12/7/07
Da valentia de sair do armário
Em pleno século XXI como pode ainda existir preconceito sobre o homossexualismo? Como pode ainda ser considerado um problema até mesmo uma doença a opção sexual somente por ser menos comum, diferente? O ser sincero na exposição da homossexualidade é capaz de prejudicar o sujeito em suas atividades profissionais, além de fazê-lo passar por constrangimentos e fofocas de baixo nível em nosso país. Muitos homens se casam e vivem em uma relação heterossexual de fachada e, extremamente, infelizes. Deprimente ter uma vida sexual às escondidas, reprimir desejo, viver de mentira… As pessoas nasceram para a felicidade, não para a frustração e para os amores coibidos.
O meio-campista Richarlyson, 24 anos, do São Paulo Futebol Clube tem sentido na pele o preconceito no meio esportivo. Após uma declaração sobre sua opção homossexual, em uma entrevista em rede de televisão, correm boatos de que seria prejudicado em sua vida como atleta. Como assim? Eu não entendi! Alguém joga melhor ou pior futebol por escolher este ou esta como parceiro/a na cama? Que estupidez! Há heteros e homossexuais em qualquer profissão e não é a escolha sexual que determina a competência profissional de ninguém!
O que mais me impressionou ao ler uma matéria sobre o assunto denominada "Preconceito no vestuário" na revista Época (2 de julho de 2007, edição 476, p. 98-99) foi a tentativa de desmentir a revelação do jogador. O time exigiu silêncio sobre o assunto. O procurador de Richarlyson (que ameaçou processar o cartola palmeirense por mencionar o nome do cliente) disse conhecer a índole e o caráter de Richarlyson. Minha pergunta é: qual a relação entre a índole, o caráter e a sexualidade do indivíduo? Outra fala assustadoramente preconceituosa veio da boca da própria mãe do jogador ao afirmar à imprensa que o filho não tem esse problema. Problema, minha senhora, seria seu filho viver de mentira! A senhora, como mãe, deveria se orgulhar de seu filho por sua valentia para enfrentar o preconceito!
E falando em valentia, Frida Kahlo, pintora mexicana, completaria 100 anos em 6 de julho. Principalmente, no México, foram feitas várias comemorações pela data. Frida teve uma história de vida de muita dor e coragem, sofreu um acidente aos 18 anos, enfrentou 33 cirurgias. E na cama, deitada, sem poder mover-se, com um cavalete, uma tela, muitas tintas e um espelho no teto, Frida pintou a si mesma. Da tragédia nasceu uma artista excepcional! Símbolo do feminismo e da liberdade. Foi casada com Diego Rivera, também pintor. Suportou as infidelidades do marido, tendo também ela vários casos amorosos, com parceiros de ambos os sexos. Entre os amantes: Leon Trotski. Não conseguiu ser mãe, talvez sua maior tristeza. Frida envolveu-se politicamente de modo significativo… Após estas pinceladas, deixo a dica do filme Frida para quem quiser emocionar-se com uma história de vida e arte.
Meus aplausos para o esporte e para a arte, para Richarlyson e para Frida - duas corajosas figuras que souberam sair do armário!
Publicado em 12 de julho de 2007, Jornal Bom Dia, p.6
criado por joselmanoal
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