26/9/07
Três alfinetadas
1. Sempre tive a impressão de que monges eram sujeitos alheios às questões políticas, econômicas e sociais. Por isto me espantou o número de monges, vinte mil, entre os cem mil presentes no protesto sobre a ditadura em Yangun, na Ásia, em 24 de setembro. Considerado este o maior protesto desde 1988, em que houve repressão violenta e que causou mais de três mil mortos.
Ou seja, monges não ficam só rezando, ou melhor, meditando por dias melhores, fazem a sua parte nas ruas. Curioso, não acham? Importante o engajamento político de religiosos. Afinal ser adepto de uma religião pode ser considerado um ato político. O defender determinada causa e doutrina é um ato político por excelência.
Em nosso país talvez faltem monges para liderar um movimento contra a corrupção e a patifaria do Congresso Nacional. Quem sabe a gente manda buscar alguns na Ásia?
2. "As pessoas no Irã são felizes, têm a liberdade de dizer o que pensam. As mulheres iranianas são as mais felizes do mundo. Nós não temos homossexuais no Irã, como vocês têm nos EUA." Zero Hora, 25 de setembro de 2007, p. 28.
A fala supracitada é do Presidente do Irã MAHMOUD AHMADINEJAD e causou risos da platéia na Universidade de Columbia (EUA) na palestra proferida há alguns dias.
Homossexualismo não é lepra, para ser motivo de orgulho a sua inexistência em algum país. Deveria ser motivo de vergonha, sim, um país que concebe preferência sexual como doença. No Irã vivem, com certeza, milhares de reprimidos, entre eles: homossexuais e mulheres. E como afirmar o maior índice de felicidade feminina mundial? Que barbaridade! Além do que basta saber um pouquinho sobre o mundo feminino no Oriente, para saber a forma como a mulher é tratada no Irã. Sem contar que mulheres são insatisfeitas por natureza, para se dizerem felizes não é assim tão simples…
3. Na Semana do Trânsito ocorreu um incidente durante uma palestra infantil em uma escola: as crianças não ouviram o palestrante Sargento e foram punidas ao não-recreio. Tudo bem, eu concordo: todos devem saber escutar e respeitar aquele que fala. Quanto ao ficar sem recreio, também não considero um castigo terrível, me parece justo e correto. Para mim o cerne do problema está é no discurso. É complicado falar para crianças e fazê-las ouvir, principalmente quando estão em auditórios e em grande número. Na Semana Farroupilha, assisti a um momento destes e os pequenos permaneceram quietos e atentos à fala das professoras. A diferença? Aquelas que falavam eram professoras das turmas de Jardim I que conhecem o vocabulário e a forma de explicar e de como atingir o público mirim. Não é nada fácil a tarefa de palestrar para crianças!
Publicado em 27 de setembro de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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