Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

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Crônicas e contos de minha autoria
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Terra Blog

Arquivo de: Outubro 2007

31.10.07

Da gratidão

categorias: Crônica


     Na última quinta-feira, 25/10, fui tomada de uma emoção indescritível. Embora indescritível, vou me arriscar a expressar um pouco a vocês, leitores, a quem eu devo parte desta minha alegria.
     O Jornal Bom Dia publicou a novidade na terça-feira, 30/10. Se por acaso alguém não leu, vou repetir a notícia: recebi a aprovação da Editora Movimento sobre o meu livro de contos Aroma Hortelã, durante a Feira do Livro, mais especificamente, ao término da Mesa Redonda sobre Gladstone Osório Mársico – Vida e Obra, em 25/10. Carlos Jorge Appel (editor, professor de Literatura, crítico literário) após sua fala na mesa redonda, disse ter tido a grata surpresa de conhecer uma nova escritora erechinense e que a obra será publicada no próximo ano. A resposta da editora me tomou de surpresa, entreguei os originais em 15/10 em Porto Alegre e me garantiram uma resposta em 60 dias. Jamais pensei receber uma resposta positiva em dez dias e diante de público. Minha cara na hora deve ter sido algo semelhante a um bobo alegre... Segundo minha filha Sophia (sete anos) fiquei insuportável! Aliás permaneço insuportavelmente feliz!
     Não estou escrevendo tudo isto como marketing pessoal, mas sim porque quero expressar minha gratidão a todos os leitores deste espaço que me incentivaram a escrever mais e mais.
     Quando ouvi do Appel ser uma nova escritora erechinense, pensei: Opa, tem um engano aí, eu não nasci em Erechim, sou de Porto Alegre! A verdade é que agora sou mais de Erechim que de Porto Alegre. Afinal se não tivesse me mudado em julho de 2003, certamente, não teria escrito um livro e muitos de meus textos não teriam saído da gaveta. Minhas histórias ficariam adormecidas. A decisão familiar de viver em Erechim e fugir do estresse da capital nos permitiram uma vida muito diferente da que tínhamos. Minha vida em Porto Alegre era muito atribulada e jamais teria me organizado para escrever com disciplina, como faço aqui em Erechim.
     Quero contar um pouco da minha trajetória até aqui:
     Vim para Erechim para atuar como professora no Curso de Letras da URI. Já conhecia Erechim e a universidade. Havia trabalhado no Curso de Administração – Comércio Exterior em 1995. Não sei se eu nunca abandonei a universidade ou se a universidade nunca me abandonou... Nunca perdi o contato com os meus ex-colegas que, aliás, estavam sempre me convidando para voltar a Erechim. Até que decidi retornar após oito anos e fui muito bem recebida.
     É por isto que ser considerada uma escritora erechinense é motivo de orgulho! O ser erechinense, após a reflexão anterior, me parece natural. Quanto ao status de escritora, ainda me soa meio estranho, me considero ainda aprendiz...

Publicado em 1º de novembro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 17:47:38

24.10.07

Tolerância Zero

categorias: Crônica



     Com o passar dos anos, a idade avança e novos gostos se instalam em nossas vidas: eu, por exemplo, aprendi a apreciar rúcula. Outros gostos são inabaláveis ao andar do tempo: eu, por exemplo, continuo adorando bolacha Maria.
     Algo tem me aborrecido mais aos trinta e poucos anos, quase quarenta... Claro já me incomodava aos dez e aos vinte, porém hoje ganhou um peso muito maior na minha lista de irritabilidade. O algo se chama: falta de educação! Cabe recordar que a falta de educação pode estar no egoísta e infantil barulho provocado por alunos do curso superior, enquanto outros colegas, na sala de aula ao lado, podem estar realizando uma prova ou simplesmente querendo ter aula; como no pequeno gesto de jogar o papel de bala no chão ou grudar o chiclete embaixo da mesa.
     Será tão difícil assim agir de modo educado? Tenho me sentido a cada dia mais ranzinza, até mesmo, intolerante. O grau de intolerância diminui, na linha dos trinta e tantos. Passamos a conviver, então, com a nossa tolerância zero! O que digamos não é nada fácil... Tenho vivido o exercício da boa vizinhança, da diplomacia, da civilidade, da educação, da cidadania, no entanto é quase impossível a concretização de tal atitude ao perceber que, em nossa sociedade agir de modo politicamente correto, significa justamente remar contra a maré!
     Remamos contra a maré todos nós que tentamos viver de modo educado, lembrando do outro, respeitando o espaço alheio, o silêncio merecido. Não quero ficar com fama de ranzinza, até admito minha tolerância zero, mas também sou festeira à beça: adoro uma bagunça, um bom rock em alto som, um monte de amigos, porém tudo tem o seu lugar e a sua hora. E remamos contra a maré todos nós que fazemos nossas festas, sem perturbar os demais. Homenageamos nossos amigos, colegas, professores, pais, irmãos, sem que o mundo precise saber disto. Nossas reuniões podem ser mais discretas, mas não menos intensas, sinceras, alegres e belas.
     No país da pirataria, da corrupção, da falcatrua e do jeitinho, ainda restam sujeitos educados, honestos e respeitadores. Uma minoria que pode fazer deste país algo mais decente e digno. Meus aplausos a todos os educados! Não vou atribuir nenhuma vaia aos mal-educados! Espero, sim, que eles leiam este texto e o compreendam, porque a falta de educação não atinge a capacidade de interpretação do indivíduo, está centrado apenas na ética e na moral.

