14/6/07
Intelecto sem pigmento
O sistema de cotas para negros implantado em universidades brasileiras é uma prova concreta de preconceito. O acontecimento com os irmãos gêmeos na semana passada na qual um deles foi considerado negro e ingressou na universidade e o outro não, tendo este que entrar com recurso na Justiça por se dizer negro e merecedor da cota como o irmão, renovou o debate sobre o assunto.
As vagas das universidades públicas deveriam ser destinadas aos candidatos de escolas estaduais e municipais. Defendo cotas para pessoas de baixa renda, independente de raça! Sabemos que ocorre o inverso: muitos dos que estudam em uma universidade federal são os que poderiam pagar uma universidade privada. Já os alunos das universidades privadas com dificuldades financeiras têm de se acotovelar na corrida por bolsas, estágios e monitorias para conquistar o diploma. Devido à competitividade e ao nível de exigência nos exames vestibulares das universidades públicas, são aprovados candidatos com maior conhecimento e bagagem cultural, em sua maioria, provenientes de uma classe social de poder aquisitivo mais alto. Segundo os dados do INEP 83% dos alunos das federais estudaram em escolas públicas, porém em cursos mais disputados como Medicina e Direito este percentual cai e aí está o cerne do problema!
A idéa do ENEM é boa, mas nem todos a conhecem e sabem como funciona. Muitas Instituições de Ensino Superior (IES) se manifestaram oficialmente pela utilização dos resultados do ENEM nos seus processos de seleção. Algumas reservam vagas aos participantes que obtiverem média maior ou igual a determinada nota; outras, acrescentam pontos à primeira ou à segunda fase; outras, ainda, substituem a nota do vestibular pela nota do ENEM. Alunos concluintes do ensino médio em 2007 ou que já o concluíram podem fazer a prova no dia 26 de agosto. As inscrições estão abertas até o dia 15 de junho e podem ser feitas pela internet: www.enem.inep.gov.br/inscricao. Além disto, o PROUNI é oferecido apenas aos alunos que fizeram o ENEM.
Com relação às cotas para negros, a capacidade intelectual, cognitiva, emocional não é ditada por cor, portanto trate de estudar e mostrar que é capaz. Se eu fosse negra não me sentiria honrada em iniciar uma graduação entrando por sistema de cotas, gostaria de ingressar em uma universidade por mérito intelectual e não por meu tom de pele. A questão abordada anteriormente: menor condição de acesso à cultura e o menor nível de exigência das escolas públicas (em sua maioria) se comparadas às particulares, estas razões, sim, justificariam a existência de cotas. Não lhes pareceria mais justo que as universidades públicas fossem para alunos oriundos de escolas públicas e as universidades privadas para alunos provenientes de escolas privadas?
A UFRGS votará na sexta-feira, 15 de junho, o projeto para adoção de cotas raciais e sociais, 10% para negros e 10% para egressos de escolas públicas. Em minha opinião deveria ser destinado 20% a cotas sociais. O ideal, ideal mesmo, seria que as universidades fossem 100% destinada a alunos das escolas públicas, mas…
Acreditem o intelecto não é pigmentado, se esforcem para ingressar na universidade e lembrem da prova do ENEM. Como diz a canção: "Sorte tem quem acredita nela", mas façam a sua parte também: estudem!
Publicado em 14 de junho de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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Comentário por ivete — 1 01UTC julho 01UTC 2007 @ 11:30
Que bom seria se todos pensassem como você!!! Acredito também que privilégios não acrescenta valores na vida das pessoas, o que acontece somente com muito estudo e esforço pessoal. Um grande abraço e parabéns pelo destaque da Zero HOra.