18/4/07
O encantamento das páginas
Abril é o mês do livro. Dia 18 é o Dia Nacional do Livro Infantil, data do aniversário de Monteiro Lobato. Um autor que teve como preocupação mostrar o Brasil às crianças, recontou nossas lendas, criou os inesquecíveis personagens do Sítio do Picapau Amarelo e narrou aventuras em um espaço de nosso país. Trouxe o Brasil aos pequenos brasileiros que antes só ouviam histórias de príncipes e rouxinóis em um país muito distante… Um ilustre cidadão que merece a homenagem!
Dia 23 é o Dia Mundial do Livro. Dia de São Jorge, dia das rosas, data da morte do espanhol Miguel de Cervantes o maior escritor de todos os tempos e lugares. Trouxe ao mundo as figuras de Dom Quixote e Sancho Pança e com eles uma reflexão plenamente atual sobre a vida. Em princípios de maio de 2002, uma impressionante comissão de críticos literários de várias partes do mundo escolheu o livro Don Quijote de La Mancha, como a melhor obra de ficção de todos os tempos.
Entendidas as datas, agora vamos conversar sobre esta junção de páginas a que chamamos livro. Desde que aprendi a ler, nunca mais larguei os livros. Antes disto já conhecia e apreciava os livros e as histórias que ganhavam vida na voz de minha mãe. A formação do leitor pode ocorrer na infância, mas não acho que o problema da escassez de leitores em nosso país seja esta. Em geral as crianças gostam dos livros, gostam das histórias. Para mim a falta de entusiasmo para a leitura surge exatamente na escola com as leituras obrigatórias no período da adolescência, devido às obras selecionadas, ao conteúdo e à forma. Se a gurizada lesse o Daniel Galera e a nova geração de escritores brasileiros certamente não abandonaria nunca mais os livros. A escola pode formar leitores sim, contanto que selecione leitura de obras mais atrativas. Amo Machado de Assis, mas será que aos treze é a idade para a leitura da obra deste autor? Por que não iniciar os estudos da literatura brasileira pelos contemporâneos? E depois, sim, os clássicos… O caminho inverso não parece estar dando muito resultado…
O livro representa a companhia de um mundo novo. Não sou uma leitora insistente, se começo a ler e o texto não me seduz não sigo em frente! Busco outra história! Gosto dos livros que me agarram pelo pescoço, que me inquietam, que não me deixam desgrudar os olhos das páginas, que aguçam a minha curiosidade ao limite e me fazem dar uma espiadinha na última frase, da última página (muitas vezes, confesso: não resisto!). Gosto dos títulos, gosto das entrelinhas… Há certos livros que a finalização da leitura faz lembrar uma despedida de amigos. Dá vontade de reler, como na despedida do amigo dá vontade de agarrá-lo pelo braço e disser fica mais um pouco comigo!
Acredito que todos podem ser sujeitos leitores basta encontrar o seu livro. Impossível que com tantos textos interessantes e de estilos tão variados não haja um que lhe agrade, um em que haja identificação. O problema é a preguiça do século XXI. A televisão pode ocupar um espaço na vida das pessoas, mas jamais a imagem dada pode ser comparada àquela produzida pela imaginação. A literatura valoriza o leitor, a televisão por vezes o despreza.
Encontrem os seus livros e terão uma ótima companhia. Ao virar a página ou ao tocar o mouse encontrarão momentos de emoção e de encantamento. Se nada disto acontecer, escolha outro texto. O livro deve conter páginas encantadas, se não for assim, não serve! Encontrem seus livros e se encantem…
Publicado em 19 de abril de 2007, Jornal Bom Dia, p. 6
criado por joselmanoal
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