Publicado em 25 de outubro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 09:30:31

17.10.07

A Primavera e a Literatura

categorias: Crônica


     A 10ª Feira do Livro de Erechim homenageia Gladstone Osório Mársico, Vera Beatriz Sass (patrona) e Monteiro Lobato. O primeiro apresenta a prosa em um tom satírico e picaresco, a segunda utiliza-se da poesia como ferramenta para o encantamento e o último trouxe às crianças histórias brasileiras, não aquelas existentes apenas em um reino distante no mundo do era uma vez...
     Há diversificação de atividades para diferentes públicos na próxima semana (dos dias 24 a 28 nos três turnos) no Seminário Nossa Senhora de Fátima: oficinas, palestras, saraus culturais, apresentações artísticas, roda de conversa, mesas redondas, missa do livro, lançamento de obras e sessão de autógrafos. A URI é uma das apoiadoras do evento e os alunos do Curso de Letras estarão envolvidos em várias atividades. Aqueles que prestigiam a arte em nossa cidade, não podem faltar!
     Alguns dos colunistas colaboradores do Jornal Bom Dia, também farão parte da Feira do Livro: o Prof. Neivo Zago coordenará a mesa redonda: “Imprensa: a História Contada e Escrita” e eu ministrarei a Oficina: “A crônica entre a crítica e a emoção”.
     Sem dúvida, o que há de mais importante e significativo em uma Feira como esta é o encontro entre os leitores e os livros. Espero que haja variedade de títulos de diferentes autores e áreas, a fim de agradar ao maior número possível de leitores. Por esta razão, deixo um recado aos livreiros para que invistam no material a ser mostrado na Feira e que não se contentem em rechear as estantes tão somente de best sellers e de livros de auto-ajuda, que permitam aos erechinenses preços atrativos e diversidade de títulos e autores, que a diversidade não esteja apenas na programação do evento...
     A Feira é uma festa para o livro, um momento para celebrar a magia do mundo da literatura! Que todos se façam presentes e se permitam viajar através das páginas. Vamos esperar pelo sol na próxima semana, que o clima seja mesmo o de primavera! Que venha, portanto, a primavera, acompanhada de muitos livros, de muito satírico e picaresco, de muita poesia e beleza, de muito Brasil e de muito Sítio do Pica-Pau Amarelo. Uma bela Feira do Livro para Erechim!

Publicado em 18 de outubro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 8

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  • Postado em 10:38:24

10.10.07

Professores e crianças

categorias: Crônica

     Há professores que ficam marcados em nossas memórias por longa data... Lembramos daqueles que foram ótimos e daqueles que foram cruéis. Claro, muitas vezes, os ótimos são os mesmos cruéis, demoramos um pouco para entender isto... Os professores esquecidos são os neutros! Neutro merece aqui um conceito: trata-se daquela espécie de gente que passa pela vida desapercebido e não será lembrado por nenhum trabalho, por nenhum feito.

     O Dia do Professor é comemorado em quinze de outubro, então palmas para todos os que desempenham sua função com a dosagem certa de exigência! O melhor mestre é o que sabe ser exigente na medida justa, que consegue perceber nosso limite e nos faz chegar até lá. Não aceita hipocrisia, mediocridade. Quer de nós o melhor! É ótimo porque nos faz enxergar, não quer que vejamos tão somente através de seus olhos, e sim que saibamos enxergar por nós mesmos, nos entrega a lupa e nos ensina a usá-la. O professor ótimo tem que ser um apaixonado, um entusiasta, capaz de contagiar seus alunos, de intrigá-los com tanta intimidade ao falar sobre: logaritmos, advérbios, células, tabela periódica, golpe de 64,continentes, camada de ozônio, lei de Newton, verbo to be ou ser y estar, enfim estas pequenas grandes informações que compõem a vida do estudante e podem ser transformadas em algo mais ou menos agradável, dependendo do teor das aulas, da competência e da crueldade do professor.

