Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

24/5/07

O décimo casamento

     Adoro o ritual do casamento, digo isto porque no último fim de semana meu marido e eu fomos padrinhos (juntos) pela décima vez! Uma glória, uma honra ser madrinha, assistir a cerimônia bem pertinho, contemplar a emoção dos noivos, dos pais e dos outros padrinhos. Os dindos são pessoas escolhidas para estar ali junto ao casal, para compartilhar o altar, para presenciar a cerimônia com o melhor lugar reservado. Me sinto lisonjeada e sempre me emociono em casamentos, principalmente quando estou nesta condição de homenagem. Neste décimo casamento a emoção foi redobrada por um quê muito especial: a dama de honra era a nossa filha. E os pais são eternos babões… Não vou descrever, deixo que vocês imaginem o quanto nós estávamos orgulhosos! Bem, será o dobro, até mesmo o triplo, do que imaginaram!

     Voltando ao ritual do casamento, as promessas feitas pelos noivos na igreja diante de todos os convidados falam sobre o amor acima de qualquer coisa: da doença, da pobreza, etc. Pregam, acima de tudo, a fidelidade. Gosto de ouvir a fala dos padres, que mesmo sem nunca terem se casado, dizem palavras muito oportunas ao casal. Tentam dar alguma receita de boa convivência a dois. Se os noivos vão lembrar no momento da discussão? Realmente não sei. Mas o recado foi dado, isto é o que importa! E é bacana porque tem dupla função: pode servir para algum casal em crise que esteja participando da cerimônia…

     Após o casamento, sempre há alguma festa que é sempre um momento feliz de reencontro com familiares e amigos. Gosto de ver as pessoas em trajes sofisticados! Deparar-se com vizinhos, que vemos sempre de chinelos, em traje social; com as amigas, fãs do jeans e do tênis, de longo e saltinho é, no mínimo, uma bela surpresa. Não se trata de mediocridade, mas do cultivo à beleza escondida. A festa oportuniza também o reconhecimento de dançarinos, até então, ocultos: gente que encontramos sentados na roda do chimarrão, sacudindo o corpo na pista, também é uma bela surpresa.

      Este casamento, ao qual me referi no início do texto, foi especial também pela presença da mãe da noiva, que há mais de um ano vem sofrendo as conseqüências de um procedimento médico mal realizado, após submeter-se a uma cirurgia de redução de estômago. Imagino quantas pessoas rezaram para que ela se fizesse presente no casamento. E lá estava a mãe na igreja: feliz e emocionada. E a noiva, filha amorosa, virava-se na igreja para jogar beijos à mulher às suas costas que, em sua cadeira de rodas, olhava tão doce para a sua menina que parecia alcançá-la em um abraço. Para mim uma prova concreta da existência de Deus e de que o amor da família e a fé podem curar as mais graves doenças.

     Finalizo esta crônica desejando aos nossos mais recentes afilhados, Jeferson e Caissie, uma vida bem divertida juntos, assim como foi a festa do casamento e uma vida plena de amor, transbordante de afeto, assim como estavam na igreja, ao olhar um para o outro. Que o Jeferson conduza e mime a Caissie como o fez no altar, ao ajudá-la a subir e descer o degrau com o longo vestido. Que a Caissie continue a falar com a mesma delicadeza e carinho com o Jeferson, como o fez na promessa de amor eterno no microfone da Igreja Santa Cecília. E que nós, os padrinhos, possamos estar sempre no melhor lugar, como o que tivemos no altar, na vida do Jeferson e da Caissie.

Publicado em 24 de maio de 2007, Jornal Bom Dia, p.6

criado por joselmanoal    14:36 — Arquivado em: Crônica

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