10/5/07
Mães no trapézio
Às trapezistas com ternura
Algumas palavras perdem força, tamanha repetição. Legal, por exemplo, já parece palavra vazia, de tão dita! Mas há um vocábulo que não gasta, que não se esvazia, que não perde sentido, força e grandeza: mãe, às vezes mãeeeeee.
Se nós, as mães, ganhássemos um real (não precisa nem ser euro ou dólar) cada vez que ouvíssemos o mãe ou o mãeeeee, estaríamos milionárias, com certeza! Raramente filhos nos tratam pelo nome, às vezes até esquecem que suas mães têm nomes… Mas a gente nem se importa, porque gostamos da palavra mãe.
Lembro que na gravidez, conversava com uma amiga (destas que são um pouco mães) sobre a responsabilidade, o medo e as incertezas da educação, da função da maternidade, pois tinha medo de fazer algo errado… E minha amiga-mãe Maria Helena me disse que jamais se tem certeza ao educar, que ser mãe é arriscar, é viver na corda bamba, tentando fazer a coisa certa. Não sei se suas palavras me tranqüilizaram ou se me deixaram mais preocupada na época, o que sei, sim, é que foram sinceras e verdadeiras.
Mãe é uma só! Será mesmo? Há aquela que gera, aquela que adota, aquela que te deixa chorar no ombro, aquela que chora contigo, aquela que te conta piadas, aquela que te leva para passear, aquela que faz bolo, aquela que costura, aquela que vai ao cinema, aquela que sabe ouvir, aquela que sabe falar, aquela que te amordaça, aquela que te liberta, aquela que te critica, aquela que te elogia, aquela que te lê histórias em voz alta, aquela que te inventa histórias, aquela que quer ouvir as tuas histórias, aquela que te fala da vida, aquela que vive a vida, aquela que viaja junto, aquela que fica em casa, aquela que te encoraja, aquela que teme por ti, aquela que faz cafuné, aquela que te acorda com um beijo, aquela que te sacode pela manhã, aquela que faz o teu café, aquela que esconde segredos, aquela que te conta segredos,…
Nossa, há tantas mães! E nós somos um pouco de cada uma delas. Somos mutantes, lagartas e borboletas. Somos diferentes mães a cada manhã. Cada dia nós assumimos os diferentes papéis que cabem na função de ser mãe. Difícil e complexa missão a nossa: ser um pouco de tudo, todos os dias e saber dosar amor, paciência, compreensão, na medida justa, na tentativa de educar certo. Viver na corda bamba, estar ciente disto e saber ser feliz mesmo assim!
Parabéns a todas nós, trapezistas! A Joecí, minha mãe, um beijo muito especial para minha maior trapezista, para minha maior artista pelo Dia das Mães.
Publicado em 10 de maio de 2007, Jornal Bom Dia, p.6
criado por joselmanoal
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