     Talvez o grande segredo para ser um bom professor seja o de preservar a memória de aluno. Ouvi isto uma vez e jamais esqueci! O docente tem que estar de bem com a criança que o habita, mesmo que um pouco sufocada; deve lembrar-se de quando era aluno, de suas preferências e de seus temores. A memória faz com que nos coloquemos no lugar do outro e contribui muito para o satisfatório andamento da aula. O bom senso o se flagra como diz a gurizada é importante. Afinal estamos no palco, mas não somos artistas! E nem queremos ser! Esta não é nossa função, se somos divertidos ou não, pouco interessa, somos educadores, não animadores de auditório! Tudo bem, às vezes podemos propor um jogo, uma música, no entanto não temos nenhuma obrigação de divertir. Nossa missão é com o ensino e nada mais! Claro me refiro ao ensino para adultos, sei que o universo da criança é outro...

     Aliás, falando em criança, lembrei que também queria escrever sobre O Dia das Crianças (12/10)... A palavra infância sempre vem vinculada a uma certa nostalgia... Muitos repetem sobre a infância: foi a melhor fase de minha vida. Esta afirmação é triste, porque parece que a pessoa deixou-se abater por uma tristeza na fase adulta, da qual não mais consegue libertar-se. Adultos pagam contas, porém têm muito mais liberdade! Adultos brincam de coisas bem legais também, diferente das brincadeiras da infância. Adultos podem encontrar amigos em um bar e ficar conversando, falando besteira da noite ao amanhecer (mesmo que seja só no fim de semana), o que pode ser parecido a tomar sorvete na calçada no final da aula, com a melhor amiga, aos oito anos. Esta, inclusive, pode ser a mesma amiga a te acompanhar no papo do bar da fase adulta. Basta saber conservar os amigos, fazer outros tantos, e, assim, nos sentiremos sempre na infância - isto é maravilhoso...

Publicado em 11 de outubro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 14:12:06

03.10.07

UMA ATITUDE NOBRE

categorias: Crônica


      No dia 27 de setembro foi comemorado o Dia Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos e, na verdade, temos muito pouco a comemorar... Segundo reportagem do Jornal Bom Dia (27/09/07, p.3) neste ano nenhuma doação foi realizada em nossa cidade e no ano passado tão somente duas. Falta informar, conscientizar, ensinar a ser solidário! O Hospital de Caridade já iniciou a sua campanha. Há inclusive uma camiseta: Seja você também um doador de órgãos. Para quem quiser adquirir, basta entrar em contato com o Setor de Compras do Hospital e fazer propaganda por algo mais nobre do que qualquer griffe.
     Entre as causas da não doação está o argumento de que o familiar não havia manifestado tal desejo em vida. Portanto, todos os que desejem ser doadores: comuniquem os seus familiares. Outro motivo está associado a um desentendimento quanto à morte cerebral. Por favor, não se trata de nenhuma forma de eutanásia! Há também a alegação de motivos religiosos. Aí mesmo é que não entendo!!! O religioso deveria ser o mais humano e preocupado com o próximo, portanto... Ou será que alguém precisa de seus órgãos intactos para pisar no tapete azul do céu? Pensem em quantas vidas poderão ser salvas, quantas pessoas aguardam em uma fila de espera interminável por um transplante...
     O número de doações reduziu em todo o país, não é um fenômeno exclusivo de Erechim, devido a isto será lançada uma grande campanha de conscientização nacional que terá um gaúcho como garoto propaganda - Matheus Bitencourt Lazaretti - de um ano e sete meses que no ano passado recebeu um novo coração (primeiro transplante cardíaco em bebê no Rio Grande do Sul).
     Os pais de Matheus devem ser eternamente gratos aos pais de outra criança de dois anos, vítima de paralisia cerebral e hidrocefalia, que conseguiram ter sensibilidade em um momento de tanta tristeza, ao saberem da morte cerebral do filho, autorizaram a doação de órgãos. Fizeram a sua parte, souberam pensar em outra criança, que não somente a deles que partia. Uma atitude digna que nos leva à reflexão, à vestimenta da camiseta, à transmissão de recado, até mesmo, à panfletagem!
     O filme espanhol Todo sobre mi madre de Pedro Almodóvar, 1999, Oscar de Melhor Filme Estrangeiro lança um olhar comovente sobre o tema da doação de órgãos. Uma obra genial que merece ser vista!
     Saindo do mundo da ficção e voltando à vida real, espero que ao ver Matheus - símbolo da campanha nacional de doação de órgãos - fique tudo muito mais claro. Afinal, a energia e a luta pela vida transparecem a cada gesto, a cada sorriso do menino e, com certeza, valem muito mais do que qualquer texto. Se a imagem vale mesmo mais que mil palavras, desejo que a Campanha invada os lares, se possível em horários nobres, e as pessoas propaguem a idéia da doação. Assim muitas pessoas poderão viver com a mesma alegria de nosso gauchinho...

Publicado em 4 de outubro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6

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  • Postado em 11:33:58