9/8/07
Gastronomia: arte e cultura
A gastronomia é um ato cultural - concordo com a crítica gastronômica mexicana Lourdes Hernández Fuentes. Na verdade, gastronomia é arte e cultura. Na cozinha se cria, se inventa e reinventa o sabor de um povo.
A Revista Época (6 de agosto de 2007) apresenta uma matéria sobre os chefs latinos na Europa e nos Estados Unidos. Os temperos, as frutas e as carnes da América Latina ainda são considerados territórios inexplorados. As culinárias latinas, especialmente a mexicana, a peruana e a brasileira, assumem o comando nas maiores cozinhas de restaurantes internacionais surpreendendo o mundo com pimentas, cactos, ervas e frutas.
A gastronomia tem adquirido um espaço importante em nosso país. Em nosso estado já encontramos cursos superiores dedicados à formação de gastrônomos. Já se foi o tempo em que aprender a cozinhar era um aprendizado simples, agora exige sofisticação e técnica. Aqui me refiro não à cozinha elementar, mas à elaboração de novos pratos, novas receitas.
Aprendi a gostar da cozinha com a minha avó e a minha mãe. Costumava ficar observando a função das duas e, ainda hoje, não sei bem se minha presença ali ajudava ou atrapalhava, de qualquer forma, eu nunca fui expulsa e ainda ganhava umas panelas para lamber. E nada mais divertido do que raspar uma colher de pau na panela para encontrar a sobra de um creme quente é uma delícia inexplicável e nem precisa explicar, todos já devem ter vivenciado tal experiência.
Lembro que, desde pequena, me agradava olhar a agilidade de minha mãe no corte da cebola, a força da musculatura de minha avó no manuseio do rolo para puxar a massa. Talvez não tenha aprendido um décimo na minha observação, mas aprecio estar na cozinha, não para lavar louça ou limpar chão (estas funções não me parecem nada atrativas) e sim para cozinhar!
Na literatura, a culinária ganhou destaque em Proust, ao mencionar a famosa memória dos sabores da infância… Se a arte eterniza o ser humano, posso concluir que a gastronomia também o faz! Quantas vezes vocês já não falou, ou ouviu falar, das saudades de um alimento preparado por alguém distante… A receita pode ser dada nos mínimos detalhes, porém há pratos inigualáveis: como o ravioli de minha avó materna e o nhoque de minha avó paterna.
Para comilões cinéfilos indico: Chocolate, Simplesmente Martha, Como Água para Chocolate, Tempero da Vida - filmes belos e criativos. Aliás, já os havia indicado em uma outra crônica denominada: Boloterapia (publicada neste espaço em 23 de março de 2006), se quiserem ler ou reler o texto está no blog.
Uma vida plena de gastronomia, de arte, de cultura e de amor a todos os pais neste domingo. Um abraço especial a meu pai - Leonildo - a quem eu poderia definir como um sabor de chocolate com pimenta. Doce, original, forte, picante: este é o meu pai!
Publicado em 9 de agosto de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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