquismo psicológico pode-se assim denominar.
     Claro, há aqueles realmente estressados, gente precisada, com urgência, de férias e que, nem sempre, as têm. Bem, se não consegue alguns dias de folga, aproveite o fim de semana (mesmo que seja só o domingo) evite o tumulto de lojas e supermercado lotados, encontre o amor e os amigos. Amor e amizade podem ajudar e muito. Se o problema é falta de dinheiro, não precisa ser um jantar a luz de velas em um restaurante luxuoso, não! Basta uma comidinha menos rotineira e uma agradável companhia. Juntar os amigos para um brinde de fim de ano refresca qualquer alma à beira de um ataque de nervos. Não precisa ser a champanhe de verdade, francesa, um espumante resolve e permite a confraternização com a mesma alegria.
     Interessante como as pessoas empurram com a barriga as grandes decisões para este mês encantador, definitivo, final. Muito comum nesta época: noivados, casamentos, separações e divórcios. É o desejo de entrar o próximo ano diferente, renovado, revigorado. Ainda bem que encontram coragem… Tal atitude poderia ter sido tomada antes, mas para quem não se permite antecipar a felicidade, tudo bem, se é neste mês que encontram forças, que renasçam com o menino Jesus!
     Podemos até deixar de acreditar em Papai Noel! O que não podemos deixar é de ter fé em Deus e na vida. Além disto, não devemos perder a vontade de festejar com a família e os amigos! Dezembro é especial por isto: pelas festas, pelo brinde à vida, que como o dezembro um dia também se vai. A certeza da brevidade é que nos faz seres humanos melhores. A consciência da finitude nos instiga a eternizar os momentos felizes.
     Tim-tim à vida! E nada de complicar o que pode ser tão simples…

Publicado em 6 de dezembro de 2007, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    14:58 — Arquivado em: Crônica
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