Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

24/10/07

Tolerância Zero

     Com o passar dos anos, a idade avança e novos gostos se instalam em nossas vidas: eu, por exemplo, aprendi a apreciar rúcula. Outros gostos são inabaláveis ao andar do tempo: eu, por exemplo, continuo adorando bolacha Maria.
     Algo tem me aborrecido mais aos trinta e poucos anos, quase quarenta… Claro já me incomodava aos dez e aos vinte, porém hoje ganhou um peso muito maior na minha lista de irritabilidade. O algo se chama: falta de educação! Cabe recordar que a falta de educação pode estar no egoísta e infantil barulho provocado por alunos do curso superior, enquanto outros colegas, na sala de aula ao lado, podem estar realizando uma prova ou simplesmente querendo ter aula; como no pequeno gesto de jogar o papel de bala no chão ou grudar o chiclete embaixo da mesa.
     Será tão difícil assim agir de modo educado? Tenho me sentido a cada dia mais ranzinza, até mesmo, intolerante. O grau de intolerância diminui, na linha dos trinta e tantos. Passamos a conviver, então, com a nossa tolerância zero! O que digamos não é nada fácil… Tenho vivido o exercício da boa vizinhança, da diplomacia, da civilidade, da educação, da cidadania, no entanto é quase impossível a concretização de tal atitude ao perceber que, em nossa sociedade agir de modo politicamente correto, significa justamente remar contra a maré!
     Remamos contra a maré todos nós que tentamos viver de modo educado, lembrando do outro, respeitando o espaço alheio, o silêncio merecido. Não quero ficar com fama de ranzinza, até admito minha tolerância zero, mas também sou festeira à beça: adoro uma bagunça, um bom rock em alto som, um monte de amigos, porém tudo tem o seu lugar e a sua hora. E remamos contra a maré todos nós que fazemos nossas festas, sem perturbar os demais. Homenageamos nossos amigos, colegas, professores, pais, irmãos, sem que o mundo precise saber disto. Nossas reuniões podem ser mais discretas, mas não menos intensas, sinceras, alegres e belas.
     No país da pirataria, da corrupção, da falcatrua e do jeitinho, ainda restam sujeitos educados, honestos e respeitadores. Uma minoria que pode fazer deste país algo mais decente e digno. Meus aplausos a todos os educados! Não vou atribuir nenhuma vaia aos mal-educados! Espero, sim, que eles leiam este texto e o compreendam, porque a falta de educação não atinge a capacidade de interpretação do indivíduo, está centrado apenas na ética e na moral.

Publicado em 25 de outubro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

criado por joselmanoal    9:30 — Arquivado em: Crônica

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