Textos da Jô

Crônicas e contos de minha autoria

14/3/07

O preconceito pintado de discrepância

     Temos a imbecil mania de rotular as pessoas e imaginar discrepâncias onde não há! Mulher ou é bonita ou é inteligente - como se fossem dois adjetivos impossíveis de estar lado a lado, caracterizando o sexo feminino. Tá certo que algumas mulheres erguem mesmo esta bandeira! Há, sem dúvida, as intelectuais feias, porque assim o desejam. E há, lamento concordar, as que não exercitam tanto o cérebro…

     Carol Teixeira é o que se poderia chamar, dentro de uma ótica preconceituosa, de uma incoerência: escritora, proprietária de um bar noturno em Porto Alegre, manequim. Tantas profissões, tão diversificadas e me parece que ela dá conta da diversidade…

     No Caderno de Cultura da Zero Hora do último sábado (10/03/07) o filósofo Luc Ferry (ex-ministro francês de educação) em uma entrevista reafirmou a existência de uma filosofia leiga, ou seja, não religiosa, como diz em seu livro O homem Deus ou O sentido da Vida -lançamento no Brasil. Mais uma incongruência? Às vezes tentamos entender os casais e quantas vezes não nos perguntamos: como pode o fulaninho tão legal conviver tantos anos com a fulaninha tão chata (ou o contrário)? A completude ou a similaridade garantem o melhor resultado na vida a dois?

     Estamos sempre atrás da formação de duplas perfeitas: arroz com feijão, café com leite, queijo e goiabada, cerveja e batata frita, etc. O que não significa que não possamos distorcer as duplas e formar outras! Eu, por exemplo, aprendi a comer churrasco com cuca - o que em Porto Alegre pode parecer uma discrepância, é, na verdade, uma delícia!  

     Tenho horror de preconceito, seja ele qual for, luto quanto a qualquer um que tente se abater contra mim! No entanto, penso que Erechim pode melhorar na luta contra prejulgamentos e desejo com este texto provocar alguma reflexão a respeito. Me desculpem, leitores erechinenses, mas a verdade é que há sérios preconceitos circulando por aí. O primeiro a ser destacado é contra os forasteiros, ou seja os não nascidos na cidade em que vivem (podem ter certeza os que optam por viver em Erechim desejam o progresso da cidade e querem contribuir para isto!) Outra séria prenoção é quanto ao gênero masculino e feminino. Há uma forte divisão entre os sexos, que pode ser facilmente percebida, basta abrir os olhos e querer enxergar…

     Espero que, com o tempo, a gente não denomine de discrepâncias os nossos preconceitos, que sejamos mais abertos, condescendentes, tolerantes e, assim, possamos entender melhor o mundo. Casais heterossexuais e/ou homossexuais, mulheres inteligentes e bonitas, filosofia e/ou religião, cidadãos conterrâneos ou não, churrasco - com ou sem cuca - e quem sabe, política sem a companhia da palavra corrupção?

Publicado em 15 de março de 2007, Jornal Bom Dia, p. 8

criado por joselmanoal    14:51 — Arquivado em: Crônica

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