Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

11/4/07

VIVER A INTENSIDADE DE CADA MINUTO

     Gostaria de envelhecer em um país oriental para ser tratada com a dignidade que deverei merecer com a idade avançada. No Brasil a existência de filas especiais para idosos é um avanço? Sim, mas não passa de uma gotinha. A aposentadoria de valor vergonhoso em nosso país não condiz com os anos de esforço e suor do trabalhador. É uma gorjeta! Há um simulado (para não dizer falso) respeito à Terceira Idade. Acredito que gestos minúsculos, tímidos, ínfimos, podem não salvar a dignidade, mas podem sim estimular a criação de novos projetos e conduzir a uma melhoria na qualidade de vida!
     O tratamento dado à Terceira Idade vem me comovendo não é de hoje… Ao assistir o envelhecimento de minha avó, a sua falta de ânimo e de alegria (ânimo e alegria que lhe eram tão característicos em outros tempos) me comove ainda mais e me instiga a escrever este texto. Falei sobre minha avó nesta coluna o ano passado e sobre a importância que têm as avós em nossas vidas (quem quiser ler ou reler a crônica está no meu blog se chama “Olga – uma mulher admirável”). Entre as coisas que mais lamento em viver distante de Porto Alegre, está o não poder visitar a minha avó todas as semanas para conversar, para falar bobagens e alegrá-la, para ouvi-la, para levar-lhe um pouco de vida.
     Na URI/Campus de Erechim há um projeto para a Terceira Idade - o “Universidade sem limites“- divinamente coordenado pela Profª Ilza Kneib. Um grupo de acadêmicos do Curso de Letras, sob minha orientação, está ministrando aulas de Língua Espanhola para estas alunas e espero que possamos contribuir para a qualidade de vida das meninas. Um gesto pequenininho, porém cheio de boa intenção… A este grupo de Terceira Idade não lhes falta ânimo e alegria, muito pelo contrário, e nós queremos preencher ainda mais as suas vidas com recordações de tangos e boleros. Como não posso estar todas as semanas com minha avó, estarei por algumas semanas entre “vovós” emprestadas…
     Começamos bem em nossa primeira aula, assistimos ao filme “Elsa & Fred”: um banho de dignidade! Se por acaso vocês observarem muitos idosos namorando nas ruas de Erechim saibam que é o efeito do Curso de Terceira Idade de Língua Espanhola a lançar novas “Elsas” pela cidade, os senhores viúvos e “de boa aparência” que se cuidem!
     E se é algo óbvio de que não existe idade para o amor, por que tantos filhos e netos torcem o nariz quando pais ou mães, avôs ou avós encontram um(a) namorado(a)? Uma iniciativa modesta, sem deixar de ser grandiosa, é a da formação de bailes para a Terceira Idade que propiciam belos encontros na idade madura…
     Felizes seremos nós, se soubermos envelhecer com amor! Garanto que nenhuma doença se aproximará de nós e se ela vier que a gente aprenda a viver como “Elsa” com toda intensidade cada minuto.

criado por joselmanoal    15:32 — Arquivado em: Crônica

1 Comentário »

  1. Comentário por josiane — 12 12UTC abril 12UTC 2007 @ 19:47

    MARAVILHOSO…E VIVA A VÓ OLGA…

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